Um estudo global do Google, realizado em parceria com a Ipsos, mostra que a principal motivação para o uso da IA mudou. Pela primeira vez, aprender superou o entretenimento como razão número um para o uso da tecnologia.
A pesquisa Nossa vida com a IA ouviu 21 mil pessoas em 21 países no final de 2025. O levantamento aponta que 74% dos usuários utilizam ferramentas de IA para aprender algo novo ou compreender temas complexos, sinalizando uma transição clara da curiosidade para a utilidade prática. Ou, seja, as pessoas estão passando da experimentação para o aprendizado no mundo real e vendo a IA para educação com uma perspectiva diferente.
Outro dado relevante é a popularização dos chatbots. A maioria dos entrevistados em quase todos os países afirma já utilizar esse tipo de ferramenta no dia a dia, reforçando a consolidação da IA como recurso cotidiano.
Estudantes lideram o uso de IA
Entre estudantes com mais de 18 anos, 85% dizem usar Inteligência Artificial. A tecnologia é empregada principalmente no apoio a trabalhos escolares (83%) e na compreensão de conteúdos complexos (78%). Além disso, mais da metade dos estudantes utiliza a IA para organizar tarefas diárias, como planejamento de viagens, alimentação e exercícios físicos.
O estudo também revela alta adesão entre educadores. Segundo os dados, 81% dos professores afirmam utilizar ferramentas de IA, índice superior à média global, de 66%. Entre os principais usos, estão o aprendizado contínuo e a economia de tempo.
Um projeto piloto de seis meses realizado na Irlanda do Norte mostrou que professores economizaram, em média, 10 horas semanais com o apoio do Gemini, ferramenta de IA do Google, evidenciando o impacto direto da tecnologia na rotina pedagógica.

Pais recorrem à IA para trabalho e carreira
O uso da IA também é expressivo entre pais e responsáveis. De acordo com o levantamento, 76% utilizam IA, principalmente para aprender algo novo ou apoiar atividades profissionais. Quase metade dos entrevistados desse grupo afirma usar a tecnologia para explorar mudanças de carreira, aumentar a renda ou iniciar novos negócios.
Apesar das discussões sobre possíveis impactos negativos da IA no desenvolvimento cognitivo, a percepção dos entrevistados é, em sua maioria, favorável. Professores, estudantes adultos e pais acreditam que a tecnologia contribui para melhorar a forma de aprender.
Entre os educadores, 67% avaliam que a IA pode elevar a qualidade do ensino, enquanto 63% acreditam que a tecnologia tende a melhorar o desempenho dos estudantes.
Otimismo também aparece fora do eixo ocidental
Em mercados emergentes, 63% dos entrevistados afirmam que a Inteligência Artificial tem potencial para melhorar o desempenho dos estudantes por meio do aprendizado personalizado. O percentual é superior ao dos que acreditam que a tecnologia pode prejudicar o pensamento crítico.
A mesma proporção é observada em países como Coreia do Sul, Japão e Singapura, que apresentam desempenho elevado no PISA, avaliação internacional de educação. Nesses mercados, a maioria também enxerga a IA como fator de melhoria no aprendizado.





