A guerra do streaming acaba de ganhar mais um novo capítulo. Depois do anúncio da Netflix para a aquisição da Warner por mais de US$ 70 bilhões, a Paramount Skydance fez uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela empresa.
Essa não é a primeira vez que a Paramount faz uma investida para a compra da Warner. Em um período de 12 semanas, a Paramount ofereceu seis propostas diferentes. O objetivo é ampliar a sua capacidade para competir no setor de streaming, dominado por Netflix, Prime Video, HBO Max (da Warner), Disney+ e outros. No entanto, as ofertas foram negadas.
No comunicado, a Paramount afirma que a nova oferta oferece um valor superior – de US$ 30 por ação – em relação à proposta da Netflix, além de um caminho mais certo e ágil para a conclusão pelos shareholders da Warner Bros. Discovery.
“A oferta estratégica e financeiramente atraente da Paramount aos acionistas da WBD (Warner Bros. Discovery, Inc) representa uma alternativa superior à transação com a Netflix, que oferece um valor inferior e incerto, além de expor os acionistas da WBD a um prolongado processo de aprovação regulatória em múltiplas jurisdições, com resultado imprevisível, juntamente com uma combinação complexa e volátil de ações e dinheiro”, afirma a Paramount.
Paramount promete mais valor aos acionistas
Ainda, a Paramount aponta que o valor oferecido aos acionistas é US$ 18 bilhões superior à proposta da Netflix. “A recomendação do Conselho de Administração da WBD pela transação com a Netflix, em detrimento da oferta da Paramount, baseia-se em uma avaliação prospectiva ilusória da Global Networks, que não é sustentada pelos fundamentos do negócio e está sobrecarregada por altos níveis de alavancagem financeira atribuídos à entidade.”
Outro ponto destacado pela empresa é que sua proposta aumenta a concorrência, sendo assim favorável ao consumidor, além de criar “um forte defensor para os talentos criativos e para a escolha do consumidor”.
“Em contraste, a transação com a Netflix baseia-se na suposição irreal de que sua combinação anticompetitiva com a WBD – que consolidaria seu monopólio com 43% de participação global em assinantes de serviços de vídeo sob demanda por assinatura – conseguiria resistir a múltiplos e prolongados desafios regulatórios ao redor do mundo.”
Riscos regulatórios e impacto no mercado de mídia
Além do valor superior oferecido, a proposta da Paramount também incluir o negócio de TV a cabo da Warner – que inclui redes como CNN, TNT e CBS. O acordo da Netflix descarta essas unidades.
Desde o acordo anunciado pela gigante do streaming, a possível união das duas empresas tem provocado deslumbramento e preocupações. O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou seus questionamentos a respeito da aquisição, afirmando que irá se envolver na decisão da fusão.
No entanto, mesmo a aquisição da Warner pela Paramount levanta um certo alerta antitruste. Isso porque a combinação das duas empresas poderá mudar o cenário de TV a cabo nos Estados Unidos, superando o market-share da Walt Disney Company.
A Paramount Skydance é controlada pela família Ellison e tem como CEO David Ellison, filho de Larry Ellison, executivo cofundador da Oracle. A oferta da empresa conta com o apoio da RedBird Capital, empresa de private equity, e o financiamento da Kushner Affinity Partners – liderada por Jared Kushner, genro do presidente Trump –, e dos fundos soberanos da Arábia Saudita e Qatar.
O que acontece agora?
A Warner ainda não se manifestou em relação à nova proposta. Segundo o comunicado da Paramount, a oferta tem validade até o dia 8 de janeiro de 2026, podendo ser estendida.
“Acreditamos que nossa proposta criará uma Hollywood mais forte. Isso está no melhor interesse da comunidade criativa, dos consumidores e da indústria de cinemas”, afirma David Ellison. “Acreditamos que todos se beneficiarão da concorrência aprimorada, do aumento nos investimentos em conteúdo e na produção de lançamentos para as telas, além de um maior número de filmes nos cinemas como resultado da transação proposta. Estamos ansiosos para trabalhar de forma ágil para viabilizar essa oportunidade, permitindo que todas as partes envolvidas comecem a aproveitar os benefícios da empresa combinada.”





