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Perfumes no metaverso: quais os limites de criação?

Perfumes no metaverso: quais os limites de criação?

Marcas de luxo apostam em um novo mercado de fragrâncias virtuais, que vão desde “auras vestíveis” a produtos physicals

Você compraria um perfume no metaverso? Ou melhor, uma aura vestível que faz as vezes de um perfume neste ambiente virtual? Pois esta é a nova tendência que algumas marcas de beleza de luxo estão apostando.

A marca sueca de fragrâncias Byredo, por exemplo, em colaboração com a startup fashion digital Rtfkt, desenvolveu seu primeiro perfume para a Web3, na sua também primeira incursão pelo metaverso. A iniciativa inclui tanto as auras digitais vestíveis quanto a possibilidade de colecionadores customizarem e comprarem produtos physical por meio de NFTs (non-fungible tokens ou tokens não fungíveis).

“Uma única fragrância é incapaz de representar este mundo virtual, então formulamos um conjunto de elementos que colecionadores podem combinar à vontade para fazer algo inteiramente único”, falou o fundador e diretor criativo da Byredo, Ben Gorham, no release de lançamento.

A marca, no entanto, não representa a única iniciativa que busca a tecnologia de transformar o sensorial em visual no metaverso, ou então, trazer o sensorial de vez a este ambiente. Então, quais os limites e o que esperar deste tipo de criação?

Perfumes no metaverso: como funcionam

No caso da colab entre Byredo e Rtfkt, foram lançados 26 ingredientes visuais que representam emoções (como harmonia, inocência, perspicácia, etc.) e podem ser vestidos como auras digitais no ecossistema de avatares da Rtfkt. Colecionáveis, estes NFTs vêm em quantidades limitadas e podem ser combinados em fragrâncias únicas. São mais de duas mil possibilidades de combinação.

Além disso, o usuário pode adquirir sua fragrância personalizada em uma versão physical. Os frascos físicos são então produzidos, enumerados individualmente e identificados com uma tag NFC (near field communication ou comunicação de campo próximo), que os mantêm vinculados à sua versão NFT.

A lógica physical adotada pela marca sueca de perfumes é similar a de outras ações que já conquistaram certo engajamento, como a venda de jaquetas da Aramis e de tênis limitados e enumerados da Reserva, ambos com versões digitais e físicas interconectadas.

Para o especialista em tecnologia que faz o “amigo nerdzinho” no quadro Tech News da empresa de conteúdo WorkStars, Mario Aguilar, esta combinação physical está bastante em alta no contexto do metaverso. Ainda assim, ele apresenta algumas ressalvas: “essas interações sensoriais ainda irão demorar de três a cinco anos para serem mais acessíveis, tanto em questão financeira quanto em inclusão digital”, diz.

Neste sentido, ele também tem um pé atrás na aposta da marca de luxo baseada em NFTs, já que após um grande boom em 2021, os tokens não-fungíveis tiveram uma queda drástica em 2022 e não se firmaram como itens colecionáveis de grande procura.

“Com a ampliação de usuários utilizando metaversos, a tendência é de um novo crescimento. Mas enquanto isso, o volume de NFTs comercializados dentro deles está muito abaixo das metas dos seus produtores. Acredito que o volume baixo de vendas irá ocorrer com os perfumes também”, afirma.

Metaverso sensorial vem aí?

Enquanto a grande inovação das marcas de fragrâncias no metaverso se mantém nas auras digitais vestíveis e em produtos physicals, alguns estudos e pesquisas já se mobilizam para desenvolver ambientes virtuais mais imersivos sensorialmente falando, onde cheiros e sabores também sejam um elemento importante.

O especialista em tecnologia Mario Aguilar cita algumas destas empreitadas:

Projeto Nourished, no qual comidas são reproduzidas em impressoras 3D com ingredientes naturais, como hidrocoloides, ágar, pectina e derivados de frutas e vegetais, simulando sabores de alimentos sem acarretar problemas de saúde. “Ou seja, você poderia estar degustando aquele torresmo cheio de gordura nos óculos de realidade virtual, mas comendo realmente uma goma arábica saborizada!”.

Projeto FeelReal, que desenvolveu um simulador multissensorial para ser acoplado aos óculos de realidade virtual. Com ele, o usuário pode sentir cheiros, vibrações, sensações térmicas, vento, espirros de água, entre outros.

– Aplicações práticas de soluções olfativas por empresas de Real State nos Estados Unidos. Em uma visita digital a uma propriedade, o cliente veste os óculos de realidade virtual que, conectado a um odorizador de ambientes e a um software, torna a experiência mais realista. “À medida que o visitante ‘caminha’, o odorizador solta cheiros. Ao ir para o quintal, por exemplo, libera o famoso cheiro de barbecue americano”.

O desenvolvimento deste tipo de tecnologia definitivamente pode trazer impactos para o mercado de perfumes virtuais, afinal, sair de NFTs colecionáveis pelo usuário a, de fato, possibilitar que ele sinta uma fragrância personalizada no metaverso é um grande passo.

Assim, a OVR (olfactory virtual reality ou realidade virtual olfativa) já está na mira de empresas que acreditam que o cheiro é uma peça fundamental para incrementar a experiência digital e solidificar um metaverso realmente imersivo. E quem conseguir criar o primeiro “aromaverso”, sai na frente nesta corrida.

O que falta para uma experiência digital olfativa completa

Para avançar no “aromaverso” e no metaverso em si, ainda falta um componente básico: tecnologia.

“A experiência no metaverso através de dispositivos móveis e notebooks é muito pífia, tremendamente sem graça. A real imersão só ocorre mesmo com os óculos de realidade virtual ou mista, como os Meta Quest 2 e Meta Quest Pro da Meta. Neles, sim, temos além das sensações visuais e auditivas, as sensações táteis e somáticas por conta das manoplas”, explica Mario Aguilar.

Segundo ele, para se incluir a possibilidade de ativar o olfato e o paladar neste universo, novos tipos de acessórios serão necessários no futuro. Além disso, o valor por si só dos dispositivos disponíveis é hoje um empecilho para que o público do metaverso atinja os patamares esperados por seus desenvolvedores. A tecnologia, assim, ainda não é de consumo de massa.

A expectativa do especialista da WorkStars é que serão em torno de dez anos para que o metaverso seja realmente populoso e apresente uma experiência digital imersiva bastante realista.

“As empresas estão focando inicialmente em games e, depois, em educação. A possibilidade do aumento do número de usuários virá realmente dos jogos eletrônicos. Então, o que devemos saber é que a jornada ainda será longa, mas muito interessante”, completa.


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