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Com cibersegurança como prioridade, bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia

Com cibersegurança como prioridade, bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia

Pesquisa mostra que os canais digitais dominam a preferência dos clientes e os investimentos dos bancos
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Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 revela o panorama da evolução dos bancos e a inovação no setor financeiro brasileiro. Estruturada em três grandes temas: investimentos em tecnologia, volumetria dos processos bancários e estratégias de diferenciação (tendências), o relatório reforça a consolidação dos canais digitais como principal ponto de relacionamento financeiro.

A inovação tecnológica sempre foi determinante para o futuro dos bancos e, cada vez mais, se torna parte de uma estrutura 360º. Essas instituições entenderam que a simetria entre preferências dos clientes e vanguarda tecnológica determina o sucesso dentro de um mercado altamente competitivo.

O comportamento do consumidor tem reforçado essa necessidade: 83% das transações bancárias dos brasileiros são feitas pelos canais digitais, ou seja, pelo celular e internet banking. Somente no mobile banking, nos últimos cinco anos, o crescimento foi de 169%, atingindo 187,5 bilhões de transações.

Além disso, de um total de 240,8 bilhões de transações feitas pelos brasileiros em 2025, por meio dos diferentes canais de atendimento das instituições financeiras, 78% foram realizadas pelo celular – uma alta de 11% em relação ao ano anterior.

Os números fazem parte da primeira versão da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 (ano-base 2025), realizada pela Deloitte. A pesquisa, estruturada em três grandes temas (investimentos em tecnologia; volumetria dos processos bancários; e estratégias de diferenciação/ tendências), corrobora o quanto os bancos estão olhando para a tecnologia não mais como ferramenta, mas como parte estrutural do negócio.

(Crédito: Febraban/Deloitte)

O relacionamento bancário é digital

A edição reforça a consolidação dos canais digitais como principal ponto de relacionamento financeiro. Nesse contexto, a preferência dos usuários impulsiona o crescimento de heavy users (clientes que realizam mais de 80% de suas transações em um canal), que já representam 76% da base de usuários digitais.

Ao considerar a média mensal de logins, o relacionamento bancário entre esses usuários é diário no caso de pessoas físicas e ocorre, em média, quase duas vezes ao dia entre empresas.

Para Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o mobile banking reafirmou seu posicionamento como o principal canal em expansão.

“Um crescimento notável não apenas em consultas, mas em transações financeiras e investimentos. A conveniência digital transformou o relacionamento bancário em algo diário para a maioria dos brasileiros, tornando os canais físicos pontos de apoio para operações mais consultivas”, afirma.

(Crédito: Febraban/Deloitte)

Pix continua crescendo nas transações

De acordo com o levantamento, o Pix continua crescendo nas transações com movimentação financeira, com aumento de 19% no mobile banking e 53% no internet banking.

O pagamento via Pix também lidera o crescimento das transações no POS (maquininhas do comércio).

 A pesquisa mostra que 80% das transações via Pix para pessoas físicas foram realizadas de forma instantânea. Entre os 20% das demais transações em Pix para pessoas físicas, destacam-se Pix cobrança (19%), Pix agendado (0,3%) e Pix crédito (0,2%).

(Crédito: Febraban/Deloitte)

 Cibersegurança é prioridade

Os dados da pesquisa revelam um crescimento expressivo de 58% no orçamento tecnológico nos últimos cinco anos, com uma previsão de investimento de R$ 50,4 bilhões para o ano de 2026, alta de 8% em relação a 2025.

Os bancos brasileiros elegeram a cibersegurança como prioridade absoluta, com 100% das instituições atribuindo a ela um nível alto ou médio de relevância.

Segundo o levantamento, os bancos estão investindo em treinamentos mais especializados e direcionados, ao mesmo tempo em que ampliam a contratação de talentos para sustentar a evolução tecnológica. 226,1 mil é o número de profissionais treinados no setor bancário e a pesquisa mostrou que 42% dos bancos pretendem ampliar o número de profissionais na  área de TI, correspondendo a um crescimento médio de 22%.

 “O crescimento do orçamento tecnológico dos bancos, aliado à previsão de R$ 50,4 bilhões em investimentos para 2026, mostra que o setor financeiro segue comprometido com inovação, segurança e eficiência. A cibersegurança permanece como agenda central para as instituições, ao lado de temas estratégicos como Cloud e IA Generativa. Esse avanço também depende da formação e da atração de profissionais cada vez mais especializados, capazes de sustentar a evolução tecnológica do setor”, afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.

IA e Cloud aceleram investimentos

Os bancos brasileiros também elegeram o Cloud (84%) e a Inteligência Artificial Generativa (84%) como temas protagonistas no orçamento.

A pesquisa mostra que, embora a IA já esteja presente em diversas frentes, cerca de 60% das instituições ainda se encontram em fases iniciais de adoção. No caso da GenAI, esse percentual é ainda maior, refletindo um momento de experimentação e desenvolvimento de casos de uso, com potencial significativo de expansão nos próximos anos e indicando um novo ciclo de maturidade tecnológica no setor bancário.

Segundo Sérgio Biagini, FSI Lead Partner – Banking and Capital Markets da Deloitte, a GenAI já está presente e vem se expandindo entre os players do setor bancário, mas o grande desafio é avançar na sua escala e captura de valor. “Não se trata apenas de experimentar uma nova tecnologia, mas de integrá-la de forma consistente e ampliada às operações bancárias e à experiência do cliente na ponta. As instituições que conseguirem reimaginar seus processos, as jornadas de atendimento aos clientes e a força de trabalho do futuro estarão mais preparadas para liderar a agenda de eficiência, inovação e transformação do setor”, pontua.

A pesquisa deixa claro o movimento crescente de inovação e digitalização das relações bancárias. Preferências e sistemas que se alinham ao momento do consumidor, agora muito mais digital e atento aos serviços automatizados.

O que fica como desafio para o mercado é empoderar esse cliente não só com tecnologia, mas também com conhecimento em educação financeira – sobretudo para a tomada de crédito. Liderar esse mercado exige muito mais do que inovação. Exige uma compreensão maior das marcas sobre o valor de um posicionamento sustentável no longo prazo.

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