A Inteligência Artificial (IA) ocupa, pela primeira vez, uma posição central nas rotinas, decisões e estratégias do design brasileiro. O estudo IA no Design 2025: adoção, impacto e maturidade, realizado pela Môre em parceria com o IBPAD, apresenta um panorama inédito sobre como os profissionais de design estão incorporando a IA e os impactos dessa transformação nas capacidades criativas, no fluxo de trabalho e na maturidade organizacional.
A seguir, você acompanha os principais achados do estudo.
Destaques do estudo IA no Design 2025
- 94% dos designers brasileiros já usam IA no trabalho.
- 66% utilizam diariamente ferramentas de IA.
- A adoção é alta entre nativos digitais e profissionais 55+, que compartilham maior abertura ao uso.
- 69% percebem a IA como um suporte incremental, que acelera o que já fazem.
- 21% dizem que ela já tem impacto transformador em suas entregas.
- Só 1% afirma não notar impacto algum.
Ferramentas mais conhecidas e usadas:
- ChatGPT/DALL·E – 89%.
- Gemini (Google) – 82%.
- Figma AI – 68%.
Desafios mais citados pelos profissionais:
- Falta de políticas claras de uso da IA;
- Dúvidas sobre privacidade e segurança;
- Carência de treinamentos formais;
- Inexistência de métricas para mensurar impacto no negócio.
O perfil do designer brasileiro que usa IA
O estudo mostra um setor jovem, plural e concentrado em inovação quando o assunto é IA para o design. Veja o perfil, áreas e regiões onde se concentra esse público:
- 44% têm entre 25 e 34 anos;
- 31% entre 35 e 44 anos;
- Gênero: 53% mulheres, 45% homens, 2% não-binários;
- 67% estão no Sudeste;
- 51% são designers de produto;
- 64% atuam em nível pleno/sênior.
Esses números ajudam a contextualizar um mercado em rápida especialização, ainda que heterogêneo, impactado pelas tecnologias emergentes.
IA no cotidiano: tecnologia deixa de ser acessório
A IA já é parte da rotina de muitas pessoas. E a pesquisa revela um comportamento curioso no dia a dia dos designers: a chamada “curva em U”. Tanto designers mais jovens (até 24 anos) quanto profissionais mais maduros (55+) são os que mais usam IA diariamente – um indicativo de abertura combinada à necessidade de otimizar processos.
Outro ponto interessante, é a transformação do processo criativo. Um dos maiores impactos percebidos pelo relatório é a mudança na forma como se cria.
Segundo o relatório, a IA:
- Acelera brainstormings;
- Ajuda na prototipação rápida;
- Permite testar estilos e variações de forma ágil;
- Amplia a capacidade de exploração visual.
“Tudo isso fortalece análises mais profundas sobre comportamentos e oportunidades de mercado”, avalia Léo Xavier, fundador e CEO da Môre.
IA não substitui o processo criativo, ela o amplia
O designer brasileiro está usando a IA mais como parceira de velocidade e eficiência do que como substituta de criatividade. No entanto, maturidade organizacional e governança ainda são desafios. O relatório ainda aponta que a adoção individual da IA avança mais rápido que a maturidade das empresas.
Para Ricardo Cavallini, consultor da Singularity University, a IA que conhecemos hoje ainda vai evoluir muito. “Com o aumento do conhecimento sobre as ferramentas e a integração dos processos, muitos índices poderão mudar radicalmente.”
O futuro do designer: novas habilidades e papéis
A pesquisa sugere uma mudança clara no perfil profissional. De acordo com o relatório, a IA aumenta a demanda por habilidades humanas (análise crítica, visão estratégica, curadoria e criatividade). A busca por especialistas em IA aplicada ao design também deve crescer.
Profissionais precisarão desenvolver competências em prompting, orquestração de ferramentas e tradução entre áreas. Assim, a combinação de automação, dados e criatividade orientada por IA abre espaço para profissionais cada vez mais eficientes e inovadores.
O designer brasileiro está pronto para a IA?
Em um cenário em que a experiência é diferencial competitivo, a IA no design se torna uma alavanca poderosa para o CX. O estudo deixa claro que o avanço não é apenas técnico, ele é estratégico.
Para marcas, varejistas e empresas centradas em experiência do cliente, o impacto é direto:
- Prototipações mais rápidas;
- Produtos digitais lançados em menos tempo;
- Personalização em escala;
- Redução de custos de experimentação;
- Processos mais orientados a dados.
Sem dúvida, o design brasileiro vive uma fase de transição irreversível. Um mercado que se expande e se reinventa diariamente. E, agora, com a IA, amplia o alcance criativo e estratégico do designer – mesmo diante de tantos desafios.
Para um mercado e profissionais interessados, esse movimento coloca o Brasil como uma promessa para IA no design. Mas é preciso entender que a criatividade agora é híbrida – mais inteligente e automatizada, e profundamente impactada pelo talento humano na jornada criativa e na adoção de novas tecnologias.





