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Quais são as habilidades essenciais na “década da desorientação”?

Quais são as habilidades essenciais na “década da desorientação”?

O maior desafio do momento não está apenas em dominar a tecnologia, mas em mudar a forma de trabalhar. Veja as habilidades que você precisa desenvolver agora.
O maior desafio do momento não está apenas em dominar a tecnologia, mas em mudar a forma de trabalhar. Veja as habilidades que você precisa desenvolver agora.
Foto: Shutterstock.
A IA já é requisito básico no trabalho, mas o diferencial está em como usá-la em um cenário de mudanças rápidas e excesso de informação. Nesse contexto, ganham destaque habilidades como pensamento crítico, foco, comunicação e colaboração, essenciais para lidar com problemas complexos e tomar decisões mais consistentes. Entenda essas qualidades e saiba o que já está sendo exigido e aquilo que não é mais tendência.

Inteligência Artificial, mudanças rápidas, excesso de informação, pressão constante por adaptação. Estamos vivendo o que especialistas chamam de “década de desorientação“. É nesse ambiente que a tecnologia está transformando profundamente a rotina profissional. A IA já automatiza tarefas, acelera processos e amplia a capacidade de produção das empresas.

Mas, entre os profissionais, cresce a sensação de estarem sempre correndo atrás do atraso, lidando com incertezas sobre o futuro e enfrentando dificuldades para avançar em suas tarefas.

Esse paradoxo foi um dos pontos centrais discutidos no SXSW 2026, um dos principais eventos globais de inovação, tecnologia e comportamento, realizado em março em Austin, nos Estados Unidos. Reconhecido por antecipar tendências que rapidamente impactam o mercado, o encontro trouxe um alerta claro: o desafio atual não é apenas acompanhar a tecnologia, mas adaptar a forma de trabalhar a um cenário mais complexo do que no passado.

Durante o evento, os pesquisadores Kai Riemer e Sandra Peter, da Universidade de Sydney, destacaram mudanças em curso nas organizações que explicam por que o trabalho se tornou, ao mesmo tempo, mais intenso e mais difuso. Na prática, a ideia reforça a percepção de que já não basta dominar ferramentas. É preciso desenvolver novas habilidades para lidar com um ambiente mais dinâmico, interdependente e menos previsível.

A exigência de novas formas de pensar

Para Carol Garrafa, neurocientista e especialista em comportamento e formação de equipes de alta performance, a tecnologia aumentou a velocidade, mas não necessariamente a clareza. “As pessoas lidam com mais informação, mais decisões e pressão, tudo ao mesmo tempo. E isso exige preparo para priorizar melhor, analisar com maior senso crítico e tomar decisões com mais segurança”, diz.

Um dos principais movimentos no mercado é a mudança na natureza dos problemas. Eles deixaram de ser lineares e passaram a envolver múltiplas áreas, interesses e variáveis ao mesmo tempo. Por isso, ganha força o pensamento sistêmico, ou seja, a capacidade de enxergar conexões, entender impactos e tomar decisões considerando o todo

“Hoje, os problemas raramente estão isolados. Eles envolvem diferentes áreas e contextos. Quem não consegue enxergar essas conexões tende a simplificar demais e tomar decisões piores”, explica Carol. “Além disso, nem sempre haverá respostas claras. Portanto, saber interpretar cenários e deliberar com segurança se torna cada vez mais importante.”

Carol Garrafa, neurocientista, CEO e fundadora da consultoria Santé.

Usar IA virou básico, onde está o diferencial?

Com a IA cada vez mais presente no dia a dia, saber utilizar essas ferramentas deixa de ser um diferencial e passa a ser o mínimo esperado. O que muda é o tipo de habilidade valorizada. Em vez de execução pura, cresce a importância da capacidade de interpretar, questionar e validar o que a tecnologia entrega.

“A IA entrega rápido e com aparência de qualidade, mas isso pode levar a decisões superficiais. O profissional precisa desenvolver senso crítico para analisar e não apenas aceitar o que recebe”, afirma Carol.

A especialista avalia que este cenário também impacta diretamente o desenvolvimento de profissionais mais jovens. “Com menos contato com o processo de construção do conhecimento, o aprendizado pode se tornar mais rápido, porém menos profundo”, alerta a neurocientista. “Isso porque aprender envolve esforço, erro e reflexão. Quando tudo vem pronto, existe o risco de formar profissionais com menos repertório.”

Por isso, indica Carol, a alfabetização em IA se consolida como uma habilidade essencial. Não apenas para usar ferramentas, mas para interpretar, questionar e tomar decisões mais consistentes.

Mais clareza e comunicação

Outro ponto que merece atenção é o desalinhamento entre o que as empresas esperam e o que os profissionais consideram adequado como forma de trabalho. Diferenças de visão sobre produtividade, autonomia e presença física têm gerado ruídos cada vez mais frequentes, segundo a especialista.

“Quando não há clareza, cada pessoa opera com uma lógica própria. Isso gera retrabalho, desgaste e uma sensação constante de desconexão entre esforço e resultado”, afirma Carol. “A chave, então, é comunicação clara, alinhamento de expectativas e capacidade de negociação, que passam a ser cada vez mais valorizadas.”

Mais informação, menos foco

Se por um lado a tecnologia ampliou o acesso à informação, por outro ela trouxe um novo desafio: a dificuldade de manter o foco. Hoje, o trabalho acontece em meio a múltiplos estímulos simultâneos. Mensagens, reuniões, e-mails e conteúdos competem pela atenção ao longo do dia.

“Existe uma sensação de produtividade porque as pessoas estão sempre ocupadas. Mas isso nem sempre se traduz em qualidade. Sem foco, a tendência é tomar decisões mais rápidas e menos consistentes”, explica Carol. “Nesse contexto, a capacidade de priorizar e sustentar a atenção passa a ser uma habilidade central para o desempenho.”

Colaboração, confiança e escala

À medida que os desafios se tornam mais complexos, cresce também a necessidade de colaboração entre áreas. Soluções deixam de ser individuais e passam a depender da integração de diferentes perspectivas. Isso exige maior capacidade de articulação, mas também ambientes baseados em confiança.

“Sem confiança, o trabalho se torna mais lento e defensivo. As pessoas deixam de colaborar de forma aberta e passam a se proteger, o que impacta diretamente o resultado”, afirma Carol. “Ao mesmo tempo, com o apoio da tecnologia, tudo ganha escala rapidamente. Uma decisão tomada por uma área pode impactar toda a organização, ampliando a responsabilidade sobre a qualidade dessas deliberações.”

O que não é mais tendência

A transformação provocada pela IA já é visível na rotina das empresas. O que se observa é uma mudança gradual e, muitas vezes, silenciosa nas exigências do trabalho. Habilidades como pensamento sistêmico, alfabetização em IA, capacidade de lidar com complexidade, colaboração entre áreas, construção de confiança, people skills e resolução de problemas em escala já começam a definir o desempenho profissional.

“Muita gente ainda acha que precisa apenas aprender a usar uma nova ferramenta ou fazer um MBA. Mas o que está em jogo é a forma de trabalhar. E isso exige ajustes mais profundos no dia a dia”, alerta Carol Garrafa. “Profissionais que conseguem perceber esse movimento mais cedo tendem a se adaptar com mais consistência e ter mais sucesso.”

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