Em 2012, quando o LinkedIn desembarcou oficialmente no Brasil, muita gente ainda associava a plataforma apenas à busca por emprego. Ele era visto como um currículo online e a aderência a ele se dava por pura formalidade profissional.
Ter um perfil ativo, muitas vezes, era visto até com certa desconfiança. Afinal, por que alguém empregado estaria em uma rede profissional?
Hoje, podemos dizer que assim como os seus usuários, a rede profissional aperfeiçoou suas “habilidades”.
O LinkedIn acaba de alcançar a marca de 100 milhões de usuários no Brasil, um número que coloca o país como o terceiro maior mercado da plataforma no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.
A comunidade já se aproxima do tamanho da própria população economicamente ativa brasileira, estimada em cerca de 108 milhões de pessoas. Ou seja, a atual penetração da rede social está próxima de 90%.
Mais do que um número simbólico, esse marco ajuda a contar a história de como o trabalho mudou no Brasil e de como os profissionais passaram a construir suas carreiras muito além do currículo.
“Nos últimos anos, vimos a carreira deixar de ser um percurso linear para se tornar uma jornada contínua de aprendizado, desenvolvimento de habilidades, construção de reputação e geração de oportunidades”, afirmou Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina.
O LinkedIn deixou de ser uma plataforma de empregos
Quando a operação brasileira começou, a plataforma tinha cerca de 5 milhões de usuários.
Naquele momento, o principal desafio era convencer profissionais de que fazia sentido criar um perfil em uma rede voltada para o mundo do trabalho.
“No começo eu visitava as empresas na tentativa de convencer os profissionais a entrarem na plataforma. As lideranças diziam que não era bom para a imagem ter um perfil em uma plataforma de busca de empregos, porque poderia parecer que ele estava procurando vagas. E não queriam que os funcionários entrassem, porque assim seriam vistos e poderiam receber propostas”, conta Milton.

Hoje, o LinkedIn reúne mais de 1,3 bilhão de usuários globalmente, 100 milhões no Brasil e, diariamente, recebe entre 8 mil e 12 mil novos perfis na plataforma no País.
No Brasil, o comportamento dos usuários mostra que a plataforma se tornou muito mais do que um espaço para recrutamento.
Somente no último trimestre, brasileiros publicaram mais de 11 milhões de conteúdos originais e geraram cerca de 400 milhões de interações entre curtidas, comentários, compartilhamentos e outras formas de engajamento.
Os números ilustram como o LinkedIn deixou de ser um lugar para procurar vagas e se tornou uma comunidade engajada. “Quem cresce na plataforma cresce pela generosidade. Pelo que sabe e pelo que está disposto a compartilhar com outras pessoas”, afirmou Rafael Kato, head editorial do LinkedIn para mercados que não falam inglês.
O profissional virou criador de conteúdo
Em um ambiente cada vez mais competitivo e impulsionado por Inteligência Artificial, a capacidade de compartilhar experiências reais passa a ter ainda mais valor. Para Kato, os conteúdos que geram maior conexão são justamente aqueles que compartilham aprendizados reais, experiências profissionais e reflexões capazes de ajudar outras pessoas.
A mudança também reflete uma transformação mais ampla do mercado. Se antes as empresas eram as principais responsáveis por comunicar suas histórias, hoje profissionais e lideranças assumem um papel cada vez mais relevante na construção da reputação das organizações e de si próprios.
Executivos produzem conteúdo, enquanto especialistas compartilham aprendizados e funcionários se tornam embaixadores de suas empresas. E o público presta atenção, principalmente as novas gerações.
“Hoje as pessoas querem saber com quem vão trabalhar. Querem conhecer quem é o líder, quem é o CEO, quem são as pessoas por trás daquela empresa”, explicou Beck.
O trabalho mudou (e o LinkedIn também)
A evolução da plataforma acompanha a transformação do próprio mercado de trabalho.
Carreiras deixaram de ser lineares e as mudanças de área se tornaram cada vez mais comuns. E a Inteligência Artificial acelerou ainda mais esse processo.
Dados apresentados pelo LinkedIn mostram que 83% dos brasileiros enxergam a IA como uma ferramenta capaz de agregar valor ao trabalho. Além disso, 42% afirmam conhecer e confiar na tecnologia, enquanto o uso diário de Inteligência Artificial nas empresas cresceu 74% no último ano.
Para Ana Cláudia Plihal, diretora de Talent Solutions do LinkedIn no Brasil, a tecnologia está provocando uma mudança importante na forma como as empresas contratam.
Durante décadas, diplomas, cargos anteriores e empresas onde o profissional trabalhou funcionaram como os principais filtros dos processos seletivos. Agora, o foco começa a migrar para competências e habilidades.
“A Inteligência Artificial permitiu que tivéssemos uma conversa mais profunda sobre habilidades. Estamos deixando de olhar apenas para formações e começando a olhar para aquilo que as pessoas realmente sabem fazer”, explicou.
A mudança amplia as possibilidades para profissionais que desenvolveram conhecimentos por caminhos menos tradicionais e ajuda a democratizar o acesso a oportunidades.
O poder da confiança
Se a Inteligência Artificial está mudando a forma como as empresas contratam, ela também está transformando a maneira como marcas e profissionais constroem reputação.
Para Ana Moisés, diretora de Marketing Solutions do LinkedIn no Brasil, a ascensão das ferramentas generativas criou um cenário em que produzir conteúdo se tornou mais fácil e acessível.
Mas isso não tornou as pessoas menos importantes, muito pelo contrário. “A confiança passou a ocupar o centro da estratégia. As LLMs entenderam que precisavam trazer conteúdo de gente real, de fontes críveis. O LinkedIn hoje é o número um em indexação das inteligências artificiais”, contou.
Segundo ela, à medida que a IA democratiza a criação de conteúdo e a produção publicitária, cresce a importância de vozes humanas capazes de transmitir credibilidade, conhecimento e experiência real.
É por isso que executivos, especialistas e criadores de conteúdo B2B assumem um papel cada vez mais relevante dentro das organizações. Eles ajudam a construir confiança em torno dela e essa confiança influencia desde decisões de compra até escolhas de carreira.
Vídeo, IA e a nova geração profissional
Outro movimento observado pela plataforma é o crescimento acelerado do vídeo.
Tradicionalmente associado às redes voltadas ao entretenimento, o formato invade e conquista seu espaço também no ambiente profissional.
A explicação está na mudança de comportamento das novas gerações e na forma como as pessoas consomem informação.
Segundo o LinkedIn, não existe um formato único para o sucesso. Texto, imagem, carrossel e vídeo convivem dentro da plataforma. Mas o avanço do vídeo reforça como os profissionais querem consumir conteúdo de forma mais próxima, humana, acessível e, principalmente, rápida.
Ao mesmo tempo, a empresa observa uma convivência cada vez mais natural entre diferentes gerações dentro da rede.
Ao contrário de outras plataformas digitais, que costumam ser associadas a públicos específicos, o LinkedIn reúne desde jovens em início de carreira até executivos, empreendedores e profissionais mais experientes. A vida profissional se tornou um ponto de encontro entre diferentes gerações.
Os próximos milhões
“O marco dos 100 milhões acontece em um momento particularmente simbólico”, reforça Milton. A Inteligência Artificial está redefinindo profissões, enquanto novas habilidades surgem em velocidade nunca antes vista. Por isso, o aprendizado contínuo se tornou uma necessidade.
“São 100 milhões de usuários e 100 milhões de jeitos de utilizar o LinkedIn, porque cada um tem o seu“, conta Milton. Seja para se buscar uma vaga, conhecer pessoas, se informar, entender sobre o mercado ou conquistar autoridade, os brasileiros estão cada vez mais presentes no LinkedIn. E, conforme esse número cresce, cresce também as possibilidades de uso. É por isso que o futuro parece tão promissor para a rede.





