Uma nova dinâmica social vem ganhando espaço entre os jovens. O tradicional happy hour no bar começa a dividir atenção com aulas de yoga, spinning e encontros em torno do bem-estar fitness. Nas redes sociais, aplicativos como GymRat transformaram atividade física em hábito compartilhado e competitivo. O que para outras gerações ainda soa como novidade, para a Geração Z já virou rotina e sinaliza uma mudança profunda no comportamento de consumo.
Se durante anos redes sociais, vídeos curtos e plataformas digitais dominaram o tempo livre das pessoas, sair da tela para viver experiências no mundo real já se consolida entre os mais jovens como prioridade. É o que revela o novo relatório global do Strava, plataforma voltada para pessoas ativas. O documento aponta que a Geração Z está trocando o consumo passivo de conteúdo por corrida, caminhada, musculação, clubes esportivos e conexões presenciais.
O 12º Relatório Anual de Tendências do Ano no Esporte analisou bilhões de atividades por mais de 180 milhões de usuários em mais de 185 países.
Atividade física simboliza identidade
Segundo o estudo, mais da metade da Geração Z pretende usar ainda mais o Strava em 2026, enquanto a maioria afirma que deve manter ou reduzir o uso de plataformas como Instagram e TikTok. Correr uma prova, participar de um clube de caminhada ou registrar evolução em treinos de força passou a representar algo maior: identidade.
A Geração Z, revela o estudo, tem 75% mais probabilidade do que a Geração X de dizer que sua principal motivação para o exercício é uma corrida ou evento.
“A Geração Z é a demografia que mais cresce no Strava, sabemos que eles estão em busca de experiências reais, e não de mais tempo olhando para telas. Esta geração está reescrevendo as regras, e estamos comprometidos em construir uma plataforma que mantenha as pessoas conectadas e se movendo juntas pelas próximas gerações”, conclui Michael Martin, CEO do Strava.
Fitness vira prioridade de consumo
Mesmo pressionados pela inflação, os jovens não abriram mão de investir em saúde e performance. O levantamento mostra que 65% da Geração Z relatam impacto direto da alta de preços, mas, ainda assim, 30% planejam aumentar os gastos com fitness em 2026.
Em vez de cortar gastos nessa categoria, muitos consumidores passaram a enxergar atividade física como investimento essencial. O estudo também mostra que 64% dos jovens preferem gastar dinheiro com equipamentos esportivos do que em encontros. Para o mercado, isso ajuda a impulsionar segmentos como wearables, vestuário esportivo, academias, suplementos e experiências ligadas ao bem-estar.
O fitness também se consolidou como ambiente de relacionamento. Segundo a pesquisa, 39% da Geração Z usam atividades físicas para conhecer pessoas com interesses em comum, enquanto 46% aceitariam um primeiro encontro envolvendo treino ou esporte.
O avanço dos clubes reforça essa leitura. O número de novos grupos criados no Strava quase quadruplicou em 2025, levando a plataforma à marca de 1 milhão de clubes. Entre os destaques, os grupos de caminhada cresceram 5,8 vezes e os de corrida, 3,5 vezes. Na prática, academias, assessorias esportivas, parques e eventos de rua passam a disputar um papel antes ocupado por bares, aplicativos de relacionamento e espaços tradicionais de lazer.
Consumidor quer variedade e flexibilidade
Outro ponto relevante do relatório é a diversificação dos hábitos esportivos e fitness. Embora a corrida siga como principal modalidade, a caminhada assumiu o segundo lugar entre as atividades mais registradas na plataforma. Além disso, 54% dos usuários acompanham múltiplos esportes.
O consumidor atual busca flexibilidade, variedade e jornadas personalizadas. Esse perfil tende a valorizar marcas que ofereçam ecossistemas completos, serviços complementares e liberdade de escolha. De acordo com o estudo, 46% dos entrevistados afirmam que usariam Inteligência Artificial como treinador esportivo.
Já os wearables aparecem entre os principais investimentos em fitness, enquanto 72% dos usuários globais registram treinos diretamente pelo celular. No Brasil, esse índice chega a 89%. O avanço mostra como dados, recomendações inteligentes e acompanhamento em tempo real se tornaram parte da experiência esperada pelo consumidor.
Para empresas, o desafio não é apenas digitalizar serviços, mas entregar relevância contextual e personalização em escala. O relatório também mostra a força do mercado brasileiro dentro dessa nova dinâmica global. Além do alto uso do celular como principal ferramenta de registro, São Paulo lidera rankings nacionais em corrida e ciclismo, enquanto o Rio Grande do Sul aparece como o estado mais rápido do País, com pace médio abaixo de seis minutos por quilômetro.
Experiências e jornadas fitness
Saúde, pertencimento, experiências reais e evolução pessoal passaram a disputar espaço com entretenimento digital e consumo tradicional. E esse movimento ganha ainda mais relevância no Brasil. Segundo o Sebrae, a Geração Z já representa 20% dos brasileiros e ocupa parcela importante da população economicamente ativa, o que amplia seu peso nas decisões de mercado e nas estratégias de crescimento das empresas.
Para dialogar com esse público, não basta presença digital. Essa geração espera posicionamento claro das marcas, valoriza sustentabilidade, transparência e compromisso com causas sociais e ambientais. Ao mesmo tempo, são consumidores acostumados à velocidade. Para o Sebrae, por serem nativos digitais, essa população espera jornadas simples, fluidas e sem atritos. Conveniência deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico.
A experiência também ocupa papel decisivo. Para essa geração, produtos e serviços precisam vir acompanhados de personalização, exclusividade e alto nível de atendimento.





