- Estudo mostra que 71% dos consumidores pretendem comprar no 11.11 e na Black Friday.
- Para 44%, o frete grátis pesa mais do que o desconto no preço.
- Metade pretende parcelar as compras, e o Pix já alcança 42% das preferências.
- 54% querem usar IA para pesquisar produtos, comparar preços ou receber alertas.
- O Mercado Livre prepara mais de R$ 100 milhões em cupons e 37 milhões de anúncios promocionais.
A Black Friday ainda está no calendário, mas já não cabe mais em uma única sexta-feira. Neste ano, 71% dos entrevistados pelo Mercado Pago planejam comprar tanto no 11.11 quanto na Black Friday. Em 2025, eram 23%. Em apenas um ano, a diferença entre as duas datas diminuiu a ponto de elas praticamente formarem uma temporada de promoções.
E novembro não será usado apenas para aproveitar descontos. Entre os participantes, 73% querem antecipar os presentes de Natal e 56% planejam usar a primeira parcela do 13º salário nas compras.
Os dados fazem parte do Panorama de Consumo 2026, estudo realizado com 3.345 usuários do Mercado Livre e do Mercado Pago. Como todos os entrevistados já utilizam as plataformas, os resultados não representam necessariamente toda a população brasileira. Mas mostram como um consumidor acostumado às compras on-line está organizando seu fim de ano.
“Hoje, a Black Friday é parte de um calendário de consumo que começa antes da data e segue depois dela”, afirma André Castilho, diretor sênior de Marketplace do Mercado Livre.
O dinheiro já está separado
Antes de abrir o aplicativo e procurar as ofertas, parte dos consumidores fez aquilo que nem sempre combina com a imagem de uma grande data promocional: planejou.
Entre os entrevistados, 86% se prepararam financeiramente para a Black Friday e 44% já guardaram dinheiro especificamente para o período.
A Geração Z aparece como a mais preparada. Entre os jovens, 50% separaram quantias para o período, contra 41% nas demais faixas etárias. Eles recorrem mais ao Pix: 44% indicam o meio como principal forma de pagamento.
Ou seja, descobrir um produto no feed e decidir rapidamente que ele precisa entrar no carrinho não significa, necessariamente, comprar sem pensar. Pelo menos uma parte dos jovens chega à temporada com dinheiro guardado e alguma ideia do quanto pode gastar.
Parcelar continua nos planos
Mesmo com a organização, o crédito continuará importante, porque metade dos entrevistados pretende parcelar suas compras. Entre eles, 64% devem dividir o pagamento em até seis vezes e 33% procuram prazos maiores.
O interesse aumenta junto com o valor do carrinho. Entre aqueles que esperam gastar mais de R$ 5 mil, 55% querem parcelar em 12 vezes ou no maior número possível sem juros.
O cartão de crédito permanece na liderança, citado por 46% dos consumidores. Mas o Pix, incluindo sua modalidade parcelada, já aparece com 42%, crescimento de 13 pontos percentuais em relação a 2025.
“O cartão continua sendo o meio de quem planeja compras de maior valor. Quanto maior o tíquete, maior a busca por parcelamento longo. Ao mesmo tempo, o Pix avança como escolha à vista”, afirma Felipe Castaño, diretor sênior de Growth e Marketing do Mercado Pago.
Para acompanhar essa procura por prazo, o Mercado Livre oferecerá parcelamento em até 24 vezes sem juros no cartão Mercado Pago a partir de 11 de novembro. A condição estará disponível para produtos selecionados.
O desconto chama, mas o frete decide
O consumidor pode até chegar atraído pelo percentual em vermelho, mas existe outro valor capaz de decidir a compra. Para 44% dos entrevistados, o frete grátis é o fator mais importante, à frente do próprio desconto no preço, citado por 40%.
O dado mostra por que uma promoção não termina no preço exibido na página. Ainda entram nessa conta o frete, o prazo de entrega, a forma de pagamento e, claro, o cupom que o consumidor espera encontrar antes de concluir o pedido.
Para 94% dos entrevistados, os cupons são relevantes, muito importantes ou decisivos. E a maioria de quem os utiliza, 66,2%, descobre as ofertas pelas notificações do próprio aplicativo do Mercado Livre.
Assim, o desconto também vira uma ferramenta para manter o consumidor atento ao app. A notificação chega, cria urgência e oferece uma nova razão para voltar, mesmo quando nenhuma compra estava planejada para aquele momento.
A IA ajuda, mas ainda não leva o carrinho sozinha
A Inteligência Artificial começa a ganhar espaço no processo de compras de fim de ano. Mais da metade dos entrevistados, 54%, pretende utilizar algum apoio da tecnologia para escolher produtos. Em 2025, era 48%.
Por enquanto, seu papel será bastante prático: 30,5% querem um assistente que ajude a procurar e comparar preços ou modelos, enquanto 10% esperam receber alertas sobre redução de preço, reposição de estoque ou disponibilidade de cupons.
A delegação completa ainda está distante. Apenas 6,5% permitiriam que um agente realizasse a compra, com ou sem uma confirmação final.
O consumidor aceita ajuda para pesquisar, comparar e monitorar, mas ainda quer decidir o que entra no carrinho e quando o pagamento será realizado. Pelo menos nesta Black Friday, a IA será mais assistente do que compradora.
Da televisão para o nécessaire
Os eletrodomésticos continuam como a categoria mais desejada, com 43,1% das intenções de compra. Mas a Black Friday está deixando de ser uma data associada apenas a televisores, celulares e outros eletrônicos.
Entre as mulheres, casa, móveis, decoração e moda lideram as preferências, mas entre os homens, os eletrônicos permanecem na primeira posição. Beleza ganhou mais espaço ao sair de 19% das intenções em 2025 para 23,5% neste ano.
É uma mudança relevante para o varejo, porque quanto mais categorias entram na Black Friday, aumenta a quantidade de empresas disputando o orçamento reservado para novembro.
O consumidor mostra que pode aproveitar o mesmo período para trocar um eletrodoméstico, comprar os presentes de Natal, renovar o guarda-roupa ou repor produtos de beleza. E até tudo isso junto, porque muitos se programaram financeiramente para isso.
Mercado Livre com mais de R$ 100 milhões em cupons
Diante desse consumidor que se prepara antecipadamente e distribui as compras por mais de uma data, o Mercado Livre preparou sua maior operação promocional. Serão mais de R$ 100 milhões em cupons e 37 milhões de anúncios com produtos em promoção. A empresa também promete triplicar a quantidade de ofertas com descontos superiores a 70% em relação ao ano passado.
O Selo Black Friday será mantido e aplicado aos produtos que estão em promoção e apresentam o menor preço dos últimos 60 dias. Segundo o Mercado Livre, as ofertas identificadas com a marcação têm, em média, descontos 30% maiores do que aquelas sem o selo.
Em 2026, a Black Friday se tornou uma competição para conquistar a atenção durante semanas. Nesse cenário, para as marcas já não basta apresentar o maior percentual de desconto. É preciso estar presente quando o consumidor começa a pesquisar, ajudá-lo a comparar, oferecer uma entrega que não destrua a oferta e garantir que a forma de pagamento caiba no orçamento.
O consumidor já entendeu que novembro oferece mais de uma chance para comprar. A disputa das marcas será mostrar em qual delas realmente vale a pena fechar o carrinho.





