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Promoções-relâmpago desafiam a cibersegurança

Promoções-relâmpago desafiam a cibersegurança

Estudo mostra que a urgência das ofertas faz consumidores deixarem a segurança em segundo plano, mesmo ciente dos riscos de fraudes.
Foto: Shutterstock
A urgência criada pelas promoções-relâmpago está levando consumidores a deixarem a cibersegurança em segundo plano. Segundo estudo da Akamai, 47% dos brasileiros já fizeram compras sem verificar se o site era seguro, mesmo com 85% afirmando ter receio de fraudes online. O levantamento também mostra como velocidade, descontos e praticidade estão mudando o comportamento de compra no comércio eletrônico.

A urgência virou uma das estratégias mais eficientes do comércio eletrônico. Quem nunca acelerou uma compra porque o cronômetro no topo da tela estava chegando ao fim e o site avisou que a promoção acabaria?

Essa é uma prática cada vez mais comum das marcas que vendem online. Mas tem o seu efeito colateral: faz muita gente deixar de conferir se aquele site é seguro. Segundo o levantamento O Panorama do E-commerce no Brasil e no México 2025, da Akamai, 47% dos brasileiros já compraram durante uma promoção-relâmpago sem verificar se o site era seguro.

E isso ocorre mesmo quando os consumidores estão conscientes dos riscos: 85% dizem ter medo de sofrer golpes online. Ou seja, o problema não é falta de informação, é que, quando a oferta parece boa demais e o relógio começa a correr, a pressa costuma ganhar da preocupação com a segurança.

O desconto fala mais alto

Quase 80% afirmam que ofertas-relâmpago enviadas por e-mail, aplicativos ou marketplaces influenciam diretamente a decisão de finalizar ou não o pedido. Além disso, 51% dizem que compartilham dados pessoais em troca de benefícios como descontos ou frete grátis.

Entre os fatores que mais pesam na hora da compra estão promoções (25%), variedade de produtos (22%) e conveniência (20%).

Ao mesmo tempo, quase 90% dos entrevistados afirmam que avaliações positivas de outros consumidores e reviews nas redes sociais influenciam suas escolhas, enquanto mais de dois terços também são impactados por conteúdos publicados pelas próprias marcas nas redes sociais.

O celular virou a principal vitrine

O levantamento mostra que 41% dos brasileiros já usam o smartphone como principal canal de compras e que 80% fazem pagamentos por cartão de crédito ou Pix.

A combinação faz sentido já que comprar nunca foi tão rápido. Mas a facilidade também encurta o tempo dedicado à conferência de informações básicas, como verificar o endereço do site, procurar sinais de segurança ou desconfiar de uma oferta boa demais.

Não por acaso, quase três em cada quatro entrevistados já sofreram algum tipo de fraude digital ou conhecem alguém que passou por isso. Os casos mais comuns envolvem compras que nunca chegaram (46%), falsos atendimentos ao cliente (41%) e clonagem de cartão de crédito (29%).

Mas o risco que mais preocupa os consumidores é o acesso não autorizado a contas bancárias.

Velocidade não pode substituir confiança

Para Fernando Serto, Field CTO da Akamai para a América Latina, o desafio do varejo digital é encontrar um equilíbrio entre conveniência e proteção.

“As decisões de compra são cada vez mais influenciadas por estímulos em tempo real, como avaliações de clientes e ofertas por tempo limitado. Esses fatores encurtam o caminho até a compra e criam um senso de urgência. Por isso, as marcas precisam equilibrar velocidade e confiança para permanecer competitivas e, ao mesmo tempo, proteger os consumidores.”

A pesquisa mostra que os próprios consumidores sabem o que esperam das empresas: 67% querem notificações em tempo real sobre transações, 57% defendem políticas claras de reembolso em casos de fraude e 53% apontam a autenticação em dois fatores como um recurso importante para proteger pagamentos.

Essa é uma contradição curiosa do comércio eletrônico: as marcas trabalham para reduzir cada segundo da jornada de compra, enquanto a cibersegurança continua dependendo justamente que o consumidor pare por alguns segundos antes de clicar em “finalizar pedido”.

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