Sete em cada dez brasileiros têm uma percepção positiva sobre a Inteligência Artificial. Além disso, 96% demonstram abertura para aprender mais sobre a tecnologia e quase metade, 49%, afirma confiar sempre ou geralmente em recomendações de produtos e serviços feitas por sistemas de IA.
A confiança, porém, ainda encontra uma barreira na hora da compra. Apenas 29% dos consumidores afirmam já ter adquirido algum produto recomendado por Inteligência Artificial. Outros 57% dizem nunca ter feito uma compra a partir desse tipo de indicação.
Os dados fazem parte de uma pesquisa do Opinion Box, realizada com cerca de mil pessoas em todo o Brasil e apresentada por Felipe Schepers, COO e cofundador da empresa, no CONAREC 2026. O levantamento pautou o painel “Quem é o consumidor da era da IA – e o que ele espera das empresas?”.
Os resultados mostram que a IA já desperta curiosidade, conquista confiança e começa a influenciar decisões de consumo. Para as marcas, o desafio agora é transformar essa influência em conversão sem comprometer transparência, segurança e experiência.
“O consumidor hoje não está com medo da IA, ele tem expectativas”, resumiu Schepers.
Consumidor quer aprender sobre IA
O interesse não aparece apenas na percepção positiva. Segundo a pesquisa, 96% dos entrevistados demonstram algum grau de abertura para aprender mais sobre Inteligência Artificial. Apenas 3% dizem não ter interesse.
O uso, por sua vez, já atravessa diferentes momentos da vida cotidiana. Tirar dúvidas e pesquisar aparecem entre as principais finalidades, mas a tecnologia também é utilizada para escrever textos, editar imagens e vídeos e buscar informações relacionadas à saúde.
Esse avanço cria uma combinação importante para as empresas: o consumidor está curioso, utiliza a tecnologia e, ao mesmo tempo, começa a confiar nela.
Confiança existe, mas tem limites
Quando perguntados sobre a confiança nas respostas fornecidas por sistemas de IA, 10% disseram confiar totalmente e 41%, na maior parte das vezes. Outros 39% condicionam essa confiança ao assunto.
Ao mesmo tempo, 84% afirmam conferir, em alguma medida, se as informações fornecidas pela tecnologia estão corretas. Para Schepers, esse comportamento mostra que a confiança existe, mas não é irrestrita.
“A confiança na IA não é cega, ela é condicional e verificável”, afirmou.
Esse cenário aumenta a responsabilidade das empresas sobre as informações que circulam no ambiente digital. Quanto mais consumidores recorrem à IA para pesquisar marcas, serviços e produtos, maior a importância de disponibilizar informações claras, consistentes e verificáveis.
IA já influencia a decisão de compra
A mudança começa a alcançar também a jornada de consumo. A pesquisa mostra que 10% dos entrevistados sempre confiam em recomendações de produtos ou serviços feitas por sistemas de IA, enquanto 39% geralmente confiam. Outros 37% dizem confiar algumas vezes.
Para as marcas, isso cria um novo ponto de atenção. Se o consumidor passa a pedir recomendações diretamente à IA, estar presente e bem representado nesses ambientes torna-se importante já no início da jornada de compra.
Schepers alertou que, se uma marca não aparece entre as recomendações da IA enquanto seus concorrentes aparecem, ela corre o risco de perder o consumidor ainda nessa etapa da jornada.
Entre recomendar e comprar
Essa diferença revela o que Schepers definiu como um “vale” entre confiança e conversão. Enquanto 49% dos consumidores dizem confiar sempre ou geralmente nas recomendações de produtos e serviços feitas pela IA, apenas 29% afirmam já ter comprado algo indicado pela tecnologia. Outros 57% nunca fizeram uma compra a partir desse tipo de recomendação.
Para Schepers, os números indicam que a IA ainda ocupa um espaço maior na descoberta e na pesquisa do que no momento final da compra. Ele acredita, porém, que essa distância diminuirá conforme a tecnologia avance sobre outras etapas da jornada.
Para as empresas, surge também um novo canal de relacionamento. Buscadores, sites, marketplaces e redes sociais continuam presentes, mas agora dividem espaço com sistemas de IA capazes de recomendar marcas, produtos e serviços e, cada vez mais, participar da decisão de compra.
Automação precisa saber a hora de parar
A pesquisa também traz um alerta para o atendimento. Schepers defendeu que empresas calibrem a automação conforme a complexidade do problema.
Questões simples podem ser resolvidas pela tecnologia. Entretanto, quando surgem atrito, complexidade e componentes emocionais, a intervenção humana continua necessária. “Quando começa a se tornar algo complexo, o humano é necessário”, afirmou.
A transparência também ganha importância. A pesquisa mostra que 51% dos consumidores confiam totalmente ou na maior parte das vezes nas respostas fornecidas pela IA. Ao mesmo tempo, 84% afirmam conferir, em algum grau, se as informações recebidas estão corretas.
Nesse cenário, Schepers defende que as empresas não escondam o uso da Inteligência Artificial. Informar que a tecnologia está sendo utilizada e apresentar as fontes das informações são caminhos apontados pelo executivo para fortalecer a confiança do consumidor.
No fim, a transformação provocada pela IA não está apenas na tecnologia que as empresas adotam. Ela também aparece na velocidade com que o consumidor aprende a utilizá-la, confiar nela e incorporá-la às próprias decisões.
Para as marcas, o próximo desafio já está colocado: ocupar esse novo espaço de influência sem transformar confiança em frustração.





