A Inteligência Artificial já é velha conhecida nos escritórios, nos atendimentos e nas fábricas. E agora, ela começa a mudar também a forma como os alimentos são produzidos.
Na Kraft Heinz Brasil, por exemplo, a implementação da tecnologia como “cérebro” da operação agrícola tornou a produtividade 25% superior à média nacional. Além de IA, a plataforma conta com Machine Learning e cruza informações sobre clima, solo, histórico de safras e desenvolvimento das plantas para transformar milhões de dados em recomendações para o campo, orientando desde a irrigação até o manejo dos tomates que abastecem os produtos Heinz.
O novo recurso deve trazer ainda mais resultados nas próximas safras: a expectativa da empresa é processar até 300 mil toneladas de tomate, aumentar em 8% a produtividade e dobrar o faturamento da operação brasileira até 2030.
“Estar à frente da média nacional é motivo de orgulho, mas, na Kraft Heinz, a inovação é um processo contínuo. Sempre há espaço para otimização”, afirma Lucas Paschoal, diretor de Agricultura da Kraft Heinz Brasil.
Da agricultura de precisão para a prescritiva
Durante anos, tecnologias como sensores, drones e imagens de satélite ajudaram produtores a acompanhar o que acontecia na lavoura. Agora, a Inteligência Artificial inaugura a agricultura prescritiva.
Esse formato não só identifica um problema, mas também recomenda exatamente qual ação deve ser tomada em cada momento. “A mudança na rotina é a transição da reação para a antecipação”, explica Paschoal.
Em vez de apenas alertar que o solo está seco, por exemplo, o sistema cruza a umidade da terra, a previsão do tempo para os próximos dias, o estágio de desenvolvimento da planta e outras variáveis para indicar quanto irrigar, onde irrigar e qual é o melhor momento para isso.
“Saímos do campo da inferência e transformamos a rotina dos produtores em um processo guiado por dados de alta precisão“, afirma.
Esse modelo reduz a margem de erro nas decisões e permite que agricultores concentrem seus esforços na análise e no acompanhamento da produção, enquanto a tecnologia processa milhares de informações simultaneamente.
Crescer desperdiçando menos
Historicamente, aumentar a produção significava ampliar o uso de água, energia e insumos agrícolas. Mas agora a proposta foge do óbvio. “O verdadeiro poder da Inteligência Artificial é a eficiência cirúrgica“, explica.
Segundo ele, a irrigação deixa de acontecer em grandes blocos e passa a ser direcionada apenas para as áreas que realmente precisam de água. O mesmo raciocínio vale para o consumo de energia, já que o sistema também identifica os momentos mais eficientes para operar equipamentos e bombas de irrigação.
“A expectativa é crescer 8% não porque plantamos mais, mas porque desperdiçamos menos. A sustentabilidade passou a ser o próprio caminho para a rentabilidade”, afirma.
Com isso, a companhia projeta reduzir em cerca de 12% o consumo de água e em 10% o uso de energia elétrica durante a safra.
Alerta de mudanças climáticas
As mudanças climáticas também estão alterando a forma como a empresa produz seus tomates. Segundo Lucas, a estratégia da Kraft Heinz combina duas frentes: o desenvolvimento de sementes mais resistentes por meio da Heinz Seeds; e modelos de Inteligência Artificial capazes de antecipar eventos climáticos extremos.
“A resiliência da nossa operação nasce da união estratégica entre inovação biológica e tecnologia preditiva.”
Os modelos de Machine Learning analisam décadas de dados meteorológicos para identificar padrões e prever situações como ondas de calor ou frentes frias severas. Antes mesmo que esses eventos aconteçam, o sistema recomenda ajustes no manejo da lavoura. “Quando o sistema detecta a formação de um padrão climático extremo, ele prescreve protocolos de defesa dias antes de o evento atingir a fazenda.”
Essa capacidade de antecipação ajuda a reduzir perdas, aumenta a estabilidade da produção e torna toda a cadeia mais forte diante das mudanças do clima.
O ketchup começa no campo
A inovação agrícola é parte da estratégia de crescimento da companhia. Produtos como o Ketchup Heinz Zero ou o novo Extrato de Tomate Heinz exigem tomates com características muito específicas.
“O tomate é o coração e a alma da Kraft Heinz. O sabor tem que vir 100% do campo”, conta.
Por isso, a tecnologia permite garantir que cada tomate apresente os níveis ideais de brix (índice que mede a concentração de açúcares naturais na fruta), acidez, cor e viscosidade exigidos pelas receitas da marca. “A inovação na terra é o que permite a inovação na prateleira”, completa.
Essa eficiência também sustenta a estratégia da companhia de dobrar sua operação brasileira até 2030 sem precisar ampliar a área cultivada, apostando no aumento da produtividade e na verticalização da cadeia.
O próximo passo da IA
Para Lucas, a IA ainda está apenas começando sua transformação dentro da agricultura. “O papel da IA não será apenas otimizar processos isolados, mas atuar como o maestro de toda a cadeia, desde a seleção preditiva das melhores sementes para um clima futuro até a colheita robotizada e o rastreamento ponta a ponta.”
Na visão da companhia, essa transformação vai muito além da eficiência operacional, ela representa uma nova forma de produzir alimentos, em que dados, tecnologia e conhecimento agronômico trabalham para garantir qualidade e previsibilidade.
“A IA não é apenas uma ferramenta tecnológica; é a fundação que nos permitirá alimentar nossos consumidores de forma mais inteligente, sustentável e deliciosa pelas próximas décadas.”





