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Onde os robôs se saem melhor do que a gente

Onde os robôs se saem melhor do que a gente

Seminário da KPMG discutiu, nesta quinta-feira, os impactos da nova mão de obra robotizada.

Eles trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Não tiram férias, não precisam de treinamento e cumprem tarefas em uma velocidade capaz de deixar muita gente por aí boquiaberta. De quebra, acredita-se que possam fazer tudo aquilo que queremos que eles façam, só que com uma suscetibilidade muito menor a erros, acidentes e fraudes. A robotização foi o tema do 1º Seminário “Digital Labor – A nova mão de obra robotizada”, um encontro organizado pela KMPG e que reuniu, na última quinta-feira, empresários e especialistas para discutir o que a interação entre máquinas e humanos deve implicar tanto no nosso dia a dia e no mercado de trabalho como na economia mundial. “Em algumas tarefas, como dirigir ou colher frutas, por exemplo, os robôs podem ser sair muito melhor do que nós. A ideia é essa: colocá-los para fazer aquilo no qual se destacam mais”, disse o cientista político e consultor Heni Ozi Cukier.

Para o especialista, a tendência é de que, com o crescimento da robotização, as pessoas não vivam mais de salários, mas sim de ativos e da economia compartilhada. “Eles vão gerar receita para as pessoas e para as empresas. Quem tiver mais robôs, terá mais riqueza”, diz Cukier. A robotização também promete causar um grande impacto na dinâmica dos mercados globais. Nesse sentido, a força de cada país deve ditar como eles lidarão com as crises relacionadas ao desemprego tecnológico. “Na China, por exemplo, a robotização pode causar uma convulsão social. Já a Índia pode aproveitar a oportunidade e se tornar uma grande exportadora de mão de obra especializada”, diz Cukier.

Cliff Justice, sócio-líder de Inovação e Automação Cognitiva da KPMG nos Estados Unidos, falou sobre o início da 4ª Revolução Industrial, que sucede marcos como a invenção da máquina a vapor, a criação do conceito de divisão de trabalho, o boom da internet e da comunicação em massa e, por fim, a fase atual, da nano e biotecnologia e do trabalho digital. “Aqui, temos a tecnologia cognitiva, que simula como os humanos percebem, aprendem e respondem a estímulos; e o trabalho digital, que é a tarefa humana de organizar dados e aplicá-los em um contexto humano”, disse Justice durante a palestra “The robots are coming, but humans aren’t leaving”.

O fato é que, embora muitos traços humanos não possam ser replicados pela tecnologia, a robotização terá um impacto significativo em diversos setores – a começar pelo de transportes (com veículos autônomos, controle de tráfego aéreo, carga e logística, drones e entregas de pequenos pacotes), operações de negócios (contabilidade e auditoria, risco, impostos), saúde (com a descoberta de medicamentos, diagnóstico e tratamento) e financeiro (com a gestão de investimentos, operações bancárias e detecção e prevenção de fraudes). As máquinas dotadas de inteligência artificial também devem causar uma disrupção no mercado de trabalho e fomentar inúmeras discussões. Quer ver uma delas? Quem será responsável pelo erro das máquinas? Outra? Como serão acordadas as políticas públicas e a regulamentação em torno da Inteligência Artificial? Essas são algumas das perguntas para as quais nós, humanos, precisaremos encontrar respostas.

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