Após o anúncio, no começo do mês, de um acordo definitivo para a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Netflix, a movimentação segue gerando especulações e inquietações no mercado, principalmente em Hollywood. Diante do burburinho e após a oferta realizada pela Paramount, os co-CEOs da Netflix, Greg Peters e Ted Sarandos, decidiram se posicionar publicamente e enviar um e-mail aos funcionários para esclarecer os rumores em torno da operação.
Na carta, enviada na segunda-feira e também arquivada publicamente na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), os executivos classificam a fusão como “pró-consumidor, pró-inovação, pró-trabalhador, pró-criador e pró-crescimento”. O documento surge após preocupações levantadas por produtores e profissionais da indústria, que temem que a Netflix priorize exclusivamente o streaming, seu core original, em detrimento do cinema tradicional.
Mais opções para os consumidores
Segundo Peters e Sarandos, a união das duas empresas ampliaria opções e valor para o público, além de fortalecer o alcance da comunidade criativa. “Acreditamos firmemente que a união de forças entre a Netflix e a Warner Bros. oferecerá aos consumidores mais opções e valor, permitirá que a comunidade criativa alcance um público ainda maior com nossa distribuição combinada e impulsionará nosso crescimento a longo prazo”, diz o texto.
A Netflix anunciou a intenção de adquirir os ativos de streaming e de estúdios da Warner Bros. Discovery por um valor patrimonial de US$ 72 bilhões, o que, se concretizado, será a maior aquisição da história da plataforma. Os executivos reforçam que os “fundamentos são claros” e reiteram que o acordo não representa uma ruptura com o cinema. Pelo contrário.
“Não é o fim de Hollywood”, diz Netflix
De acordo com a carta, os lançamentos da Warner Bros. continuarão chegando às salas de cinema, como ocorre atualmente. “O cinema é uma parte importante dos negócios e do legado da empresa, e não queremos mudar o que torna a Warner Bros. tão valiosa”, afirmam. Eles destacam que, mesmo que o acordo tivesse sido fechado há dois anos, sucessos recentes teriam estreado nas telonas. “Quando este acordo for concluído, estaremos atuando nesse segmento”, diz o comunicado.
O movimento da Netflix acontece em um contexto de intensa consolidação no setor de entretenimento. Nos últimos anos, a Amazon comprou a MGM, a Apple reforçou sua estratégia de streaming, a Skydance adquiriu a Paramount. E, agora, a Netflix se prepara para o maior passo de sua história.
Para quem vê a operação como o “fim de Hollywood”, a resposta dos executivos: “É algo que ouvimos há muito tempo, inclusive quando começamos o negócio de streaming. Vemos isso como uma vitória para a indústria do entretenimento, não o seu fim”. Segundo eles, a Warner Bros. traz capacidades e negócios complementares, sem sobreposição de funções ou fechamento de estúdios, o que, na visão da empresa, fortalece um dos nomes mais icônicos do cinema mundial.
Competitividade no streaming acirrada
O cenário, no entanto, segue aquecido. Após o anúncio da Netflix, a Paramount Skydance apresentou uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela Warner. Não foi a primeira tentativa: em um intervalo de 12 semanas, a Paramount fez seis propostas diferentes, todas recusadas. O objetivo seria ampliar sua competitividade em um mercado de streaming dominado por gigantes como Netflix, Prime Video, HBO Max e Disney+.
A possível fusão também atraiu atenção política. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou questionamentos sobre a operação e afirmou que pretende se envolver na decisão. Especialistas alertam ainda para questões antitruste, tanto no caso da Netflix quanto em uma eventual combinação entre Warner e Paramount, que poderia redesenhar o mercado de TV a cabo nos EUA e superar o market share da Walt Disney Company.





