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Lar, doce lar: Home office é sinônimo de empresa digital?

Lar, doce lar: Home office é sinônimo de empresa digital?

Painel do Conarec 2020 debateu as funcionalidade do home office e a relação do modelo remoto com a digitalização das empresas

Diante das medidas de contenção ao contágio por Covid-19, milhares de empresas tiveram de fechar suas portas para migrar suas operações para modelos de Home Office e SmartWork — sem que houvesse tempo hábil para um planejamento aprimorado. Muitas também aproveitaram a urgência para promover a evolução de seus canais de e-commerce, em diversos formatos, das lojas próprias à aderência a grandes marketplaces.

Toda essa movimentação, no entanto, não garante que a empresa seja, de fato, digital, mesmo porque a digitalização não passa nem perto do home office e fica longe do escritório; ela se conecta com a incorporação dos dados como matéria-prima, a digitalização de processos e a adoção de modelos de negócios voltados para plataforma. Até que ponto as empresas têm consciência dessa visão? Quais as barreiras que enfrentam para atingir esse estágio? Vale a pena ser digital?

Essas e outras perguntas foram respondidas no painel “Lar, doce lar: Home office é sinônimo de empresa digital?”, que contou com a participação de Paulo Samia, CEO da Uol; Gabriel Drummond, CEO da Tel; e Fabio Avellar, VP Experiência do cliente da Vivo. O debate foi mediado por André Coutinho, Sócio-líder de Advisory da KPMG no Brasil e na América do Sul. Confira como foi:

Digitalização além do trabalho remoto

Sem muitos rodeios, O VP de experiência da Vivo crava: Empresas em home office não necessariamente são digitalizadas, embora “digitalizar para aproximar” nunca tenha sido tão essencial como nos momentos atuais. Segundo Fabio Avellar, as pessoas enxergam a digitalização como um conceito muito etéreo, mas existe todo um processo por trás.

“O processo de digitalização da Vivo funcionou muito devido ao investimento feito em todas as áreas. A empresa investiu 9 bilhões nos últimos anos para garantir essa estrutura. Digitalização não é possível sem um investimento robusto em infraestrutura e segurança.”

Sobre a adaptação ao modelo home office, Avellar conta que a Vivo conseguiu colocar 20 mil pessoas em home office dentro de cerca de 20 dias.

“Nos saímos muito bem, mas temos visto que talvez esse processo não seja definitivo. Faz, sim, muita diferença ter a presença dos colaboradores no escritório, para a cultura de organização, principalmente nas áreas que demandam criatividade.

Já Paulo Samia, CEO da Uol, diz que a empresa já nasceu digital, então o maior desafio foi a adaptação da cultura, não o modelo de produção. “Sempre fomos digitais, mas a cultura precisava mudar. Sem uma cultura digital, dificilmente você muda de um modelo tradicional para um modelo mais digital. Estamos há algum tempo mudando nessa transformação, mas seguimos nos adaptando, é claro, não só internamente, mas também adaptando os nossos clientes. Muitas pessoas físicas dependem das nossa plataforma de lojas virtuais e de e-commerce, por exemplo, então também ajudamos com tecnologia de uma forma consultiva.”

Gabriel Drummond, CEO da Tel, também afirma que a adaptação social foi mais dificultosa que a questão tecnológica. “Viramos 50% de 15 mil funcionários para o modelo remoto de trabalho em poucas semanas. A tecnologia já estava pronta, não foi o problema, a empresa digital mantém as pessoas próximas mesmo com distância, através de gestão e estrutura. A questão social era a mais difícil, mas é saindo da zona de conforto que acontece a disrupção”, explica o CEO da Tel.

Drummond ainda afirma que é preciso desconstruir a ideia de que empresa digital é sinônimo de foco no cliente. “Focar no cliente é manter diálogo continuo e entender a melhor forma de atendê-lo, conhecendo suas particularidades, não simplesmente impondo um atendimento totalmente digital”, complementa.

O home office veio ou não para ficar?

Para o VP de experiência da Vivo, não será possível se desfazer totalmente do modelo presencial. “A retomada terá que acontecer, guardados os protocolos. Temos que lembrar que temos áreas impossíveis de funcionar remotamente e que não pararam desde março. Como manter em casa nossos técnicos de campo, por exemplo? Não temos como abrir mão do quanto ganhamos nessa cultura de interação tête-à-tête e olho no olho, seja com parceiros ou colaboradores”, explica.

Para Fábio Avellar, é evidente que o home office beneficia a sociedade por diversos fatores, e a Vivo já vinha pensando com mais cuidado neste modelo corporativo, mas sem esquecer a importância do modelo convencional.

“Mesmo antes da pandemia, já vínhamos em trabalho remoto, em diversos setores, duas vezes por semana. Estamos muito orgulhosos do trabalho feito ate aqui, vivemos anos em poucos meses. Não há como prever o futuro, mas podemos observar que o digital vai ter muita importância, sem que a interação presencial perca seu papel.”

Já o CEO da UOL afirma que, de início, a empresa não sentiu um impacto tão grande, já que era totalmente digital. No entanto, com novas pessoas entrando na empresa, o home office passa a mostrar alguns problemas quanto à sintonia entre os colaboradores, portanto é essencial que haja além do trabalho remoto, um espaço físico.

“É importante garantir um espaço físico, mesmo nesse novo mundo, para momentos de relacionamento pessoal, para promover encontros. O espaço de trabalho vai virar muito mais local de encontros do que execução de funções. Algumas questões como criatividade e inovação dependem do ajuste fino, do olhar no olho, e nessas situações temos de incentivar o presencial.”

Gabriel partilha da opinião do CEO da Uol; afinal, como fazer a imersão dos novos colaboradores? “Hoje, a construção do business é sobre ideias, resolver problemas através de interações com usuários, antecipar demandas, tudo isso fazendo gestão de dados. Quando temos algo mais natural, somos mais suscetíveis ao surgimento de novas ideias. Porém, não podemos ignorar as facilidades que o home office nos traz, como a possibilidade de passar mais tempo com a família e otimizar o tempo do deslocamento. Em suma, é uma facilidade que tem de ser customizada de acordo com cada situação”, completa o CEO da Tel.

 

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