De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, elaborada pela Deloitte, os bancos brasileiros pretendem investir R$ 3 bilhões em IA e análise de dados em 2026. O levantamento também mostra onde esse investimento já está gerando resultado: 92% dos bancos apontam o aumento da velocidade na execução de tarefas rotineiras como o principal valor percebido da aplicação da tecnologia; 52% destacam redução do tempo de resposta aos clientes, redução de custos e maior eficiência na análise de dados; e 48% identificam ganhos na detecção e prevenção de fraudes.
Para Bruno Guarnieri, CRO da Nomad, fintech voltada a produtos financeiros internacionais como câmbio, seguros de viagem e investimentos no exterior, esse é um momento estratégico para o setor. Ele lidera a agenda de IA na fintech e afirma que os funcionários da companhia têm acesso livre a ferramentas de IA, sendo incentivados a criar soluções próprias com autonomia e responsabilidade. Tudo para acompanhar esse cenário em evolução constante.
IA como aliada da eficiência
Bruno explica que a IA atua hoje, sobretudo, nos bastidores da operação da companhia. Segundo ele, a tecnologia é aplicada no monitoramento de dados de mercado, na automação de processos internos, no apoio ao rebalanceamento de estratégias e na geração de insumos para relatórios e análises personalizadas.
“No atual estágio de desenvolvimento da empresa, a IA atua principalmente como alavanca de eficiência para o time interno e não como substituta do relacionamento humano com o cliente final”, afirma.
O executivo pontua que reduzir fricção em produtos complexos, como câmbio e investimentos internacionais, não significa eliminar a interação humana. “Reduzir fricção não significa eliminar a interação humana. Significa usar tecnologia e dados para simplificar etapas operacionais, organizar informações e oferecer mais contexto para que o cliente possa tomar decisões com segurança”, diz.
Ainda assim, há uma fronteira clara para o uso da tecnologia. Bruno é categórico ao afirmar que decisões que envolvem maior impacto patrimonial continuam sob supervisão humana. “Situações financeiras sensíveis, dúvidas complexas e decisões com maior impacto patrimonial exigem escuta, discernimento, empatia e responsabilidade, por isso, nossos especialistas seguem acompanhando e revisando os processos e resultados antes de chegar ao cliente”, esclarece.
Expansão multimoeda
Uma novidade em serviços da Nomad em sinergia com esse contexto, é o lançamento do saldo em euro, somado ao dólar já disponível na Conta Internacional. Com isso, a Nomad amplia sua proposta para um público que busca uma experiência financeira global e transita entre diferentes países, moedas e destinos de investimento.
Segundo Bruno, esse movimento acompanha uma mudança de comportamento do consumidor, que busca mais praticidade e previsibilidade em suas experiências internacionais.
Nesse ponto, o executivo diz que a IA deixa de cumprir apenas uma função de suporte e passa a atuar como ferramenta de contextualização da jornada. “A IA deixa de ser apenas uma ferramenta de busca e passa a atuar como um motor de contextualização”, afirma.
A partir da análise de padrões de uso, a Nomad pretende oferecer informações relevantes em momentos específicos da jornada do cliente, como o planejamento de uma viagem, a escolha do saldo mais adequado para determinada transação ou a organização de gastos em diferentes destinos.
“Nosso foco é transitar de um modelo reativo para uma experiência proativa e fluida, garantindo precisão na personalização sem jamais ultrapassar os limites da privacidade e segurança financeira”, explica Bruno.
Constância não é sinônimo de boa experiência
Um dos pontos analisados por Bruno Guarnieri está em sintonia com tema do CONAREC 2026, “A Experiência Infinita”. Na visão da Nomad, isso pode ser traduzido da seguinte forma. Ela começa quando se entende que a relação não se encerra na conclusão de uma transação. Um cliente pode chegar à plataforma para comprar moeda, depois contratar um seguro de viagem, migrar para investimentos internacionais e, com o tempo, abrir uma conta global. “A jornada é contínua porque a própria vida financeira do cliente também é”, destaca o executivo.
Ainda assim, ele defende que existe um limite saudável para a presença da marca no dia a dia do consumidor, algo que considera central nessa análise. “Uma experiência contínua não significa uma marca presente o tempo todo. Existe, sim, um limite saudável, pois o cliente não quer ser constantemente impactado por notificações, ofertas ou recomendações”, afirma.
Para Bruno, o futuro da experiência do cliente não está relacionado ao aumento do volume de interações, e sim à qualidade e relevância de cada contato. “Uma experiência realmente infinita é aquela em que a empresa consegue antecipar necessidades sem presumir, personalizar sem ser invasiva e estar disponível sem ocupar espaço desnecessário na vida do cliente”, conclui o CRO da Nomad.





