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O que as marcas podem aprender com o Buy Nothing Project

O que as marcas podem aprender com o Buy Nothing Project

Movimentos como esse reforçam que investir em sustentabilidade é necessidade eminente
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Criado em julho de 2013 nos Estados Unidos, o Buy Nothing Project conecta pessoas para que o uso único e desenfreado de bens seja evitado. Na pandemia, a ação ganhou força e denota aspectos importantes do comportamento do consumidor, cada vez mais comprometido com o meio ambiente e com o consumo sustentável.

E os números mostram isso: após oito anos de seu surgimento, até julho de 2021, o projeto tinha 4,25 milhões de participantes em 44 países, com mais de 6500 comunidades lideradas por mais de 13000 voluntários. Com o slogan “Não compre nada. Doe produtos. Compartilhe livremente e de forma criativa.” (traduzido do inglês), a ideia de duas amigas acabou se tornando um modelo de economia hiperlocal experimental que ultrapassou barreiras.

A história do Buy Nothing Project

Rebecca Rockefeller e Liesl Clark sempre se questionaram sobre como aplicar os três Rs (redução, reutilização e reciclagem), essenciais para um mundo mais verde. Para facilitar a tarefa, elas optaram, inicialmente, por focar em reduzir o descarte através da divisão ou reuso de um mesmo produto dentro de comunidades. Ou seja, aumentar a vida útil desses materiais e, consequentemente, impactar na quantidade de bens fabricados e diminuir a superprodução de lixo.

Isso foi feito de forma simples: formação de grupo nas redes sociais off-line ou digitais. É só um indivíduo indicar que precisa ou está disponível para emprestar certo produto, que logo alguém respondia. Essa lógica acaba sendo escalável, pois compartilhar as necessidades cria uma confiança entre os membros e faz com que o número de integrantes se expanda rapidamente.

E quem deseja iniciar ou participar de um desses grupos deve se atentar aos princípios do Buy Nothing Project. Afinal, as criadoras não abrem mão dessas premissas, que justificam sua crescente expansão:

● Os grupos hiperlocais fortalecem o tecido social de suas comunidades e garantem a saúde e a vitalidade de cada membro;
● Viemos de um lugar de abundância, e não de escassez;
● Acreditamos na expressão da gratidão;
● Somos uma economia de dádiva, não uma instituição de caridade. Não vemos diferença entre desejo, necessidade, desperdício e tesouro;
● Pessoas e suas histórias acima das coisas;
● Somos inclusivos em nossa essência;
● Valorizamos a honestidade e a integridade nas interações;
● Vemos todos os presentes como iguais; o importante é a conexão humana.

O ciclo virtuoso complementa a economia monetária local e interliga quem deseja se livrar de algo com quem quer um produto de graça. Essa é uma espécie de reciclagem gratuita e colaborativa, na qual todos podem ganhar. Mas, para tanto, é primordial seguir algumas regras:

● Publique qualquer coisa que você gostaria de dar, emprestar ou compartilhar entre os vizinhos;
● Peça qualquer coisa que você gostaria de receber gratuitamente ou emprestar;
● Seja gentil;
● Discursos de ódio não são tolerados;
● O projeto é uma economia de presentes – sem compra, venda, perda ou permuta.

Os que desejam aderir recebem treinamento gratuito e recursos que possibilitam a criação de seus próprios grupos. Entre eles, o livro The Buy Nothing, Get Everything Plan, lançado em abril de 2020, sobre as cofundadoras.

Resistência à pandemia

Com a pandemia de Covid-19, conforme relata uma participante do Buy Nothing Project em Los Angeles (EUA) à revista Fortune, houve uma grande preocupação sobre a circulação do vírus no grupo do Facebook no qual ela participava. Na época, encerrar as atividades era um pensamento eminente a fim de evitar os encontros presenciais para troca.

Contudo, os integrantes notaram que era mais seguro sanitariamente manter suas atividades do que frequentar os estabelecimentos do comércio. Os meses foram se passando e o desemprego e os problemas financeiros se tornaram realidade. A partir daí, o projeto teve sua relevância reforçada, já que o compartilhamento de produtos, como comida, roupas e brinquedos infantis, poderia salvar certas famílias.

Mais de um ano depois, o grupo, que tinha 40 pessoas, agora contabiliza 1800 membros e teve de ser dividido em dois para que os administradores dessem conta do volume de postagens. Além disso, entre março de 2020 e janeiro de 2021, houve o aumento de 1,5 milhão de participantes do Buy Nothing Project no mundo, o que demonstra que o ocorrido em terras norte-americanas não foi exceção.

Aprendizado e aplicação à geração Z

Para muitas marcas, o Buy Nothing Project pode parecer um movimento negativo para o mercado por não estimular a compra de produtos novos. Entretanto, é possível observar o cenário de outra forma. Quem participa do projeto, ao se identificar com os princípios dos grupos, tende a optar por alternativas que não agridem o meio ambiente, tanto que a troca e o compartilhamento de itens são atrativos.

Esse comportamento, típico da geração Z, pode se aliar a novas situações. Uma delas é que nem tudo o que o indivíduo necessita será encontrado somente dentro das comunidades, seja por suas especificidades ou estado de uso. Em consonância com tudo isso está a aceleração da vacinação de Covid-19 em diversos países, o que dá novos ares ao comércio e rompe o estigma de que a ida aos estabelecimentos não seja segura.

Investir em medidas sustentáveis que expressam que a empresa se compromete publicamente a assumir seu papel social é uma tendência. Dessa forma, colocar os valores de ESG em prática está mais do que na hora. Ser carbono neutro ou cruelty free e utilizar embalagens biodegradáveis ou retornáveis são apenas algumas iniciativas observadas até então e que esclarecem uma importante mensagem: não dá mais para ignorar o impacto que cada um causa ao mundo. E diminuí-lo é o primeiro passo para que as gerações futuras tenham qualidade de vida.


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