O Piauí é o primeiro estado das Américas a incluir Inteligência Artificial como disciplina obrigatória no 9º ano do Ensino Fundamental e em todo o Ensino Médio. A iniciativa, implementada em 2024, rendeu ao Estado o Prêmio Rei Hamad Bin Isa Al-Khalifada, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pelo Governo do Bahrein, que destacou o projeto como exemplo de inovação educacional e social.
Com o Piauí Inteligência Artificial, mais de 120 mil estudantes aprendem sobre algoritmos e dados, e discutem o uso ético da tecnologia. Nas aulas, os jovens desenvolvem soluções para desafios reais, conectando a IA a temas de suas rotinas, como saúde e finanças. O programa é conduzido pela Secretaria de Educação do Piauí, em parceria com o Instituto Federal Farroupilha, a Universidade Federal de Pampa e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Desafios para IA na educação
Para o professor Rogério de Almeida, da Faculdade de Educação da USP, o projeto representa um marco importante na disputa por espaço dentro do currículo escolar. Mas reforça que a inovação traz desafios: formação docente, infraestrutura e ética digital. “Não existe ainda o professor formado especificamente em IA. A maioria vem de outras áreas e passa por cursos de capacitação”, explica ao Jornal da USP.
A iniciativa levanta uma discussão sobre o equilíbrio entre tecnologia e disciplinas convencionais, e sobre como preparar os jovens para lidar com os riscos e as oportunidades da era digital.
O projeto do Piauí coloca o Estado ao lado dos Emirados Árabes Unidos, da Arábia Saudita e da China, países que já adotaram iniciativas semelhantes. Segundo Almeida, a novidade pode servir de laboratório para outras redes de ensino. “O Estado se torna um projeto piloto que pode inspirar essas políticas em outros lugares, desde que avaliados os resultados e respeitados os cuidados éticos e pedagógicos”, ressalta.





