O Impostômetro foi implantado em 2005 pela ACSP para conscientizar os brasileiros sobre o quanto ele paga de impostos. O objetivo é incentivar os consumidores a cobrar governos por serviços públicos de maior qualidade.
Localizado na sede da ACSP, na Rua Boa Vista, centro da capital paulista, ele mostra uma dura realidade para nós brasileiros: paga-se muitos impostos em troca de uma baixa eficiência no retorno à população.
Essa semana, o Impostômetro alcançará a marca de R$ 1 trilhão em 2026. Esse valor representa o total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos brasileiros aos governos federal, estadual e municipal desde o início do ano, incluindo multas, juros e correção monetária.
Aceleração no ritmo da arrecadação
Em comparação com o mesmo período do ano passado, o Impostômetro havia registrado R$ 972 bilhões, um crescimento de 2,9%. Neste ano, porém, o mesmo valor foi alcançado três dias antes, o que indica uma aceleração no ritmo da arrecadação.
Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, explica que a antecipação decorre de uma combinação de fatores que impulsionaram a arrecadação tributária. “Ela se deve ao avanço da atividade econômica, que amplia a base de arrecadação, bem como à inflação, já que grande parte dos impostos incide sobre bens e serviços”, afirma.
O economista também aponta outros fatores que explicam o crescimento da arrecadação:
- A tributação de fundos exclusivos e offshores;
- Alta na tributação dos juros sobre capital próprio;
- Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
- Retomada da tributação sobre combustíveis;
- Tributação das apostas (Bets);
- Impostos sobre encomendas internacionais (como a taxa sobre as “blusinhas”);
- Reoneração gradual da folha de pagamentos;
- Fim de benefícios fiscais para o setor de eventos (PERSE);
- Aumento das alíquotas do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
- Aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Gastos do setor público já ultrapassam o trilhão
Enquanto a arrecadação tributária já soma cerca de R$ 1 trilhão, os gastos não financeiros (primários) do setor público, em todas as esferas de governo, já ultrapassam R$ 1,29 trilhão no mesmo período, segundo dados da plataforma.
“Esse desequilíbrio entre arrecadação e despesas primárias é preocupante, porque mostra que o Brasil está operando no vermelho mesmo antes de pagar os juros da dívida. Isso compromete a sustentabilidade fiscal e pressiona ainda mais a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas”, alerta Ulisses.





