Você utiliza qual ferramenta para checar as informações que compartilha? Acredite se quiser, mas a resposta “nenhuma” está cada vez mais normal e também problemática. Em um mundo conectado e tecnológico, é comum conseguirmos respostas para quase tudo de forma fácil e rápida. No entanto, é fundamental checar se essas informações são verídicas antes de repassá-las para alguém, ou pior, postar na internet.
Com a força indiscutível da creator economy, a partir do momento que uma informação é postada e compartilhada pelos usuários nas redes sociais, torna-se impossível parar sua difusão ou controlar quem teve acesso ao conteúdo. Quando a informação é falsa, essa bola de neve pode gerar consequências mais sérias, pois uma grande quantidade de pessoas passam a acreditar no que chamamos de ‘fake news’ (notícias falsas).
De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, quase 90% da população do Brasil admite ter acreditado em conteúdos falsos. O levantamento aponta que oito em cada dez brasileiros já deram credibilidade a fake news de maneira geral. Mesmo assim, cerca de 62% afirmam que ainda confiam na própria capacidade de diferenciar informações falsas e verdadeiras em um conteúdo.
A disseminação de fake news na internet pode acontecer de diversas formas, inclusive, por meio de criadores de conteúdo. Esses creators utilizam de suas respectivas plataformas para espalhar informações falsas para os seguidores sobre algum assunto em específico, o que pode causar danos na formação de opinião pública de um indivíduo e até riscos reais à segurança das pessoas.
Os mais afetados com isso são a Geração Z, nascidos de 1996 a 2010, e a Geração Alpha, nascidos de 2011 a 2024. Você deve estar se perguntando: por quê? A GenZ e a GenAlpha são gerações que dominam o universo online e pelo fato de passarem muito tempo consumindo conteúdos na internet e nas redes sociais, acabam acreditando em diversas informações que são transmitidas. E às vezes, não costumam checar se o que está sendo dito é verdade mesmo ou se não passa de uma desinformação.
Segundo um relatório da UNESCO, 2 a cada 3 influenciadores não checam as suas fontes e 42% avaliam a credibilidade de um conteúdo com base apenas em likes e compartilhamentos. Ou seja, não importa se é verdade ou mentira, importa se engaja, e isso preocupa. Se você tem uma audiência, também é um curador de informação e validar dados não é um detalhe operacional, mas um pilar estratégico da sua função social enquanto comunicador. Checar informações não é um detalhe: é parte intrínseca do trabalho.
No entanto, vários criadores de conteúdo não enxergam as suas responsabilidades na posição de formadores de opinião, e se eximem de reconhecer suas próprias naturezas jurídicas e deveres também enquanto empresas que são. Afinal, essas pessoas acabam representando verdadeiros negócios do ecossistema da comunicação e não podem fingir que não possuem esse papel.
E a preocupação deve ser coletiva, à medida que a difusão de notícias falsas pode afetar o letramento da Geração Z e Alpha. A verdade é que em um ecossistema onde a atenção é moeda e a desinformação se propaga na velocidade do viral, a curadoria responsável define não só a credibilidade do conteúdo, mas a capacidade da sociedade de interpretar o mundo com pensamento crítico.
Por isso, confiar no que viraliza sem verificar fontes não só compromete a autoridade de pessoas e marcas, mas também impacta o letramento das novas gerações, tornando-as mais suscetíveis a narrativas manipuladas e simplificações perigosas. A longo prazo, isso afeta a cognição coletiva, reduzindo assim a habilidade de processar informações complexas e contribuindo para um cenário onde opiniões são formadas mais pelo volume de interações do que pela veracidade dos fatos.

Luiz Menezes é fundador da Trope, uma consultoria de geração Z que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócio. Luiz é nativo digital, creator, apresentador, empresário e empreendedor.






