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Como o Brasil pode se tornar uma liderança em saúde digital

Como o Brasil pode se tornar uma liderança em saúde digital

IA pode facilitar e otimizar diversas áreas da pesquisa clínica; executivos também avaliam como será o futuro da saúde com essa tecnologia.
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No setor de saúde, a Inteligência Artificial (IA) tem sido decisiva no avanço de diversos serviços, e a pesquisa clínica é uma delas. Fundamentais na descoberta de novas vacinas e medicamentos, os estudos clínicos são uma das etapas para encontrar novas opções de tratamentos de várias comorbidades. Nessa área, são feitos estudos, por exemplo, com humanos, para garantir que um medicamento em análise é seguro e de fato cumpre com o seu objetivo.

“Toda pesquisa clínica precisa de um grupo específico com determinadas características. Ou seja, em algumas situações, leva um tempo para encontrar o número de pessoas necessárias para participar dos estudos, e isso pode atrasá-los”, explica Fernando de Rezende Francisco, gerente Executivo da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica (ABRACRO).

Uma das alternativas que pode colaborar na hora de realizar o processo inicial de triagem de voluntários é utilizar a Inteligência Artificial para cruzar informações de registros médicos de pacientes e dados para realizar um comparativo com o estudo em questão. “Encontrar pacientes com um perfil específico em um período curto de tempo é um grande desafio, por isso a tecnologia pode ser uma aliada para otimizar esse tempo e facilitar na hora de encontrar o perfil desejado”, pontua Fernando.

IA impulsiona todas as partes interessadas

A IA aplicada à medicina e aos processos de pesquisa clínica também pode ajudar os voluntários a reduzir o tempo que é dedicado para se deslocar até o local onde os estudos estão sendo realizadas. Através de ferramentas específicas, eles podem se comunicar com a equipe responsável de uma forma mais assertiva, e relatar os sintomas e progresso do tratamento.

“Além disso, pessoas que moram distante de grandes centros acabam se sentindo mais motivadas em participar, portanto é uma forma de democratizar a pesquisa clínica e diversificar o perfil dos voluntários”, afirma Fernando.

Seja no deslocamento dos voluntários ou então na procura por um determinado grupo para participar dos estudos, o fato é que a Inteligência Artificial pode contribuir com todas as partes interessadas na pesquisa clínica, desde os pesquisadores, pacientes e médicos investigadores, ou até mesmo os patrocinadores. “Com a tecnologia, as decisões poderão ser mais rápidas e assertivas, já que as informações serão extraídas de dados clínicos em tempo real, ou seja, isso vai impactar diretamente na saúde da população, que poderá fazer uso de novas opções de tratamentos sem ter que esperar por muito tempo”, pontua.

O “passado da saúde”

Diante de todo esse cenário, o que poderá ser visto como “o passado da saúde” no Brasil nos próximos anos? Segundo Igohr Schultz, diretor-executivo Digital do Hospital Israelita Albert Einstein, práticas como o uso exclusivo de prontuários em papel, a ausência de interoperabilidade entre diferentes sistemas de saúde e a dependência predominante de diagnósticos manuais devem desaparecer. “O avanço da IA e da digitalização deve transformar profundamente esses processos, promovendo maior eficiência, precisão e integração no cuidado à saúde”, ele diz.

Edgar Gil Rizzatti, presidente de Unidades de Negócios Médico, Técnico e Novos Elos do Grupo Fleury, complementa: “tudo caminha para uma realidade em que tratamentos serão cada vez mais personalizados, assim como a jornada de cuidados integrados será uma tendência cada vez forte”.

Liderança em saúde digital

Com todo esse avanço da IA estaria o Brasil caminhando para de se tornar um líder em “saúde digital” na América Latina?

Para Igohr, essa pergunta não é tão simples de ser respondida, mas ele acredita que sim, o Brasil tem um enorme potencial para se destacar nessa região. “Porém, esse cenário depende de investimentos contínuos em infraestrutura tecnológica, na capacitação de profissionais da saúde e no desenvolvimento de políticas públicas que promovam a inovação”, pontua. Além disso, ele aponta: “a diversidade e a abrangência do sistema de saúde brasileiro oferecem um ambiente ideal para testar, validar e implementar soluções digitais em larga escala, criando um impacto significativo tanto no acesso quanto na qualidade dos serviços de saúde”.

Para Edgar, a disseminação da IA na medicina está se globalizando e o Brasil tem potencial para se tornar um líder no setor. “Com crescentes investimentos em tecnologia, é possível que as empresas de saúde impulsionem soluções casa vez mais inovadoras. O avanço de startups de healthtech também demonstram o progresso no uso de inteligência artificial, telemedicina e análise de dados. Além disso, a colaboração internacional e o acesso a tecnologias de código aberto contribuem para que avanços sejam compartilhados globalmente”, avalia.

A receita para um futuro com IA na saúde

Contrastando com o otimismo crescente entre líderes e profissionais do setor sobre os benefícios que a IA pode proporcionar na saúde e o futuro com ela, o Brasil enfrenta barreiras significativas para um avanço mais amplo. Entre os principais obstáculos estão a falta de infraestrutura adequada, a escassez de profissionais qualificados e as questões éticas relacionadas ao uso de dados sensíveis. A pesquisa TIC Saúde 2024, por exemplo, indicou que apenas 17% dos médicos e 4% das instituições de saúde no país utilizam tecnologias de IA de forma institucionalizada.

A preocupação com a segurança dos dados é um dos fatores que dificultam a integração plena dessas tecnologias. “Esse é um dos maiores desafios no cenário tecnológico atual, pois, exige uma abordagem integrada, que combine a implementação de tecnologias avançadas de segurança, como blockchain e criptografia de ponta a ponta, com o desenvolvimento de políticas robustas de proteção de dados”, avalia Igohr Schutz.

“Esperamos que as futuras regulamentações associadas a Inteligência Artificial sejam equilibradas e flexíveis o suficiente para incentivar a inovação e o progresso tecnológico, e ao mesmo tempo zelar pelos direitos e interesses dos indivíduos, promovendo evolução de serviços de valor à sociedade”, acrescenta Edgar Gil Rizzatti.

Em conclusão, enquanto entidades especializadas e líderes do setor de saúde seguem atentos e atuantes no avanço com novas tecnologias, é crucial para o Brasil o fortalecimento das políticas públicas, o tratamento ético de dados, a capacitação profissional e investimento adequado em infraestrutura para que haja maiores conquistas. Essa receita (com perdão do trocadilho) será capaz de transformar o potencial da IA em realidade tangível no sistema de saúde brasileiro.

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