O Magalu acaba de anunciar o Magalu Delivery, novo serviço integrado ao aplicativo do Magazine Luiza que passa a oferecer pedidos de refeições, mercado, farmácia e conveniência, com entregas em até 60 minutos. A solução usa a tecnologia desenvolvida pelo aiqfome, plataforma de delivery comprada pelo grupo varejista em 2020, e já está disponível em mais de 400 cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
A empresa quer alcançar 1.170 cidades por meio do novo serviço que reúne nove marcas regionais de delivery, incluindo Plus Delivery, Quero Delivery, Uai Rango, pede.ai, Aiboo, Qfome, Pedidos10 e Amo Ofertas.
À primeira vista, parece só mais um anúncio corporativo. Mas olhando com atenção para o momento do setor, a iniciativa ganha outra proporção. O mercado de delivery online no Brasil movimentou cerca de US$ 21,18 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 27,81 bilhões até 2029, crescendo a uma taxa média de 7% ao ano, segundo estudo da Statista.
A projeção é que 90,4 milhões de brasileiros usem apps de delivery de comida até 2029, o que reforça que o setor está em uma fase de crescimento estrutural.
Superapp como hábito de consumo
Olhando mais a fundo, a companhia parece estar buscando transformar tráfego no seu superapp em uma nova rotina de compra. A empresa já tem uma base gigantesca de clientes acostumados a comprar eletrônicos, moda e produtos de casa dentro do aplicativo. O delivery entra como um novo gatilho dessa frequência. Ou seja, quanto mais motivos o consumidor tiver para abrir o superaap da Magalu todos os dias, maior a chance de ele também comprar outras categorias por ali.
Essa lógica não é nova. É basicamente a mesma por trás da expansão da própria concorrência. O iFood, por exemplo, expandiu para farmácias, supermercados e serviços financeiros nos últimos anos. A diferença é que o Magalu está fazendo o caminho inverso: começou como varejista e está entrando no delivery, enquanto o iFood começou no delivery e está virando um ecossistema de varejo digital.
Outro ponto que chama atenção na estratégia do Magalu Delivery, é a escolha geográfica. Em vez de brigar de frente pelas grandes capitais, ele mira as médias cidades, com população entre 80 mil e 120 mil habitantes. É justamente o território onde o aiqfome construiu sua história desde 2007, quando cidades menores ainda dependia do telefone para fazer pedidos.
O que o Magalu Delivery representa, no fim das contas, é menos uma ameaça imediata para quem lidera o setor e mais um sintoma da nova estratégia de negócios, que amadurece, amplia serviços, se fragmenta e compete cada vez mais pela atenção do consumidor e, claro, por nichos e regiões específicas.
Para o consumidor, fica a expectativa de mais opções e, com sorte, preços melhores e mais agilidade.





