A inadimplência das empresas cresceu 13,96% em abril, em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), divulgada hoje (23).
O aumento ocorreu nas quatro regiões pesquisadas. O Nordeste foi a que apresentou a maior variação no número de empresas com o CNPJ registrado nas listas de negativados: um avanço anual de 15,58%. A região concentra um quinto do total de empresas negativadas.
No Centro Oeste, a inadimplência de empresas registrou alta de 14,61%. As regiões Norte e Sul apresentaram variações menores do número de devedores, com alta de 13,55% e 11,89%, respectivamente.
Os dados do Sudeste não foram considerados na pesquisa da inadimplência das empresas devido à Lei Estadual nº 15.659, que vigora no estado de São Paulo e dificulta a negativação de pessoas físicas e jurídicas no estado.
O aumento verificado em abril segue a mesma trajetória dos últimos meses. Apesar das mudanças no direcionamento econômico, os problemas não deixaram de existir e a crise segue influenciando na alta da inadimplência das empresas.
“Há mais de um ano o país enfrenta uma crise econômica que afetou o desempenho das empresas e comprometeu sua capacidade de quitar dívidas, mesmo num ambiente de crédito mais restrito”, afirmou, em nota, o presidente da CNDL, Honório Pinheiro. O avanço do número de empresas listadas nos cadastros de devedores de pessoas jurídicas acelera desde janeiro de 2015, mas em março deste ano, começou a mostrar moderação, embora a taxa de crescimento, tanto das dívidas como do número de empresas, ainda seja elevada.
Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o crescimento dessas taxas em apenas um ano demonstra o quanto o aprofundamento da recessão afetou as empresas. “Ao longo do ano passado, a economia brasileira deteriorou-se rapidamente e impactou a renda das famílias e o faturamento das empresas. A alta da inadimplência observada entre as empresas, e também pessoas físicas, é um duro reflexo desse cenário que limita o crédito e engessa o crescimento das pessoas jurídicas”, explica a economista.
Considerando os setores, o de serviços segue liderando a lista das companhias com mais dívidas. Nas quatro regiões analisadas, o setor concentra mais da metade das dívidas, sendo que no Sul a parcela corresponde a 71,99%. O segundo maior credor em todas as regiões analisadas é o setor de Comércio.
Considerando o total de dívidas em atraso pendentes das empresas, englobando os segmentos de serviços, indústria, comércio, agricultura e outros setores, o destaque também fica no Nordeste: um aumento de 19,25% na comparação entre abril de 2016 e o mesmo mês do ano anterior. Na região Centro-Oeste, o crescimento do número de dívidas de pessoas jurídicas também foi alto, de 17,05% e, com variação menor, aparecem o Norte (16,99%) e o Sul (15,32%).





