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A tecnologia é uma ameaça aos artistas?

A tecnologia é uma ameaça aos artistas?

Diversas artes como as plásticas, música e literatura estão vendo os primeiros efeitos do uso de IA em funções criativas

Enquanto os grevistas da indústria cinematográfica de Hollywood pedem por melhores salários e mais proteção contra a substituição de seus cargos por ferramentas de Inteligência Artificial (IA), a Netflix anunciou uma vaga para AI Product Manager por um pagamento de US$ 900,000 ao ano. Em comparação, 87% dos atores da indústria ganham menos que US$ 26,000 por ano.

O movimento não é exclusivo de Hollywood. Segundo levantamento feito pela agência de pesquisa Lucidworks, cerca de 96% dos executivos de empresas de mídia ao redor do globo estão priorizando investimentos em IA. A China lidera o ranking, com 100% das empresas entrevistadas afirmando que já estão realizando o investimento. Já os Estados Unidos ocupam a sétima posição do ranking, com 92% das empresas de mídia afirmando o mesmo.

A preocupação dos escritores, roteiristas e atores se torna ainda mais real quando os riscos são avaliados. Segundo o estudo “GPTs are GPTs: An Early Look at the Labor Market Impact Potential of Large Language Models” feito pela OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, escritores de diversas modalidades estão entre os profissionais mais expostos a impactos no trabalho e em suas carreiras.

O episódio “Joan is awful” da sexta temporada de “Black Mirror” – série que desde seu lançamento aponta cenários hipotéticos quase distópicos sobre o uso inconsequente da tecnologia – dá uma perspectiva, por mais que exacerbada, do que a indústria do entretenimento poderia se tornar com o uso de IA.

Leia mais: IA e eficiência: qual é a fórmula do sucesso?

A mão que segura a pena

Uma das preocupações de artistas, escritores e até mesmo músicos e compositores em relação ao uso de IA para a criação de obras é a possibilidade de plágio. Uma vez que os modelos de linguagem utilizam referências disponíveis na internet ou em um banco de dados, as ferramentas podem explorar imagens e textos sem o consentimento ou conhecimento de seus criadores.

É o caso, por exemplo, de uma música intitulada “Heart On My Sleeve” que utilizava vocais dos cantores Drake e The Weekend a partir de demais canções dos artistas. Pouco depois da música viralizar nas plataformas de streaming de música, a gravadora Universal Music Group a retirou de circulação.

No dia 8 de agosto, a Amazon retirou cinco livros gerados por Inteligência Artificial de seu marketplace. Jane Friedman, autora norte-americana de diversos livros sobre o mercado editorial, foi informada por um leitor que desconfiava dos títulos que imitavam seu trabalho, utilizando seu nome com títulos fraudulentos. Alguns dos livros falsos publicados com seu nome como autora foram “Como Escrever e Publicar um E-book Rapidamente e Ganhar Dinheiro” e “Um Guia Passo a Passo para Criar E-books Atraentes, Construir uma Plataforma de Autor Próspera e Maximizar a Lucratividade”. Friedman declarou ao jornal britânico The Guardian que a fraude era como uma violação, uma vez que os materiais que levavam seu nome eram de baixa qualidade.

Esta não foi a primeira vez que leitores e autores identificaram livros escritos com uso de IA na plataforma. Em maio, reportagem do Washington Post mostrou a história de Chris Cowell, desenvolvedor de software norte-americano que, pouco antes de lançar um livro técnico, descobriu que outro livro já havia sido publicado sobre a mesma temática. O título também era igual ao seu, mas ao pesquisar o nome da suposta autora, nada encontrou.

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Já o artista Jason M. Allen inscreveu sua obra “Théâtre d’Opéra Spatial” feito com o Midjourney – ferramenta de IA generativa geradora de imagens – no concurso anual da Feira Estadual do Colorado de 2022. A pintura digital foi vencedora da categoria destinada a artistas digitais. Os competidores se enfureceram e o acusaram de trapacear o torneio. Allen, no entanto, disse que deixou claro no momento da inscrição da obra de que se tratava de uma pintura feita por IA. Seu trabalho foi dar o prompt, ou comando, correto para que a ferramenta chegasse no resultado digital. Os jurados do concurso desconheciam o Midjourney, mas afirmaram que teriam concedido o prêmio mesmo assim, já que a categoria permitia qualquer prática artística que utilizasse tecnologia digital como parte do processo criativo ou da apresentação da obra.

Poucos meses depois, em março de 2023, o artista alemão Boris Eldagsen ganhou o Sony World Photography Awards com uma imagem gerada com a ajuda de IA com a obra “Pseudoamnésia: O Eletricista”. O júri o acusou de ter mentido sobre o processo criativo da fotografia, mas Eldagsen afirmou ter sido transparente sobre o uso de IA. Em seguida, o artista recusou o prêmio, afirmando que seu desejo era descobrir se as competições de fotografia estão preparadas para o desafio imposto pela IA.

Chora, Photoshop!

O público também não tem apreciado obras criadas por IA em detrimento a pinturas, canções e livros produzidos por pessoas reais. Em março, os frequentadores do Museu Mauritshuis, nos Países Baixos, criticaram a decisão dos gestores do museu em expor uma obra feita com o uso de IA.

O famoso “Garota com Brinco de Pérola” (1665), de Johannes Vermeer havia sido emprestado a outro museu, o Rijksmuseum. Durante a ausência do quadro, a instituição promoveu um concurso chamado “My Girl with a Pearl”, no qual artistas poderiam submeter suas próprias criações inspiradas na obra de Vermeer. Das 3.480 obras inscritas no concurso, 170 foram selecionadas para serem expostas – entre elas, uma criada com IA. Além de acusações de plágio, frequentadores e internautas afirmaram que o artista que submeteu a obra substituiu alguém que dedicou tempo e esforço para desenhar e pintar.

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Nas redes, perfis estão respondendo aos avanços de IA e da arte digital com bom humor e até se dedicando a mostrar e valorizar artes manuais, como pinturas, lettering, esculturas e músicas. É o caso do artista Filipe Grimaldi (@filipegrimaldi) que faz uma série de vídeos reagindo aos trabalhos de diversos artistas no Brasil e no mundo. É o caso, por exemplo, de cartazistas responsáveis por preparar os anúncios de produtos nos supermercados, como os da Ana Vitoria, mais conhecida como Ana Cartazista (@anacartazista), que já tem mais de 80 mil seguidores no Instagram. Ao final de cada vídeo, Grimaldi lançou o jargão “chora, Photoshop!”.

Já o perfil “Weird AI Generations” no Twitter (@weirddalle) vem mostrando várias imagens criadas com ferramentas de IA como o Midjourney e DALLE. A maioria são composições absurdas como o chef Gordon Ramsey afundando em areia movediça, ou o Olho de Sauron do filme “O Senhor dos Aneís” lendo jornal. Os prompts são simples e diretos, ou seja, sem dar tantos detalhes para a IA gerar imagens corretas e organizadas.

Há ainda uma infinidade de canais no Youtube criando músicas com vozes de diferentes artistas. Por exemplo, há uma versão da música “Modo Turbo”, das cantoras brasileiras Luísa Sonza, Anitta e Pabllo Vittar, cantada pelas artistas internacionais Lana Del Rey, Ariana Grande e Melanie Martinez.

Enquanto os grevistas de Hollywood superam a marca de cem dias de paralisação, ainda resta ver o quanto a IA, de fato, impactará as profissões criativas e como as instituições irão lidar com o surgimento de ferramentas cada vez mais inteligentes, rápidas e eficientes.



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