/
/
Longevidade no mercado de trabalho: uma reflexão necessária

Longevidade no mercado de trabalho: uma reflexão necessária

O Brasil está envelhecendo, todo mundo sabe. No entanto, ainda existem empresas que não aceitam currículos de pessoas com mais de 45 anos. Como fechar essa conta?
Legenda da foto

A pirâmide etária da população brasileira está envelhecendo – e isso já faz alguns anos. Mesmo assim, falar de longevidade no mercado de trabalho ainda parece um tabu. E isso porque, idealmente, todos nós precisamos pensar no futuro. “Daqui a 30 anos, muitos de nós seremos considerados terceira idade”, refletiu João Castanheira Filho, consultor associado da MHYanaze & Associados, junto aos participantes do Whow! Festival de Inovação. “Mas o mercado só quer jovens”.

Essa é uma reflexão que talvez precise começar pelo simples conceito do que é, efetivamente, ser idoso. Flavia Morizono, sócia e diretora de planejamento da Joia Eventos Estratégicos, lembra que aquele idoso representado no símbolo das vagas de estacionamento, curvado e com bengala, não existe mais. O próprio mediador, João Castanheira, está com 66 anos e iniciando um segundo doutorado porque não gostou do primeiro que tinha escolhido. “Independente de qualquer coisa, eu quero ser feliz”, diz. E isso não depende de idade. “É preciso repensar o mercado de trabalho, que é tão cruel com os brasileiros”.

“O preconceito começa em nós mesmos”, analisa Regina Bittar, locutora e apresentadora. “Quando me chamaram para vir nesse painel, eu pensei ‘poxa, mas não podia ser outro tema? Tecnologia, inovação…’. Começa comigo”. Em sua visão, os jovens, hoje, discutem muitos preconceitos – com relação a gênero, à estética, mas não com relação à idade. Porque isso não importa para a geração mais nova. “A minha geração é muito ligada a paradigmas de estética, gordo, magro. Até hoje, nenhum jovem me desrespeitou com relação a idade. Os jovens não tem preconceito com idade. O que existe ainda, é nosso, da nossa geração. Nós de 30, 40, 50, essa geração tem um conceito mais antigo”, diz.

Conceito

Os participantes lembram como isso também pesa mais contra as mulheres. “Por exemplo, aos 66, eu consigo ter namoradas mais novas e tudo bem. Para as mulheres, a sociedade vê como um problema o namorado mais novo”, lembra o professor. “Fora que todo homem mais velho é um George Clooney, as mulheres são consideradas descuidadas”, concorda Morizono.

Para Bittar, graças à evolução tecnológica junto da liberdade de produzir conteúdo, as gerações Y e Z não têm esse tipo de conceito fechado. O que é ótimo. Uma pesquisa conduzida pela Joia sobre comportamento de consumo das pessoas com mais de 60 anos buscou exatamente quebrar alguns paradigmas. “A primeira coisa que descobrimos é que ninguém gosta de ser chamado de idoso. É um rotulo, que todo mundo usa, mas no dicionário quer dizer descartável, obsoleto, velho. Ninguém quer isso”, garante.

Diálogo

A diretora de planejamento reforça que o senhorzinho de bengala das placas não está mais aqui. E por isso é tão necessário que o mercado de trabalho integre – e não separe – as gerações. É um desafio, porém, é um movimento urgente. “Para que isso dê certo, é preciso que justamente a gente não se porte o tempo todo como seniores e donos da verdade. Na verdade, nada sabemos”, destaca Bittar. “Quanto mais eu vou chegando numa certa idade, mais eu vejo que não sei nada, preciso começar tudo de novo. E é isso que todo mundo precisa fazer para que as gerações convivam bem”.

Afinal, só é possível encher um copo que já está cheio d’água se ele for esvaziado antes. Um indivíduo em um momento de maturidade, que se considera sênior, precisa esvaziar o copo dele, pois tudo pode ser novo. “A mesma oportunidade que o jovem tem de aprender, o sênior também tem, contanto que se proponha a se atualizar, a aprender”.

Castanheira conta que se propõe a estudar o tempo todo. Em sua carreira, a cada quatro anos estava em uma função diferente na mesma empresa. “Isso é possível para qualquer pessoa que queria se reinventar”, lembra. “Certamente o celular vai ser muito diferente daqui três anos, e todos nós também. Só que se eu não tiver uma mentalidade de fazer as coisas diferentes, talvez não esteja aqui com vocês porque estarei completamente obsoleto. Assim como temos jovens completamente obsoletos”.

Mudança de postura

A grande questão que ronda a longevidade é a postura de todos os atores do cenário do mercado de trabalho. Como lembra Flávia, existem empresas em que a área de recursos humanos simplesmente separa os currículos de pessoas com mais de 45 anos, nem param para ler. Não dá para isso acontecer em um país de pirâmide etária adulta. “É preciso repensar a contratação. Não é injusto demitir uma pessoa mais velha para contratar três em seu lugar?”, provoca. Ao questionar aos presentes quantos ali tinham contratado pessoas com mais de 45 anos neste ano, seis pessoas levantaram a mão. Em uma plateia com mais de 100 pessoas, é um número bastante significativo.

O caminho da resolução é o respeito. A longevidade faz parte da diversidade. Pode ser desafiador integrar uma equipe de diferentes gerações, mas é fato que um time assim traz mais resultado. A experiência convive com a sede do novo, são visões que se complementam contanto que haja diálogo de todos os lados. Para finalizar, Bittar fez uma brincadeira: revelou a sua idade e destacou como isso é difícil para ela. “O preconceito está em nós mesmos e é isso que precisamos mudar”, diz. É uma mudança que começa de fora para dentro – e envolve empatia, respeito e muita vontade de aprender (de todas as gerações).

 

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Para Charles Duhigg, autor de O Poder do Hábito e Supercomunicadores, entender como o cérebro forma comportamentos automáticos é a chave para navegar em um ambiente de atenção fragmentada.
A anatomia do hábito na era dos superestímulos
Para Charles Duhigg, autor de O Poder do Hábito e Supercomunicadores, entender como o cérebro forma comportamentos automáticos é a chave para navegar em um ambiente de atenção fragmentada.
CASACOR aponta como bem-estar, natureza, afeto e experiências sensoriais estão redefinindo a relação dos brasileiros com o lar.
CASACOR 2026: A transformação da casa como palco de experiências
Em uma edição marcada pelo tema "Mente e Coração", a mostra aponta como bem-estar, natureza, afeto e experiências sensoriais estão redefinindo a relação dos brasileiros com o lar.
Brasil lidera pressão por retenção de talentos ligados à IA e registra o maior impacto da saúde mental nos custos corporativos.
Pressão por IA e saúde mental redefinem as estratégias das empresas
Brasil lidera pressão por retenção de talentos ligados à IA e registra o maior impacto da saúde mental nos custos corporativos.
Lucimara Fiorin, a nova vice-presidente do Grupo Padrão.
De advogada à VP do Grupo Padrão: a trajetória de Lucimara Fiorin
Nova Vice-Presidente Executiva do Grupo, fala sobre transformação do CX, liderança construída de dentro para fora e futuro

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.