“As ferramentas de IA nos tornarão obsoletos?” Essa questão, segundo Inbal Shani, Chief Product Officer e líder de P&D da Twilio, é uma indagação constante entre acadêmicos, profissionais e colegas de profissão.
Nas últimas duas décadas, Inbal testemunhou quase todas as fases da evolução da Inteligência Artificial. No entanto, em nenhum momento, ela afirma ter acreditado que a IA tornaria todos os empregos obsoletos, incluindo o de desenvolvedor de software. “O papel do desenvolvedor não está desaparecendo – ele está evoluindo. A IA redefinirá o que significa ser um desenvolvedor, fortalecendo a ideia que eles se tornarão criadores”, esclarece.
Pioneira na adoção de IA, Inbal percebe que as tecnologias avançadas são construídas para enfrentar desafios técnicos e empresariais complexos. E esse momento, com plataformas no code/low code, assistentes de IA e experiências intuitivas de construção, se transforma em uma grande oportunidade para profissionais se tornarem mais necessários e criadores do que nunca.
“Os desenvolvedores que adotarem a IA otimizarão o design, o pensamento sistêmico, a arquitetura e a experiência do usuário de maneiras que a automação sozinha nunca poderia.”
IA: um multiplicador de força
Inbal diz que, assim como uma nova linguagem de código, a IA está se mostrando um formidável multiplicador de força para desenvolvedores. “Olhando para trás, ao longo dos anos, linguagens de programação como C já foram a pedra angular do desenvolvimento de software. À medida que as linguagens evoluíram para Python, Ruby e Java, muitos previram a necessidade de menos desenvolvedores devido à sua capacidade de simplificar a complexidade significativamente. No entanto, essas previsões nunca se materializaram. O campo não encolheu; em vez disso, o papel dos desenvolvedores se expandiu, incorporando habilidades de resolução de problemas mais criativas e abstratas”, lembra a especialista.
Para ela, uma evolução semelhante está acontecendo com a IA hoje. “Embora a IA possa automatizar tarefas de código de rotina, ela não pode substituir a criatividade de ordem superior e o pensamento sistêmico que desenvolvedores qualificados contribuem. Os verdadeiros criadores não são meramente geradores de código, eles são inovadores”, ela diz. “São igualmente capazes de navegar pela ambiguidade e influenciar mudanças estratégicas dentro de uma organização. Esses criadores empregam uma abordagem interdisciplinar para projetar, construir e gerenciar sistemas complexos.”
O futuro é dos criadores

Sobre o futuro do desenvolvimento de software, Inbal diz que desenvolvedores irão evoluir para “criadores estratégicos”, orientados pela experiência e sempre mantendo o cliente no centro de seu trabalho. “A evolução do desenvolvimento de software exige maior ênfase na experiência do usuário, habilidades de teste mais fortes, implementação estratégica de IA e, acima de tudo, um profundo entendimento dos clientes e da tecnologia que eles estão usando”, reforça.
Entretanto, Inbal vê esse futuro de criação sendo expandido cada vez mais. “Seja você um profissional de marketing, gerente de produto, designer ou empreendedor, a capacidade de construir e dar vida a ideias está mais acessível do que nunca. A ascensão da IA, automação e plataformas no code/low code está remodelando como criadores não técnicos criam, inovam e geram impacto”, destaca.
“O futuro da criação – seja para desenvolvedores ou pessoas não técnicas – não é sobre a IA substituindo-os. É sobre a IA permitindo que eles façam mais, mais rápido e com impacto mais significativo. Quando uso a expressão ‘criadores’, me refiro àqueles que têm a capacidade de criar algo novo dentro do contexto de tecnologia e negócios”, define.
Ou seja, a ascensão da IA e da automação não significa que apenas desenvolvedores podem construir. Para Inbal, significa que qualquer um com a mentalidade e as habilidades certas pode. “A próxima geração de criadores vai misturar criatividade com curiosidade técnica, pensamento estratégico com insights de dados e eficiência orientada por IA com intuição humana”, pontua.
Por fim, a especialista afirma que a IA deverá ser alavancada para aumentar a produtividade, mas, nunca definirá o trabalho em si. “A verdadeira inovação vem de saber quando confiar na automação e quando aplicar o julgamento humano”. Para ela, esse futuro com IA é sobre isso “capacitar criadores a criarem mais”, inovar mais rápido e ultrapassar os limites do que é possível. “A IA continuará a mudar a forma como construímos, mas a essência da criação, a capacidade de pensar, projetar e resolver problemas sempre pertencerá a nós”, conclui.





