Hoje, o mundo do trabalho convive com quatro gerações simultaneamente. E a Alpha já está virando a esquina, prometendo novos comportamentos guiados pela naturalização da tecnologia desde o berço. O desafio das lideranças, portanto, é trocar o conflito pela troca geracional. Esse foi um dos pontos discutidos e aprofundados no Consumidor Moderno Experience Summit 2026, realizado em Dubrovnik, na Croácia.
“Esses cortes geracionais trazem diferentes lentes de pessoas e concepções diferentes sobre trabalho, sucesso, do que é dar certo, tudo em um mesmo ambiente de trabalho”, explica Marina Roale, sócia e head de Insights do Grupo Consumoteca. “A gente tem um desafio de criar um vocabulário, ambiente e rituais em comum. Para uma geração aprenda com o melhor da outra, e não o contrário.”
Para a especialista, isso passa também por olhar para as gerações além de seus estereótipos. A Geração Z, por exemplo, é até hoje vista como pessoas que tem aversão à liderança e com dificuldades de socialização. Mas, na realidade, esse grupo está atendo aos Millennials, que chegaram antes, trilharam a carreira como parte de sua identidade, e não conseguiram atingir o sucesso esperado. “Precisamos olhar menos para os Zs como essa recusa à liderança, e mais como uma recusa ao modelo de trabalho.”
Inventar futuro
Para Michel Alcoforado, antropólogo e autor do livro Coisa de Rico, esse novo cenário demanda a construção de novas habilidades pelas lideranças. A primeira delas é formar um “colchão comum”, de forma que os pilares da cultura consigam reconhecer as diferenças entre as pessoas, mas sem afastar umas das outras.
Já a segunda habilidade primordial é o que Michel chama de “inventar futuro”. “O grande dilema de 2026 é que você não consegue prever o que vai ser a sua vida ano que vem, nem imaginar a sua vida daqui 10 anos.” O caminho passa pelas lideranças saberem colocar para as equipes qual é o futuro que a empresa imagina e trabalhar em prol disso.
Mais do que isso, é previso reinventar os projetos de vida em um mundo que não está mais dado. O antigo modelo em que o jovem cresce, estuda, casa e trabalha na mesma empresa por décadas já não é mais válido. “Está no seu colo construir sentido para a vida”, afirma Michel.





