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O que o uso do Claude revela sobre a concentração global da IA?

O que o uso do Claude revela sobre a concentração global da IA?

Relatório da Anthropic acende alerta sobre disparidade na aplicação da IA, com diferenças entre países e sofisticação de uso do Claude.
Relatório da Anthropic acende alerta sobre disparidade na aplicação da IA, com diferenças entre países e sofisticação de uso do Claude.
Foto: Anthropic/Reprodução.
Estudo mostra que o uso está concentrado em países ricos, como EUA, Singapura e Canadá, enquanto economias emergentes apresentam menor adesão, o que pode ampliar desigualdades globais. Além disso, regiões com alta adoção tendem a aplicar a IA de forma mais diversificada e colaborativa, enquanto áreas de baixa adoção concentram-se em automação, revelando que o impacto da tecnologia varia conforme maturidade e contexto econômico.

Há um traço em comum entre as diferentes tecnologias: a concentração da adoção em determinadas regiões geográficas e tarefas em organizações. A eletricidade, por exemplo, levou cerca de 30 anos para alcançar propriedades rurais depois das zonas urbanas. Mesmo o computador pessoal, que chegou na década de 1980, só alcançou a maioria dos lares dos Estados Unidos nos 20 anos seguintes.

A Inteligência Artificial, no entanto, vem sendo adotada a uma velocidade sem precedentes. Como aponta o Anthropic Economic Index report, somente nos EUA, 40% dos colaboradores afirmam utilizar a tecnologia no trabalho – em comparação com 20% em 2023. Isso se deve, segundo o relatório, às características da IA, que pode ser implementada em infraestruturas digitais já existentes e a facilidade de uso sem a necessidade de treinamento técnico.

A adoção da IA parece seguir um padrão similar à de tecnologias do século XX. No entanto, com períodos reduzidos e com maior intensidade de difusão.

Maior uso da IA

O relatório apresenta dados sobre o uso do Claude.ai, ferramenta de IA generativa da Anthropic, em mais de 150 países e em todo o território dos Estados Unidos. O levantamento considerou o Anthropic AI Usage Index (AUI), que mede se o uso do Claude está acima ou abaixo do esperado em uma economia em relação à população em idade ativa de cada região.

Entre os principais achados, o estudo notou uma forte correlação entre o índice e a renda dos países. Assim, o uso da Inteligência Artificial é geograficamente concentrado. Singapura e Canadá estão entre os países com maior uso per capita, com 4,6x e 2,9x acima do esperado, respectivamente.

No entanto, economias emergentes como Indonésia, Índia e Nigéria revelam uso menor do Claude, em 0,36x, 0,27x e 0,2x menos, respectivamente.

Ao analisar os 30 países com maior uso do Claude.ai, fica evidente a concentração da adoção da IA: enquanto os Estados Unidos lideram o uso da IA com 21,6%, a segundo colocada do ranking é a Índia, com 7,2%, seguida pelo Brasil, com 3,7%.

Foto: Anthropic/Reprodução.

No entanto, levando em consideração a população em idade ativa e o uso per capita, os países que apresentam o maior índice de adoção são Israel, Singapura, Austrália e Nova Zelândia. Isso, segundo o estudo, pode ser explicado pela renda. Isso porque países com maior PIB per capita, maior robustez de conectividade e com economias orientadas ao conhecimento – e não à produção – tendem a ter um maior uso do Claude.

Foto: Anthropic/Reprodução.

Uso diversificado da tecnologia

Ainda, o estudo mostra que os países que lideram o uso da solução, também apresentam uso mais diversificado da IA. Como aponta o relatório, regiões com baixa adoção tendem a concentrar o uso em programação. Já países com alta adoção apresentam aplicações mais diversas, em áreas como Educação, Ciência e Negócios.

Ainda, países com alta adoção revelam menor uso de automação e maior de colaboração. Ou seja, países com baixo AUI têm uma tendência maior de delegar tarefas para a IA, automatização essas funções. Já as áreas de alta adoção tendem a favorecer o aprendizado com a tecnologia e a iteração entre o humano e a IA.

Ou seja, quanto mais madura a adoção da IA, mais diversificado é o seu uso – e, também, mais transformador.

Concentração da IA e desafios

O estudo faz uma importante análise sobre a geografia da adoção inicial de IA no mundo. Segundo o relatório, tecnologias transformadoras do fim do século XIX e início do século XX inauguraram a era do crescimento econômico moderno. Mais do que isso, também ampliaram a divergência nos padrões de vida ao redor do mundo.

“Se os ganhos de produtividade forem maiores para as economias de alta adoção, os padrões atuais de uso sugerem que os benefícios da IA podem se concentrar em regiões já ricas – possivelmente aumentando a desigualdade econômica global e revertendo a convergência de crescimento observada nas últimas décadas”, destaca o relatório.

Assim, a geografia da adoção da IA molda não apenas para quais finalidades a IA é usada, mas também como os recursos são aplicados. Ou seja, a especialização desigual no uso da IA sugere que o impacto da tecnologia pode variar significativamente entre as regiões.

“Os padrões geográficos de adoção de IA – onde é usada, para quais tarefas e de que maneira – indicam que, para concretizar o potencial da IA em beneficiar pessoas em todo o mundo, os formuladores de políticas precisam atentar-se à concentração local do uso e da adoção da IA, além de enfrentar o risco de aprofundar as divisões digitais.”

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