Pedir uma recomendação de produto, comparar preços ou tirar uma dúvida sobre viagem com o ChatGPT já virou hábito para o consumidor brasileiro. Mas essa jornada está prestes a ganhar um novo capítulo.
A OpenAI acaba de anunciar que se prepara para a chegada do ChatGPT Ads ao Brasil. O sistema de anúncio publicitário dentro do próprio ChatGPT chegará ao mercado brasileiro nas próximas semanas.
A publicidade muda de intenção
Se antes a publicidade era focada em criar boas histórias para conquistar a atenção do público, agora, com a IA e o ChatGPT, o caminho é outro. A marca precisa compreender a jornada que o consumidor percorre dentro dos chats conversacionais para se tornar parte do diálogo.
Prova de que o comportamento vem antes da publicidade é que a chegada ao Brasil do ChatGPT Ads não veio só em comunicado de imprensa. Dave Dugan, head of global solutions da OpenAI, esteve pessoalmente no País nos últimos dias para se reunir com agências e anunciantes locais e colher feedback antes de calibrar o produto que será lançado por aqui.
Dugan resumiu o momento como uma “fase de ajustes finais”, com a cocriação ao lado de profissionais locais (Isabela Dumans, que veio do Google Brasil, e Luiz Felipe Fabrini, ex-Netflix Brasil) como peça central do processo.
A fase inicial do ChatGPT Ads no Brasil deve se concentrar em três categorias: varejo, e-commerce e turismo. São segmentos de ticket médio mais baixo, decisão de compra rápida e um público que tende a estar mais nos planos gratuitos do que nos pagos. Exatamente o perfil de usuário que hoje vê publicidade na plataforma.
ChatGPT Ads já ganha escala em outros mercados
O ChatGPT Ads foi lançado como piloto em 9 de fevereiro de 2026, restrito a usuários adultos logados nos planos gratuitos Free e Go, nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Em 6 de junho, o Reino Unido se tornou o primeiro mercado fora da América do Norte e Oceania a receber os anúncios.
A escalada do Ads foi rápida. Em 26 de março, o piloto já havia ultrapassado a marca de US$ 100 milhões em receita anualizada, em apenas seis semanas de operação, segundo a Reuters.
Contudo, a companhia deixou claro desde o início que assinantes dos planos pagos (Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu) não veem publicidade. Um compromisso que a OpenAI repete a cada atualização.
O impacto no mercado de CX brasileiro
O tráfego que chega a lojas via ChatGPT converte cerca de 1,5 vez mais que outros canais de referência, com picos próximos ao dobro da taxa da busca tradicional em categorias como eletrônicos, casa e lifestyle, segundo dados da Criteo.
Ao mesmo tempo, o clique nesses anúncios ainda é baixíssimo perto do padrão do Google (algo como 1,3%, contra os quase 30% do Search). Ou seja, pouca gente clica, mas quem clica compra. Isso muda a régua com que o mercado brasileiro está acostumado a medir performance digital da publicidade.
Para as marcas, fica claro que a publicidade dentro do ChatGPT não compete só por atenção, mas disputa espaço no exato instante em que o consumidor está formando uma opinião sobre marca, preço e outros atributos. Isso torna ainda mais delicada a construção de experiência com a marca.
A previsão é de que o novo formato reforce dois desafios importantes para o CX: a evolução natural da experiência digital com a IA e a “invasão” com significado do último espaço que, até aqui, parecia livre de anúncios para o consumidor.





