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Para 81% da GenZ, o preço vem antes da marca no Carnaval

Para 81% da GenZ, o preço vem antes da marca no Carnaval

O Carnaval da GenZ não é apenas uma festa: é uma operação emocional, logística e digital cuidadosamente orquestrada.
O Carnaval da GenZ não é apenas uma festa: é uma operação emocional, logística e digital cuidadosamente orquestrada.
Foto: Shutterstock.
A pesquisa do InstitutoZ mostra que a Geração Z vive o Carnaval com estratégia e racionalidade, priorizando funcionalidade, custo-benefício e cuidado com o corpo. Consumo, transporte e conectividade são planejados para garantir segurança e intensidade na experiência. Para a GenZ, a festa só é boa quando tudo funciona – logística, saúde e infraestrutura digital incluídas.

É curioso observar como, para muitas pessoas, o Carnaval ainda é entendido como um fenômeno puramente espontâneo: aquele encontro fortuito na rua, o bloco que muda de trajeto, o improviso como regra. Mas, quando mergulhamos no comportamento da Geração Z, percebemos que a história é outra. E não se trata de uma ruptura com a festa, mas de uma transformação profunda na forma como ela é vivida.

O InstitutoZ, núcleo de estudos da Trope-se, dedicou seu mais recente levantamento a responder uma pergunta simples, porém reveladora: como é o Carnaval para a GenZ? O que encontramos foi um conjunto de práticas, prioridades e escolhas que mostram uma geração que ama a festa, mas que a vive com racionalidade, estratégia e uma consciência muito diferente das anteriores.

A grande verdade é que, para a GenZ, o Carnaval só vale a pena quando funciona. E essa funcionalidade atravessa todos os aspectos: consumo, corpo, deslocamento e conexão. Nada é aleatório, tudo é parte de uma engrenagem que precisa rodar bem para que a experiência seja intensa.

O estudo aponta que o maior gasto do Carnaval, para a GenZ, é com bebida (média de 5,75 pontos), seguido por comida (5,34 pontos). Ou seja: antes de qualquer vaidade ou sofisticação, o foco é manter o corpo de pé por horas de festa sob sol forte, multidões e longos deslocamentos.

Mais do que isso: 61% da Geração Z gasta entre R$ 101 e R$ 600 no período, sempre avaliando o custo-benefício. E o dado que melhor traduz essa mentalidade é o seguinte: 81% escolhem bebidas pelo preço, não pela marca. Não é desinteresse por marcas, é pragmatismo. A festa é intensa, mas não impulsiva. Não há glamour em pagar mais pelo mesmo efeito. Há uma lógica de eficiência que rege o consumo.

Um dos achados mais reveladores da pesquisa é que a GenZ tem plena consciência do desgaste físico que o Carnaval impõe e reage a isso com preparação:

  • 84% usam protetor solar;
  • 63% usam protetor labial;
  • 47% levam hidratante;
  • 41% carregam analgésicos.

Esse comportamento desmonta a ideia de que a Geração Z vive o Carnaval no improviso. O corpo é uma ferramenta essencial para curtir, e cuidar dele é parte da estratégia. Até elementos estéticos ganham novas camadas de funcionalidade. O glitter, símbolo estético máximo da folia, aparece aqui como marcador de performance, pensado para resistir ao calor e ao suor. E a autonomia é uma marca: 83,8% fazem a própria maquiagem. Não é apenas sobre estética, é sobre controle, praticidade e independência.

Falando de transporte, para as gerações anteriores, mobilidade era um detalhe. Para a GenZ, é parte estrutural da festa, tanto que os dados revelam uma lógica quase operacional:

  • 76,6% usam aplicativos de transporte;
  • 70,6% pegam caronas com amigos.

Por que isso? O levantamento traz a resposta:

  • 81% escolhem transporte pelo preço;
  • 70,6% pela praticidade;
  • 53,5% pela segurança.

A ideia de que “qualquer caminho serve” não encontra eco na GenZ. Essa geração calcula rotas, avalia horários, toma decisões de deslocamento como quem gerencia operações. O transporte deixa de ser acessório: é mecanismo de proteção, parte da engenharia de viver a festa com segurança.

Entre todos os dados da pesquisa, talvez o conjunto mais simbólico seja o da infraestrutura digital. Porque, para a GenZ, a conexão não é luxo: é sobrevivência social no Carnaval.

  • 96% usam WhatsApp para coordenar grupos;
  • 83% usam Instagram para registrar e acompanhar;
  • 69% usam Uber;
  • 63% usam Maps;
  • Apps de música também entram no ecossistema.

Mas nem tudo funciona: mais da metade já ficou sem conexão durante a festa. Consequência disso? 61% compram internet extra para não correr o risco de ficar offline. Perder o sinal não significa só perder comunicação, significa perder o bloco, perder o grupo, perder a experiência. Para essa geração, estar conectado é estar seguro.

Quando colocamos todas as peças juntas, vemos um retrato muito claro: a GenZ quer viver o Carnaval intensamente, mas quer viver bem. Quer liberdade, mas com logística. Quer presença física, mas com proteção. Quer espontaneidade, mas com estratégia. Esse comportamento não é excesso de cautela; é maturidade cultural.

É o entendimento de que a festa só é boa quando não vira risco, quando não vira estresse, quando não depende “da sorte”. É a celebração da autonomia: saber cuidar de si para poder aproveitar o coletivo. E isso diz muito sobre o futuro da cultura brasileira.

Há quem interprete esses dados como “falta de entrega”, “falta de caos”, “falta de improviso”. Mas eu vejo exatamente o contrário. Vejo uma geração que se conecta profundamente com o Carnaval, mas que também se conecta profundamente com seu tempo. Um tempo de hiperconsciência, hiperexposição, hiperlogística. A GenZ não reduz a festa: ela a amplifica. Ela prolonga, protege, prepara, organiza.

Ela adiciona camadas ao Carnaval: físicas, emocionais, digitais e sociais. E isso, longe de diminuir a experiência, a fortalece. O Brasil muda. A cultura muda. E o Carnaval muda com eles. Esses dados devem servir como alerta e oportunidade. Se queremos falar com essa geração, ou atendê-la, precisamos entender que:

  • Consumo precisa ter propósito e eficiência;
  • Branding não sobrevive sem preço competitivo;
  • Saúde e cuidado são parte da experiência;
  • Mobilidade é fator crítico de segurança;
  • Conexões estáveis são imprescindíveis;
  • A festa depende de uma infraestrutura física e digital integrada.

A GenZ não romantiza estruturas falhas. Ela exige o mínimo para viver o máximo. E isso é uma boa notícia. Porque as gerações que sabem o que querem, e que sabem como se cuidar, constroem futuros mais sólidos.

Em resumo, a pesquisa do InstitutoZ nos mostra que o Carnaval da GenZ não é apenas uma festa: é uma operação emocional, logística e digital cuidadosamente orquestrada. Não porque eles são menos espontâneos, mas porque entendem que a melhor versão da festa só acontece quando tudo funciona. E, no fundo, talvez esse seja o recado mais poderoso dessa geração: a alegria pode, e deve, ser levada a sério.

Luiz Menezes é fundador da Trope-se, consultoria de Geração Z que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócio. Luiz é nativo digital, creator, apresentador, empresário e empreendedor.

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