Localizado a seis quilômetros de São Lourenço do Oeste (SC), o novo centro de distribuição da Kellanova, batizado de Lisa, marca um novo capítulo na trajetória de crescimento e modernização da companhia. A inauguração fortalece a capacidade fabril e logística da operação.
O projeto foi pensado de forma minuciosa e com investimento 100% local, tanto em capital humano quanto financeiro. “Lisa foi detalhadamente concebida para ajudar a nossa operação a crescer exponencialmente. Foi construída com dedicação e com o envolvimento direto da comunidade local”, ressalta Daniel Augusto, diretor de Customer Service e Logística da Kellanova.
O novo centro de distribuição ocupa uma área total de 110 mil m², com 7 mil m² de área construída. A estrutura conta com 12 docas para carga e descarga, pátio com capacidade para 40 carretas, 12 mil posições de drive-in e 3 mil posições porta-pallets, com potencial para expansão para até 20 mil posições. Para a construção do CD, foi destinado um investimento de R$ 25 milhões.
O novo centro de distribuição sinaliza o momento da Kellanova. Com investimentos em tecnologia autônoma, eficiência, gestão logística e conexão com as novas gerações, a marca centenária busca reforçar sua relevância como um motor de crescimento.

Expansão e desenvolvimento
No início de 2025, a Kellanova anunciou R$ 360 milhões em novos investimentos voltados à expansão da capacidade produtiva no município de São Lourenço do Oeste até 2026. O valor faz parte dos R$ 600 milhões em aportes anunciados desde 2023, destinados à modernização de processos, tecnologia e infraestrutura em suas linhas de produção. Além das linhas produtivas – como as marcas Pringle, Sucrilhos, Choco Krispis, Cheez-It, Minueto, Trink e Parati –, as aplicações atingem também o centro de distribuição da companhia, que também está localizado na cidade.
“Buscamos constantemente o desenvolvimento não apenas de consumidores e negócios, mas também de parcerias, de nossos colaboradores e das comunidades onde atuamos. O desenvolvimento e a evolução que vivenciamos nos últimos seis anos falam não apenas da ambição que temos como negócio, mas também da nossa forte crença em um Brasil com grande demanda, com as melhores pessoas e com o talento certo para desenvolver o negócio”, comenta Alberto Raich, vice-presidente e gerente-geral da Kellanova.
Mudança de patamar
Assim, a gestão logística também foi aprimorada com informações em tempo real. Permite previsões de entrega precisas e maior eficiência nas rotas, resultando em entregas mais rápidas e aumento na produtividade dos veículos. Com maior agilidade operacional, somada aos investimentos em infraestrutura, a companhia tem também como objetivo fortalecer a marca no mercado. Desde a aquisição da Parati, em 2016, e o início da produção local de Pringles em 2019, a companhia vem crescendo de forma consistente.
Os investimentos anunciados pela Kellanova em São Lourenço do Oeste, para fortalecer o segmento logístico e a conexão com a cadeia de suprimentos em nível nacional, foram celebrados durante uma cerimônia, com convidados especiais, incluindo representantes do governo estadual, municipal e federações parceiras.
Além da estrutura física, o centro de distribuição nasce integrado a uma torre de controle que permite monitorar em tempo real 100% das entregas, otimizando o uso da frota e permitindo comunicação proativa com os clientes.
“Essa torre de controle nos permite antecipar possíveis problemas do dia a dia, maximizar o uso dos caminhões e avisar os clientes sobre as entregas. É uma mudança de patamar na nossa operação logística”, afirma Daniel.
Outro destaque da Lisa é a primeira doca de carregamento expresso do Brasil. A inovação permite retirar 100% dos pallets de uma carreta simultaneamente, agilizando o processo de descarga.
“É a primeira do Brasil, e posso adiantar que, na próxima semana, teremos nossa primeira reunião global para discutir a exportação dessa tecnologia para outras unidades ao redor do mundo”, adianta Daniel.
Carregamento autônomo
A tecnologia autônoma já está deixando sua marca no setor logístico brasileiro. Na Kellanova, não é diferente. Ela utiliza uma carreta autônoma capaz de movimentar paletes de até 30 toneladas com segurança, eficiência e sem necessidade de intervenção manual. O processo é rápido e contínuo. O caminhão nem precisa desligar: em apenas cinco minutos, ele está liberado para seguir viagem, enquanto a carreta inflável retira 100% dos paletes do veículo.

A máquina funciona de forma autônoma, acionada por um comando inicial, e utiliza roldanas para levantar simultaneamente todos os paletes. Um elevador interno transporta a carga para frente, preparando-a para a próxima etapa do processo.
Em um ciclo completo, desde o início da operação até a liberação do caminhão, o processo dura entre 30 e 45 minutos. A carreta, então, retorna à planta para um novo carregamento. Assim, elimina a necessidade de múltiplos caminhões para o mesmo fluxo logístico.
O sistema também conta com ajustes automáticos de altura, garantindo flexibilidade de até 10% para diferentes tipos de paletes, e um sistema hidráulico que mantém a carga segura até que o caminhão esteja pronto para partir. Cada palete pode suportar até 1.300 kg, embora normalmente o processo opere com cerca de oito a nove toneladas, mantendo uma margem confortável de segurança.
Mesmo em plantas sem ar comprimido distribuído, a carreta consegue inflar usando compressores de oxigênio, completando o processo em pouco mais de um minuto. Em locais com infraestrutura de ar comprimido, esse tempo cai para 20 segundos.
A inovação é pioneira no País. Trata-se da primeira instalação desse tipo no Brasil, permitindo que o fluxo de cargas seja contínuo, rápido e seguro. A tecnologia representa um avanço significativo em eficiência logística, redução de custos operacionais e otimização do transporte industrial.
Além da operação eficiente, a implementação reforça o papel da tecnologia na automação de processos críticos da cadeia produtiva, demonstrando que a combinação entre inteligência mecânica e controle automatizado pode transformar a rotina logística das indústrias.
Operação local e global
A presença da fábrica em São Lourenço do Oeste, cidade de cerca de 24 mil habitantes, vai muito além da produção: ela impacta diretamente a geração de empregos e o desenvolvimento local. Alberto Raich detalha como a companhia se tornou um motor de crescimento para a cidade e a região.
“É uma história de sucesso tanto para a empresa quanto para a cidade. A fábrica da Parati está aqui há mais de 40 anos, e, de uma forma ou de outra, a cidade cresceu junto conosco. Mesmo antes da aquisição, em 2016, mantivemos o compromisso de desenvolver o centro de produção em São Lourenço do Oeste”, afirma Alberto.
Hoje, a planta conta com cerca de dois mil funcionários, muitos deles integrados às novas linhas de produção de cereais e Pringles. “Quando adquirimos a empresa, todas as novas fábricas e linhas fabris foram completamente renovadas. Isso trouxe uma força de trabalho nova, que cresceu junto com a cidade. Continuamos com toda a produção de biscoitos e outros produtos, preservando empregos e criando oportunidades”, explica.
A integração com a comunidade vai além do emprego direto. A empresa mantém diálogo constante com escolas e programas de educação para compreender como os jovens estão sendo preparados para o mercado de trabalho.
A companhia também aposta em tecnologia e automação, o que exige funcionários cada vez mais qualificados. Hoje, eles não trabalham apenas na linha de produção de biscoitos, mas estão envolvidos em processos mais complexos e especializados. “O mais importante é que estamos desenvolvendo pessoas”, ressalta.
O impacto do desenvolvimento humano é global. Alberto Raich destaca que profissionais que começaram suas carreiras em São Lourenço do Oeste hoje trabalham em plantas da empresa no México, Polônia e Bélgica.
“Somos locais, mas também globais. Alguns engenheiros brasileiros que construíram a planta em São Lourenço do Oeste recentemente lideraram a instalação de uma linha de produção no México. Isso mostra como nosso talento é reconhecido e mobilizado internacionalmente”, afirma.
Conexão com novas gerações
Manter a relevância de uma marca centenária diante de uma geração completamente diferente da anterior é um desafio constante. Alberto Raich explica como a companhia trabalha para preservar memórias afetivas e, ao mesmo tempo, se conectar com públicos jovens e digitais.
“É o principal desafio da nossa equipe de marketing, e eles têm sido bastante bem-sucedidos nisso. Quando falo da minha geração, cresci com a marca: aos sábados ou domingos, cedo, havia comerciais na televisão, e era assim que nos conectávamos. Mas hoje a maioria das crianças nem assiste mais TV”, lembra.
Para se adaptar às novas formas de consumo, a empresa diversificou os canais de comunicação e investiu em personagens icônicos, como o Tigre Tony.
“Desenvolvemos o novo Tigre Tony, que é como uma terceira geração do personagem. Ele é perfeito para engajar essas novas gerações, que não estão mais acostumadas ao formato tradicional da televisão ou filmes clássicos”, explica.
Outra estratégia tem sido a aproximação com o universo do gaming, extremamente relevante para a Geração Z. Um exemplo é a atuação em games. No ano passado, foram lançadas latas com os personagens mais populares de Free Fire; agora, com League of Legends. “Também aproveitamos temas como Stranger Things, oferecendo produtos colecionáveis que misturam nostalgia com algo exclusivo para esses consumidores”, detalha.
O executivo enfatiza que o segredo está na constante conexão com o consumidor e na experimentação. “O time está sempre em contato com os canais e com o público. Este ano, por exemplo, foi bastante inovador e agressivo. Estamos sempre buscando algo novo sem perder a essência centenária da marca”, afirma.
Alberto Raich também destaca a cultura de coragem da empresa. “Um dos nossos valores é a coragem para experimentar. Às vezes, a ideia funciona melhor do que o esperado; às vezes, não tanto. Mas estamos sempre nos desafiando a trazer algo novo. Se daqui a seis meses alguém disser que não fizemos nada inovador, então falhamos. Nossa coragem exige constantemente entregar algo relevante.”





