/
/
Muito dado, pouco insight? Como transformar informação em ação

Muito dado, pouco insight? Como transformar informação em ação

No CONAREC 2025, líderes discutem como transformar dados em insights acionáveis, integrar áreas e acelerar decisões estratégicas em um mundo cada vez mais orientado por tecnologia e IA.
No CONAREC 2025, líderes discutem como transformar dados em insights acionáveis, integrar áreas e acelerar decisões estratégicas na era da IA

O CONAREC 2025 trouxe ao centro das discussões um tema que desafia empresas de todos os setores: como transformar a abundância de dados em ações concretas e insights que realmente gerem valor para o negócio?

O painel Muito dado, pouco insight? Como transformar dados em ações concretas reuniu especialistas de grandes companhias para debater estratégias práticas, obstáculos e o papel da Inteligência Artificial nesse cenário.

A mediação ficou a cargo de Alessandra Montini, diretora da FIA-Labdata. A dicussão contou com a participação de Marjorie Teixeira, Corporate and Brand Communications Leader Latin America na P&G; Cláudia Furniel, superintendente Pesquisa e Estratégia do Itaú Unibanco; Daniel Frankenstein, head de Dados da ConectCar; Isabela Torres, diretora de Marketing Services na Serasa Experian; e Ligia Miggiorin, gerente de Compliance na Oktor.

Transformando dados em insights acionáveis

Ao iniciar o painel, a primeira questão levantada foi sobre as práticas mais eficazes para transformar dados em insights acionáveis. Marjorie Teixeira, da P&G, destaca que a companhia já tem mais de um século de experiência na compreensão do consumidor. Mas, hoje a dinâmica mudou: os insights não estão mais restritos a uma área específica, e sim integrados a todos os processos de negócio.

“Na P&G, vemos essa questão do insight e da preocupação de entender bem o consumidor há mais de 100 anos. Somos uma empresa de quase dois centenários e há 100 anos estabelecemos uma área responsável por conversar com o consumidor e, cada vez mais, trazer esses insights para o negócio. O que tenho visto hoje é não mais ter uma área, e sim todos nós sermos responsáveis por trazer isso para o negócio, incorporar isso nas nossas ações do dia a dia. E, mais do que planejar e testar antes, é preciso testar rápido, aprender rápido e mudar de estratégia caso não dê certo”, comenta.

Para Cláudia Furniel, do Itaú Unibanco, transformar dados em insights envolve disciplina e uma escuta ativa do cliente ao longo de todo o processo. Isso desde a concepção da ideia até a implementação e validação das soluções. Segundo ela, muitas empresas se dizem centradas no cliente, mas a prática ainda depende de organização e método.

“Quando você pensa em ter um processo no qual, do início ao fim, você de fato tem a escuta ativa do cliente, o insight passa a ser acionável. Essa palavra ‘ativa’ é muito importante, para que desde o famoso duplo diamante até a fase de evolução seja possível testar e verificar se aquelas hipóteses são relevantes para o cliente”, frisa.

Objetivos de negócio

Isabela Torres, da Serasa Experian, acrescenta que a relevância do insight depende de sua relação com o objetivo de negócio e com a análise do mercado mais amplo. Olhar apenas para dados internos pode levar a conclusões míopes.

“Transformar dados em insight está muito vinculado ao objetivo de negócio que você quer atingir. Qual é o objetivo que a empresa está buscando para aquela determinada ação? Esse insight pode ser relevante para quem? Muitas vezes, uma empresa olha só para dentro e perde a perspectiva do mercado. Eu posso ter uma conversão boa, mas o que isso significa? Como essa conversão está relacionada a uma conversão de mercado?”

Para Ligia Miggiorin, da Oktor, a dificuldade está no excesso de dados. Empresas são frequentemente sobrecarregadas com relatórios e dashboards que não necessariamente ajudam na execução. O desafio é transformar esses dados em informação de qualidade e pronta para ação, especialmente em setores como crédito e cobrança, em que o contato com o cliente deve ser inteligente e personalizado.

“O diferencial hoje está em transformar esses dados em informação de qualidade e pronta para a ação. Porque, de que adianta ter o dado no relatório? Se conseguimos trazê-lo pronto para a ação, para executar nossa operação, traz resultados muito melhores. Antes de sair disparando, vamos olhar para o cliente de uma forma inteligente, como ele prefere ser atendido, como prefere ser conectado”, diz.

Integração de dados, análise e protagonismo

Daniel Frankenstein, da ConectCar, complementa destacando uma tríade essencial: qualidade do dado, capacidade analítica das pessoas e protagonismo das áreas de negócio. Segundo ele, sem essa integração, os insights ficarão apenas no papel.

Nada funciona sem um dado de qualidade. A partir do momento em que tenho uma informação organizada e pessoas capacitadas, preciso de uma área de negócio que saiba interpretar e priorizar. Se não, tudo fica guardado em PPT. Quando esse tripé funciona, chegamos no resultado. É claro que não é fácil, mas é possível e é ingrediente de sucesso para as empresas que conseguem tomar as melhores decisões”, pontua.

Evitando a paralisia por análise

Quando questionados sobre como evitar a paralisia por análise e acelerar a execução baseada em dados, os especialistas concordaram que foco e evolução contínua são fundamentais. Daniel alerta para o paradoxo do excesso de dados: mais informação nem sempre significa mais clareza. Segundo ele, é essencial definir objetivos claros antes de analisar os números.

“Quanto mais dados temos, mais difícil fica. A primeira pergunta é: o que eu quero resolver? Qual é a minha dor hoje? No meu ponto de vista, é preciso começar pequeno, aprender, avaliar o impacto, crescer. Se esperar ter 100% de certeza, dificilmente teremos coragem de colocar algo no ar”, relata.

Já Ligia enfatiza a importância de simplificação e de entregar aos clientes uma base limpa e pronta para uso. Isso especialmente em setores com regulamentações rigorosas. “O processo precisa ser simplificado. Entregar para os clientes uma base limpa, validada e pronta para execução é fundamental. Senão, diante das regulamentações, o cliente se perde”, pontua.

Confiança nos dados

Na Serasa, Isabela Torres reforça a importância de uma tríade composta por dados, análises e tecnologia, além de aceitar que ajustes e recalculações de rota serão constantes. “Você precisa ter muita confiança no dado que está utilizando. A paralisia muitas vezes acontece por esse motivo. Uma área olha determinado dado e outra olha um número ou indicador diferente. Isso gera, muitas vezes, discussões e debates desnecessários. Então, uma centralização, uma engenharia de dados, que traga um dado relevante para a empresa, é essencial”, reforça.

O papel da governança e democratização de dados em grandes instituições é destacado por Cláudia Furniel. “Passa muito pela questão de governança, democratização e uso adequado numa tríade. E cada empresa tem a sua tríade”, frisa.

Para Marjorie Teixeira, o foco deve estar no problema, e não na solução. “Talvez a solução específica que você quer está em um dado que prove aquilo. E pode ser que a solução seja uma hipótese que você teste e não dê certo, que você mude de rota, mas que esteja preparado para realmente buscar resolver o problema”, afirma.

Geração de valor

Integrar áreas e objetivos é outro ponto central para gerar valor. Isabela Torres destaca que metas comuns, OKRs e KPIs alinhados são essenciais para que todos trabalhem em direção ao mesmo objetivo.

“Quando começamos o ano e definimos os OKRs, eles têm que ser acompanhados numa cadência que permita recálculo de rota a todo momento. Objetivos comuns são fundamentais para que todos atuem na mesma direção”, explica. Marjorie acrescenta que todos os colaboradores devem ter capacidade de reconhecer e interpretar dados, mesmo que em níveis diferentes de profundidade.

Já Cláudia lembra que a geração de valor depende da conexão entre objetivos e resultados medidos. Ao mesmo tempo, Ligia reforça que o dado só tem valor se circular entre todas as áreas, permitindo que marketing e negócios usem a informação de forma eficiente. Na conclusão, Daniel destaca a importância de levar os insights para a prática.

“Um dos pontos de vantagem que a gente tem, quando coloca dados próximos das áreas de negócio, operações, comercial, é tirar o dado do PPT, tirar o dado do BI. Essa talvez seja a maior beleza que a gente consegue extrair disso: colocar em prática aquilo que a gente está enxergando nos painéis”, destaca.

Indicadores e métricas

A escolha de indicadores também foi debatida. Cláudia ressalta que cada métrica depende do objetivo. “Se você quer medir uma jornada, é necessário medir o esforço dela. Se o objetivo é medir o relacionamento do cliente com o banco, meça o NPS. Então, depende muito do que você quer medir. Não adianta só produzir dado”, destaca.

Segundo Marjorie, é importante acompanhar cada etapa, e não apenas o objetivo final, para evitar a perda de foco. Daniel alerta para o risco de olhar só para o KPI sem entender o que há por trás dele. Isabela enfatiza a necessidade de que os KPIs sejam compreendidos e discutidos por todos, criando uma cultura de acompanhamento e aprendizado contínuo. Já Ligia reforça o papel de métricas específicas em crédito e cobrança, como a taxa de contato efetivo, que pode ser otimizada com ciência de dados e Inteligência Artificial.

Perspectivas de futuro

Ao final do painel, os participantes compartilharam suas visões sobre o futuro da gestão de dados e Inteligência Artificial. Para Marjorie, independentemente da tecnologia, o foco continua sendo nas pessoas. Curiosidade, aprendizado rápido e capacidade de resolver problemas são essenciais. Cláudia destaca que a IA é inevitável e que cada área precisa avaliar onde ocorrerá a disrupção e como melhorar serviços ao cliente.

Para Isabela Torres, o futuro será mais proativo, no qual plataformas entregam insights automáticos aos clientes, reduzindo a necessidade de seleção manual ou análise complexa. Já Ligia reforça ser essencial transformar dados brutos em insights aplicáveis, usando ciência de dados e IA para gerar resultados sem incomodar o cliente final. E, para finalizar, Daniel lembra que a transformação em curso é única.

 “É difícil imaginar continuarmos da mesma forma como atuamos hoje em determinados processos, quaisquer que sejam eles”, diz. “O ponto é repensar o processo como se você já tivesse a tecnologia que te permite desenvolver uma solução diferente, uma solução mais clara, uma solução que traga para o cliente algo muito melhor do que aquilo que você tem hoje.”

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Uso disseminado da IA por profissionais do Direito eleva produtividade e qualidade, mas expõe falta de diretrizes e investimento das organizações.
IA alcança 77% dos advogados e pressiona transformação no setor jurídico
Uso disseminado da IA por profissionais do Direito eleva produtividade e qualidade, mas expõe falta de diretrizes e investimento das organizações.
IA já impacta profissionais qualificados e pode ampliar desigualdade no Brasil. Especialista da ESPM analisa efeitos no trabalho, renda e consumo.
CM Entrevista: IA vai gerar riqueza ou ampliar desigualdade?
IA já impacta profissionais qualificados e pode ampliar desigualdade no Brasil. Especialista da ESPM analisa efeitos no trabalho, renda e consumo.
CTOs e lideranças de tecnologia femininas assumem protagonismo na adoção da IA nas empresas, definindo limites, governança e impacto na experiência do cliente.
Para CTOs, se a tecnologia falha, a experiência morre
CTOs e lideranças de tecnologia femininas assumem protagonismo na adoção da IA nas empresas, definindo limites, governança e impacto na experiência do cliente.
Rodolfo Eschenbach, presidente da Accenture para Brasil e América Latina.
CM Entrevista: "IA é simples de experimentar e difícil de escalar", diz presidente da Accenture
Rodolfo Eschenbach explica por que transformar testes em resultados concretos ainda é o principal desafio das empresas brasileiras.
SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]