A energia elétrica é um insumo crucial para a indústria de alimentos. Está presente em quase todas as etapas da cadeia produtiva: do processamento à refrigeração, do transporte ao armazenamento. Por isso, seu custo impacta diretamente a competitividade do setor.
Para se ter uma ideia, a tarifa da conta de luz subiu 45% acima da inflação em 15 anos. Dados da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) mostram que as tarifas de eletricidade contabilizaram um aumento de 177%, passando de R$ 112/MWh em 2010 para R$ 310/MWh em 2024, enquanto o índice oficial de inflação no mesmo período atingiu 122% de crescimento.
Por outro lado, no mercado livre, o preço da energia foi 64% inferior à inflação no mesmo período. Neste cenário, a migração para essa modalidade e a gestão eficiente da contratação têm se consolidado como estratégicos.
Segundo a Abraceel, 94% do consumo industrial de eletricidade já acontece no mercado livre, reforçando o movimento das empresas em busca de previsibilidade orçamentária e de menores custos operacionais. E mais: a adesão à modalidade segue em ritmo acelerado, o que impacta o aumento da demanda de consumo por energia elétrica. O mercado livre já responde por 46% da demanda nacional de energia. De acordo com balanço mais recente da associação, que contabilizou dados de julho de 2025, os setores que apresentaram maior crescimento de consumo foram saneamento com 24%, seguido de serviços com 21%, nos últimos 12 meses.
Nota-se, assim, que o mercado está aproveitando as oportunidades da liberdade de escolha e negociação de energia elétrica. A adesão ao mercado livre permite ao consumidor definir prazos, volumes e até a fonte de geração mais vantajosa, como as renováveis. O resultado é a possibilidade de economia aliada à sustentabilidade.
Tão importante quanto a migração, é contar com um acompanhamento especializado. Elementos como sazonalidade, modulação, fator de carga, nível de tensão, carga contratada, projeções de demanda, entre outros, influenciam diretamente a estrutura dos contratos e, consequentemente, a redução dos custos. Ou seja, a tomada de decisão precisa ser pautada por conhecimento do mercado e visão estratégica.
É aí que entra o papel de uma consultoria especializada em gestão de energia. Com monitoramento constante do mercado, análises personalizadas e soluções pensadas para a realidade de cada operação, esse tipo de serviço ajuda a garantir mais previsibilidade, segurança regulatória e, claro, economia na prática. Vale lembrar que a indústria de alimentos já enfrenta diversos desafios: custos logísticos elevados, alta carga tributária, necessidade constante de inovação, entre outros. Por isso, reduzir a despesa com a conta de luz pode significar mais espaço no orçamento para investir em novas tecnologias e ampliar a capacidade produtiva, por exemplo.
Além de ser estratégico na contratação, é essencial fazer bom uso deste insumo. Neste quesito, a tecnologia tem relevância quando se busca eficiência energética. A modernização de equipamentos, como motores e sistemas de aquecimento e refrigeração mais eficientes, o uso de sensores inteligentes e de plataformas de monitoramento em tempo real permite às companhias identificar desperdícios, otimizar processos e reduzir o consumo, tudo isso sem comprometer a produtividade. Quando esse tipo de solução é adotada com apoio técnico qualificado, os resultados aparecem.
Em resumo, o mercado livre de energia se mostra, então, como uma ferramenta tática para que a indústria de alimentos otimize custos, ganhe competitividade e contribua para o desenvolvimento econômico sustentável do País. Em um setor tão competitivo e com margens apertadas, quem administra melhor seus insumos, e isso inclui a energia elétrica, sai na frente.
*João Carlos de Abreu Guimarães é vice-presidente Comercial do Grupo Delta Energia. Tem mais de 30 anos de experiência em geração, distribuição e comercialização no setor elétrico. Na companhia, lidera as áreas comercial e de gestão de energia. Possui ampla trajetória profissional e ocupou cargos de liderança em grandes empresas. É engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com MBA em Finanças pelo IBMEC-SP.





