Apesar de um cenário desafiador, com juros elevados e crescimento da inadimplência, as micro e pequenas empresas brasileiras intensificaram a busca por crédito. De acordo com o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, houve um salto de 16,4% em maio deste ano na procura por recursos financeiros em relação ao mesmo mês de 2024.

A economista Camila Abdelmalack explica que a base de comparação favoreceu esse crescimento. “O mesmo mês de 2024 registrou uma queda atípica, provavelmente devido à emenda do feriado de Corpus Christi, o que resultou em uma base de comparação mais baixa e, portanto, ampliou o impacto da alta observada neste ano”, pontua.
A expansão da demanda foi observada em todas as Unidades Federativas, com destaque para o Rio de Janeiro, que registrou o maior avanço no Sudeste (33%). No panorama nacional, os maiores crescimentos ocorreram em Mato Grosso (25,7%), Espírito Santo (24,4%) e Goiás (20,3%).
Em maio, as Micro e Pequenas empresas foram as que mais buscaram por crédito, com um crescimento de 16,7%, seguidas pelas Médias, que registraram uma alta de 6,9%, e, por fim, as Grandes companhias, com um aumento de 2,9%.

Mesmo com o custo do crédito ainda elevado, o financiamento tem sido um recurso essencial para manter pequenos negócios em operação. “O aumento da demanda pode, inclusive, estar relacionado à tentativa de reequilibrar o fluxo de caixa diante de uma situação de inadimplência, que atinge 6,9 milhões de pequenos empreendimentos no País”, afirma Abdelmalack.
Inadimplência empresarial recorde
Paralelamente à maior procura por crédito, os números de inadimplência bateram recordes. Em abril, o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian apontou 7,5 milhões de empresas com contas em atraso, o maior patamar já registrado desde o início da série histórica. Esse volume representa 32,5% das empresas ativas no Brasil, um crescimento de 1,5 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2024. O total consolidado das dívidas chegou a R$ 177 bilhões, com uma média de 7,3 contas negativadas por empresa e ticket médio de R$ 3.227,80.

As micro e pequenas empresas concentram a maior parte dessa inadimplência: das 7,5 milhões de empresas negativadas, 7,1 milhões são de pequeno porte, responsáveis por 49,5 milhões de dívidas negativadas que somam R$ 152,4 bilhões. Apenas 32 mil são empresas médias e 23 mil são grandes. Camila Abdelmalack avalia que o avanço contínuo da inadimplência desde dezembro de 2024 evidencia os desafios enfrentados principalmente pelas empresas menores, que lidam com um crédito mais restrito e juros elevados “Esses fatores reduzem a capacidade de renegociação das dívidas e aumentam o risco de acúmulo de inadimplência”, explica a economista da Serasa Experian.
O setor de serviços é o mais impactado, representando 53,3% das empresas inadimplentes, seguido pelo comércio (34,5%) e pela indústria (8%). Já as origens das dívidas estão concentradas nos segmentos de serviços (31,6%) e bancos e cartões (20,8%).






