Com a acusação de que gigantes de tecnologia têm restringido a concorrência em Inteligência Artificial (IA) e criado um monopólio, a startup xAI, fundada por Elon Musk, abriu um processo antitruste contra a Apple e a OpenAI. A ação, apresentada em um tribunal federal do Texas, marca mais um capítulo da escalada de disputas de Musk contra antigos aliados e competidores na corrida pela liderança em IA.
De acordo com a queixa de 61 páginas, a Apple teria fechado um acordo exclusivo com a OpenAI para integrar o ChatGPT a iPhones, iPads e Macs. Segundo a xAI, essa união resultou em um bloqueio artificial de mercado. O processo argumenta ainda que, sem essa parceria, a Apple não teria razões para impedir que aplicativos rivais de IA, como o Grok, o chatbot desenvolvido pela própria xAI, tivessem maior destaque na App Store.
“Esta é a história de dois monopolistas que uniram forças para garantir o seu domínio contínuo num mundo rapidamente impulsionado pela tecnologia mais poderosa que a humanidade já criou: a Inteligência Artificial”, diz um trecho do processo.
A disputa com a OpenAI
A OpenAI, criadora do ChatGPT e apoiada pela Microsoft, rejeitou as acusações e afirmou que o processo se enquadra em um “padrão contínuo de assédio de Musk”. A empresa já enfrenta outras ações movidas pelo bilionário, incluindo uma que contesta a transformação da organização em uma companhia com fins lucrativos. Musk foi um dos cofundadores da OpenAI em 2015, quando a entidade ainda funcionava como um laboratório de pesquisa sem fins lucrativos.
No novo processo, Musk vai além e retrata a OpenAI como uma empresa que estaria colocando o lucro acima da segurança pública, acusação semelhante à apresentada em outra disputa judicial aberta na Califórnia no ano passado.
Apple sob pressão
A Apple, por sua vez, ainda não se manifestou oficialmente sobre o processo. A fabricante do iPhone tem sido alvo frequente de questionamentos sobre as práticas da App Store, inclusive em ações anteriores. É o caso da Epic Games, criadora do jogo Fortnite, pois a empresa não permitia maior concorrência nas formas de pagamento dos aplicativos.
No caso atual, a xAI acusa a empresa de manipular as classificações de aplicativos na App Store para favorecer o ChatGPT em detrimento de concorrentes como o Grok, a chinesa DeepSeek e a Perplexity. A denúncia também afirma que a Apple vê a Inteligência Artificial como uma “ameaça existencial” ao futuro de seu principal produto, o iPhone, e que, por isso, teria buscado estreitar laços com a OpenAI.
Segundo o documento, a decisão da Apple de adotar o ChatGPT como “mecanismo de respostas” em seus dispositivos estaria ligada às deficiências de sua própria tecnologia de IA, ainda incapaz de atender às expectativas dos usuários. A consequência seria o fornecimento de dados valiosos à OpenAI, ampliando o poder competitivo da parceira e dificultando o avanço de alternativas como o Grok.
Conflito de narrativas
O embate também resgata discussões mais amplas sobre monopólio e inovação no Vale do Silício. Para a xAI, a parceria entre Apple e OpenAI configura uma tentativa de sufocar o surgimento de “superaplicativos” capazes de integrar múltiplos serviços, como Musk tem tentado construir com a plataforma X (antigo Twitter). Essa narrativa ecoa, em parte, investigações já conduzidas pelo Departamento de Justiça dos EUA contra a Apple, que também apontavam para barreiras artificiais à concorrência.
Além da indenização bilionária por danos, Musk e sua equipe buscam uma ordem judicial que proíba as supostas práticas ilegais e abra espaço para maior competitividade no mercado de IA.
O pano de fundo da corrida pela IA
O processo chega em um momento em que o ChatGPT, lançado no fim de 2022, já é considerado o aplicativo de consumo de crescimento mais rápido da história. A popularidade da ferramenta consolidou a OpenAI como uma das principais protagonistas da revolução em IA generativa e atraiu parcerias estratégicas e investimentos robustos.
Musk, por sua vez, tem expandido os esforços da xAI, que em março comprou a plataforma X por US$ 33 bilhões para reforçar o treinamento de modelos de linguagem. O Grok, seu chatbot, já está integrado a veículos da Tesla e busca se posicionar como alternativa ao ChatGPT.
*Foto: DALL-E.






