A OpenAI está colocando suas ferramentas e poder de computação a serviço da criação de Critterz, um longa-metragem de animação desenvolvido em grande parte com Inteligência Artificial (IA). O filme, que deve chegar aos cinemas em 2026, foi revelado pelo The Wall Street Journal como um dos maiores testes já realizados da aplicação da IA no entretenimento.
A trama acompanha criaturas da floresta que embarcam em uma aventura depois que sua aldeia é invadida por um estranho. O projeto é idealizado por Chad Nelson, criador e especialista da OpenAI, que começou a desenhar os personagens há três anos, quando ainda explorava o então recém-lançado DALL-E para a produção de um curta.
Produção acelerada e de baixo custo
Segundo James Richardson, cofundador da Vertigo Films, a equipe planeja concluir o filme em cerca de nove meses, contra os tradicionais três anos exigidos por uma animação de grande porte. O orçamento também é incomum: menos de US$ 30 milhões, uma fração do custo médio dos estúdios de Hollywood.
De acordo com o veículo de notícias, a Vertigo coproduz Critterz ao lado da Native Foreign, especializada em unir ferramentas de IA a técnicas tradicionais de produção. Além de atores escalados para dar voz aos personagens, artistas serão contratados para criar esboços, que depois serão processados em modelos da OpenAI, incluindo o GPT-5 e geradores de imagens.
Hollywood em disputa com a IA
O uso de IA no cinema tem dividido opiniões e já gera embates jurídicos. Estúdios como Disney, Universal (Comcast) e Warner Bros. Discovery moveram processos contra a Midjourney, acusando a plataforma de reproduzir personagens e obras protegidas por direitos autorais sem autorização.
A aposta da OpenAI é que, se Critterz tiver boa recepção, servirá como prova de que a IA pode entregar conteúdo de qualidade cinematográfica, reduzir custos e democratizar a criação artística. “As ferramentas diminuem a barreira de entrada e permitem que mais pessoas participem da produção criativa”, disse Chad Nelson ao The Wall Street Journal.
A resistência das estrelas
Se parte da indústria vê potencial, muitos artistas têm levantado barreiras contra o uso da tecnologia. De acordo com a Forbes, diversas celebridades adicionaram cláusulas em seus contratos ou testamentos para evitar a exploração de suas imagens por meio de IA ou deepfake:
- Madonna proibiu em testamento a recriação de sua imagem por Inteligência Artificial após a morte.
- Robin Williams restringiu o uso de sua imagem por 25 anos após seu falecimento, incluindo hologramas.
- Keanu Reeves vetou em novos contratos, assinados este ano, qualquer edição de sua imagem por IA.
- Samuel L. Jackson se recusa a assinar contratos que concedam uso perpétuo de sua imagem, justamente por temer manipulações digitais.






