A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa tecnológica para se consolidar como parceira no cotidiano dos brasileiros. Essa é a principal conclusão apresentada durante o painel IA na vida e no trabalho: como brasileiros usam a Inteligência Artificial no dia a dia?, realizado no CONAREC 2025.
O encontro reuniu Gustavo Lotufo, COO da AntennasBI, e Jacques Meir, diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão e mentor da CX Brain, que trouxeram resultados inéditos de um levantamento nacional sobre o tema.
Gustavo destaca a abrangência da pesquisa. Segundo ele, diferentemente de estudos concentrados em grandes capitais, este contempla entrevistados de todas as regiões do País, alcançando uma visão realista do uso da IA. Foram realizadas mil entrevistas, com mais de 5 mil vídeos que revelam o uso da IA no trabalho e na vida pessoal dos respondentes. Essa coleta audiovisual, explica, trouxe nuances impossíveis de captar em levantamentos tradicionais.
Um retrato no Brasil real na era da IA
O estudo mostra que, no uso pessoal, 94% dos brasileiros afirmam recorrer à IA no dia a dia, principalmente para buscar informações (74%), revisar e resumir textos (46%), além de elaborar vídeos e imagens (42%). A tecnologia também aparece em funções de autoajuda (37%), montagem de apresentações (36%) e até programação (28%).
Nas empresas, o cenário não é diferente: 78% das organizações já utilizam IA em diferentes áreas, que vão muito além da tecnologia. Atendimento, vendas, marketing, logística, finanças e até recursos humanos têm se beneficiado das soluções digitais. Cerca de 80% das companhias relatam que a IA ajudou a economizar horas de trabalho, enquanto quase metade destaca a redução de custos.
Jacques Meir ressalta que o estudo representa o “Brasil real”, com dados de trabalhadores de diferentes setores e níveis hierárquicos. “Não é a bolha. Esse é o Brasil real utilizando IA. Olha o impacto nas empresas”, afirmou. “O número é acachapante. Oito em cada dez empresas utilizam Inteligência Artificial em todas as áreas. Não se trata apenas de tecnologia.”
Do ceticismo ao uso intenso de IA
Gustavo destaca também a velocidade da mudança em relação ao ano anterior. Em menos de um ano, a situação evoluiu muito de, praticamente, uma grande amostra de céticos. “Os brasileiros não eram tão entusiastas, eram pessoas que tinham desconfiança, dificuldade, e medo de perder o emprego. O que a gente descobriu é que a IA já faz parte do dia a dia de quase todo mundo”, afirma.
Segundo os dados da pesquisa, 94% dos trabalhadores que usam IA afirmam que ela já faz parte da rotina da empresa. Além disso, 72% receberam algum tipo de treinamento para o uso da tecnologia. As aplicações mais citadas vão desde atividades corriqueiras, como busca de informações, resumos e revisões de textos, até programação de dados, elaboração de vídeos e automação de processos.
Um dado que chama a atenção é a presença da IA em funções de gestão. De acordo com o estudo, 29% dos entrevistados já utilizam a tecnologia na tomada de decisão estratégica. “A capacidade de tomada de decisão hoje envolve 29% das pessoas utilizando IA para fazer gestão. Isso em um ano”, destaca Jacques.
IA ganha espaço no trabalho e na vida pessoal
Depoimentos coletados reforçam a diversidade de usos: desde recrutamento e atendimento ao cliente, até monitoramento de máquinas e otimização da produção. “Ela é bem usada na minha empresa para monitorar as máquinas e aperfeiçoar a capacidade de produção. É muito bom ter a Inteligência Artificial porque ela ajuda muito a produção dos produtos, saber a hora que vem o ingrediente, a hora que vem outro”, relata um dos entrevistados.
O avanço da tecnologia não se restringe ao ambiente profissional. No uso pessoal, 94% dos brasileiros afirmam recorrer à IA para tarefas variadas. “Vai desde fazer a tarefa com os filhos até ajudar no skincare, resolver a vida financeira, organização da casa. Usar no trabalho e no dia a dia já é rotineiro, está impregnado”, comenta Gustavo.
IA é amiga, e não rival
Esse movimento, para os especialistas, está consolidando a ideia de parceria entre pessoas e máquinas. Assim, o medo inicial de substituição por robôs deu lugar à percepção de complementaridade. “Não é rival, não se tem mais uma ideia hoje de que a tecnologia vai tirar empregos. Pelo contrário, é um movimento de: vou testar, vou levar para o meu emprego, vou ver como dá para usar. As pessoas gostam, começa a facilitar e economiza horas de trabalho”, afirma o COO da AntennasBI.
A pesquisa também mostra que a população deseja ampliar ainda mais o uso da tecnologia em áreas ligadas ao cuidado humano. Organização da casa, relacionamentos, saúde e bem-estar foram os tópicos mais citados para avanços futuros.
“Ou seja, as pessoas estão querendo que a IA seja ainda mais humana, aumentando os aspectos do que nos faz humanos, que é cuidar da saúde, ter relacionamentos, uma profissão e cuidar da casa”, observa Gustavo.
Para Jacques Meir, os dados confirmam a transformação em curso. “Nós estamos assistindo o próximo passo da evolução humana. Sim, estamos vivendo uma revolução. Nós somos testemunhas dessa revolução. Passamos por algumas desde que a era digital começou. Mas esta é realmente inescapável. A gente tem que surfar e não tem escapatória. Bem-vindos à nova etapa da evolução humana.”
Gustavo Lotufo reforça que a mensagem é clara: a IA já é realidade e está democratizada. “O medo passou e ela vai ser nossa parceira e não vai deixar a gente para trás. A IA está do nosso lado para potencializar”, finaliza





