A Ferrero, gigante italiana do setor de alimentos conhecida por marcas como Nutella, Kinder Bueno e Ferrero Rocher, anunciou a aquisição da fabricante americana de cereais WK Kellogg por US$ 3,1 bilhões. O acordo, que inclui o pagamento de US$ 23 por ação, foi divulgado nesta quinta-feira (10) e provocou uma disparada nos papéis da Kellogg, que subiram 31% nas negociações regulares. No pré-mercado, chegaram a saltar quase 60%, segundo informações da agência Bloomberg.
A operação une a tradicional produtora de confeitos da Itália à empresa por trás de marcas icônicas de cereais matinais como Froot Loops e Frosted Flakes, vendido no Brasil como Sucrilhos Kellogg’s, e fortalece a ambição da Ferrero de ampliar sua presença na América do Norte. A WK Kellogg havia se separado recentemente da Kellanova, divisão que reúne os snacks da antiga Kellogg Co., incluindo Pringles e Cheez-It.
A aquisição foi confirmada na tarde desta quinta-feira (10) em comunicado conjunto pelas companhias. “Estou entusiasmado em dar as boas-vindas à WK Kellogg Co ao Grupo Ferrero. Isso é mais do que apenas uma aquisição – representa a união de duas empresas, cada uma com um legado orgulhoso e gerações de consumidores fiéis”, disse Giovanni Ferrero, presidente executivo do Grupo Ferrero. “Nos últimos anos, a Ferrero expandiu sua presença na América do Norte, reunindo nossas marcas mundialmente conhecidas com joias locais enraizadas nos EUA. A notícia de hoje é um marco importante nessa trajetória, e nos dá confiança nas oportunidades que estão por vir.”
Giovanni Ferrero é herdeiro de uma das maiores fortunas da Europa. Ao longo da última década, ele liderou uma estratégia agressiva de aquisições, mirando marcas consolidadas, mas subaproveitadas, para expandir o portfólio do grupo. Entre os movimentos anteriores estão a compra da Fannie May, nos EUA, e da divisão de confeitaria da Nestlé no país, incluindo marcas como Butterfinger. Mais recentemente, a empresa também entrou no mercado de snacks saudáveis, adquirindo a britânica Eat Natural e a fabricante de barras proteicas FULFIL Nutrition.
“Acreditamos que essa transação proposta maximiza o valor para nossos acionistas e permite que a WK Kellogg Co escreva o próximo capítulo da história da nossa empresa,” disse Gary Pilnick, presidente do conselho e CEO da WK Kellogg Co. “Fazer parte da Ferrero dará à WK Kellogg Co mais recursos e flexibilidade para expandir nossas marcas icônicas neste mercado competitivo e dinâmico. Como uma empresa familiar de capital fechado, com valores alinhados aos do nosso fundador, W.K. Kellogg, a Ferrero oferece um excelente lar para nossa equipe e tem um histórico de apoio às comunidades onde atua. Estamos ansiosos para colaborar com sua equipe para cumprir a grande promessa dos cereais, explorar oportunidades além deles e entregar o nosso melhor aos consumidores todos os dias.”
Kellogg: impulso para crescer
A aquisição ocorre em um momento delicado para a WK Kellogg. Desde a cisão com a Kellanova, a companhia enfrenta dificuldades para crescer. Em maio, a empresa reduziu suas previsões de vendas, citando um “ambiente operacional desafiador”, segundo o CEO Gary Pilnick. A mudança de comportamento do consumidor, que tem evitado produtos açucarados e buscado marcas próprias mais baratas, pressionou ainda mais os resultados. Até a véspera da divulgação do negócio, as ações da WK Kellogg acumulavam queda de 2,7% no ano.
A tendência de consolidação entre grandes fabricantes de bens de consumo não é nova, mas tem se intensificado diante da inflação global e do aumento nos custos de commodities. A venda da Kellanova para a Mars, por exemplo, outra empresa familiar e dona de marcas como M&M’s, Snickers e Skittles, movimentou cerca de US$ 36 bilhões, considerando as dívidas.
Para a Ferrero, o movimento atual representa não apenas expansão geográfica, mas também diversificação estratégica, especialmente diante da alta nos preços do cacau. A empresa foi fundada por Pietro e Piera Ferrero em uma confeitaria na Itália, durante o pós-guerra, quando usavam avelãs como alternativa ao cacau escasso. Foi sob a liderança de Michele Ferrero, pai de Giovanni, que o grupo se transformou em uma potência global.





