Todos os anos, algumas mães morrem após o parto devido a problemas cardíacos. E muitas dessas mortes poderiam ser evitadas. A capacidade de rastrear insuficiência cardíaca antes da gravidez pode desempenhar um papel crucial na identificação de mulheres que podem precisar de cuidados adicionais para melhorar os resultados da gestação.
No mês em que se comemora o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, ambos celebrados em 28 de maio, uma inovação promissora é apresentada com potencial para salvar vidas. Pesquisadores da Mayo Clinic, liderados pelas médicas Anja Kinaszczuk, especializada em medicina osteopática, e Demilade Adedinsewo, bacharela em Cirurgia, testaram ferramentas de Inteligência Artificial (IA), utilizando gravações de eletrocardiograma (ECG) e de um estetoscópio digital para detectar problemas cardíacos desconhecidos em mulheres em idade fértil atendidas na atenção primária.
Os resultados do estudo, publicados nos Annals of Family Medicine, mostram um alto desempenho diagnóstico dessas tecnologias para detectar uma fração de ejeção do ventrículo esquerdo abaixo de 50%, indicando fraqueza do músculo cardíaco. Essas ferramentas foram testadas em dois grupos de mulheres com idades entre 18 e 49 anos.
O potencial da IA para modernizar o rastreamento cardiovascular
O ECG com Inteligência Artificial (IA-ECG) apresentou uma área sob a curva (AUC, do inglês Area Under the Curve) de 0,94, enquanto o estetoscópio digital com IA, Eko DUO, alcançou uma AUC ainda maior, de 0,98, indicando uma alta precisão diagnóstica. Na segunda coorte, a prevalência de resultados positivos no rastreamento com IA foi de 1% para o IA-ECG e 3,2% para o estetoscópio com IA.
“Estatisticamente, quase metade das gestações neste país não são planejadas, e aproximadamente de 1% a 2% das mulheres podem ter problemas cardíacos sem saber. Nossas descobertas sugerem que essas ferramentas de IA poderiam ser usadas para rastrear mulheres antes da gravidez, permitindo um melhor planejamento gestacional e estratificação de risco, tratamento precoce e melhores resultados na saúde, resolvendo uma lacuna crítica no cuidado materno atual,” afirma a médica Adedinsewo, cardiologista e autora sênior do estudo.
Essa pesquisa baseia-se em estudos publicados anteriormente, incluindo um piloto que avaliou ferramentas digitais com IA para detectar miocardiopatia relacionada à gravidez entre pacientes obstétricas nos Estados Unidos, e um ensaio clínico randomizado pragmático realizado na Nigéria com mulheres grávidas ou que haviam dado à luz recentemente. Conjuntamente, essa linha de pesquisa destaca o potencial da IA para modernizar o rastreamento cardiovascular, permitindo uma identificação precoce e um manejo da fraqueza do músculo cardíaco em mulheres em idade reprodutiva.
De acordo com a Mayo Clinic, mais pesquisas estão em andamento para explorar o uso potencial dessas tecnologias no rastreamento de insuficiência cardíaca em populações mais abrangentes.





