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Somos todos Millennials ou somos todos Peter Pan?

Somos todos Millennials ou somos todos Peter Pan?

Jacques Meir, diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão, abriu o Conarec 2017 falando sobre alegrias e angústias dos Millennials. Entenda
Legenda da foto

O Conarec 2017 começou com um desafio: entender a forma como a geração Millennial provoca as empresas. Um dos primeiros pontos ressaltados na abertura feita por Jacques Meir, diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão, porém, é que existem muitas características que vão além do simples fator “idade”. Prova disso é que, logo no início do evento, todas as pessoas já estavam com celulares nas mãos, sendo que a maior parte do público do evento tem mais de 30 anos. Portanto, o desafio não está apenas nos mais jovens, mas no comportamento orientado por eles e seguido, muitas vezes, pelas outras gerações.

Mas, afinal, quem são os Millennials? Como ressalta o executivo, são pessoas que tiveram acesso a mais informação, educação, conexão com o mundo. Curiosamente, contudo, são os jovens mais desempregados da história. Um em cada quatro não tem emprego. Isso é um problema até mesmo porque, em 2025, eles serão a maior parte da força de trabalho – e certamente darão as cartas em pouquíssimo tempo.

Saiba mais sobre o Conarec!

A comparação entre as gerações é inevitável. Os Baby Boomers e os membros da geração X – basicamente aqueles que têm mais de 33 anos – foram criados com autoridade e aprenderam que a evolução é feita em etapas, tanto nas empresas quanto na vida. De maneira geral, tudo tinha uma sequência: estagiários eram contratados e poderiam crescer dentro das empresas conforme faziam cursos dentro da mesma área, passando por faculdade, pós-graduação, MBA, etc. “Nós buscávamos uma recompensa de acordo com nossa doação dentro das empresas”, comenta o diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão.

Os mais jovens, contudo, tem o que é chamado de “síndrome da recompensa imediata”. Para entender o que isso significa, basta pensar na lógica de um jogo de videogame: a cada vitória, há uma recompensa. Isso se reflete no comportamento dos Millennials, que querem tudo rápido. Se não houver dinamismo e velocidade, eles perdem o interesse.

Nunca diga não

Outro ponto levantado por Jacques Meir é a forma como mundo se abriu aos Millennials por meio do celular. “Eles foram criados com uma sensação de falsa liberdade: tudo pode, desde que seja dentro de casa”, diz. O encapsulamento fez com que eles tivessem acesso ao mundo pelo celular, mas pouca conexão com o mundo real. Por isso, têm dificuldade para lidar com o mundo adulto.

Dentro desse contexto, Millennials têm aversão às aceitar regras. Na verdade, para eles, o ideal é que não existam regras: não há dress code, nem hora de almoço, nem horário de entrada e saída. “O ideal é só que haja um puff para que eles possam sentar”, diz. Isso parece um grande mimo mas, para eles, que cresceram dentro do próprio quarto, faz sentido – é como se fosse uma representação do próprio mundo.

Ousados, eles querem experiências vibrantes e marcas com propósito. “Mas, como se faz uma dessa?” questiona Jacques Meir. “Eles não querem filas e, por isso, inventam negócios em que filas não existem. 64,9% ainda acreditam no salário como prioridade, mas um em cada dois querem ser empreendedores”, diz. Outro dado fundamental é que 45% acham importante mensagens instantâneas no trabalho – e não reuniões. “Ao mesmo tempo, pedem mudanças para atender aos anseios. De maneira geral, reagem mal à autoridade e bem à tecnologia. E se o ambiente for autoritário demais, não será confortável”.

Ambiente de trabalho

Diante de tantas considerações, Jacques Meir aponta que a autoestima não é um ponto forte nessa geração. Imersos em seus próprios mundos até quando estão no trabalho, eles colocam seus fones de ouvido e não querem ser atrapalhados – a menos que haja um bom motivo. “Pode ser que estejamos fazendo empresas de sucesso, mas convocando pessoas infelizes”, argumenta.

Por isso, pensar de acordo com um millennial mindset significa encontrar brechas de valor dentro da empresa, com as quais os jovens possam se conectar. “É preciso resgatar a autoridade por meio do exemplo”, diz. “Para isso, precisamos contar nossas histórias, de nossas empresas, mostrar liderança e criar identificação”. Nesse sentido, ele sugere que as empresas comecem com uma simples pergunta: “Por que?”.

A inquietude que sentimos hoje começou em 2013 com as Jornadas de Junho, quando os jovens foram para as ruas, marcando um momento histórico para o Brasil. E por mais que para as empresas seja assustador pensar nisso, é preciso saber que eles vão mudar empresas, modelos de negócio e até mesmo a política. Portanto, é bom manter os olhos abertos e atentos.

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