Dados das Tábuas de Mortalidade, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a expectativa de vida voltou a crescer no Brasil e atingiu 76,6 anos em 2024.
O número representa um aumento de 2,5 meses em comparação a 2023 e consolida a recuperação do indicador, que havia sofrido forte impacto durante a pandemia de Covid-19. Entre os homens, a estimativa passou para 73,3 anos; entre as mulheres, alcançou 79,9 anos.
A pandemia impôs uma queda abrupta na expectativa de vida brasileira, que recuou para 72,8 anos em 2022. Esse foi o nível mais baixo em duas décadas. Naquele ano, a mortalidade masculina caiu para 69,3 anos, enquanto a feminina ficou em 76,4 anos.
O avanço observado desde 2022 indica que o País volta a caminhar na direção das tendências registradas antes da crise sanitária. Embora especialistas alertem que o retorno ao ritmo anterior ainda depende de maior estabilidade nas condições de saúde pública.
Nove décadas de avanço estrutural
A trajetória da expectativa de vida no Brasil segue uma curva de ascensão desde 1940, quando um recém-nascido viveria, em média, 45,5 anos. Ao longo de nove décadas, melhorias no acesso à saúde, expansão da vacinação, redução da pobreza, maior escolaridade e saneamento básico contribuíram para elevar a longevidade em mais de 31 anos.
Apesar da melhora consistente, o País permanece distante dos países com maior expectativa de vida. Mônaco lidera o ranking global, com 86,5 anos, seguido por San Marino, Hong Kong, Japão e Coreia do Sul: todos acima dos 84 anos.
A comparação evidencia que, embora o Brasil tenha avançado, ainda enfrenta desafios estruturais relacionados à violência, desigualdade e cobertura de serviços.
Queda na mortalidade infantil consolida avanços
Outro dado crucial das Tábuas de Mortalidade é o recuo da mortalidade infantil, agora em 12,3 mortes para cada mil nascidos vivos. Em 1940, esse índice era superior a 146 mortes por mil, cerca de dez vezes maior que o nível atual. A queda expressiva reflete décadas de políticas públicas voltadas ao cuidado infantil, como campanhas de vacinação em massa, ampliação do pré-natal e estímulo ao aleitamento materno.
A presença de agentes comunitários de saúde, programas de nutrição infantil e a expansão de serviços de atenção primária também contribuíram para transformar a realidade brasileira nesse campo. Além disso, fatores socioeconômicos como maior renda familiar, acesso à educação e saneamento tiveram papel determinante.
O comportamento da mortalidade infantil é um dos principais responsáveis pelo aumento constante da expectativa de vida no País, por reduzir significativamente o número de óbitos precoces.
Violências ampliam disparidade
O levantamento do IBGE reforça um fenômeno que se intensificou a partir dos anos 1980: a sobremortalidade masculina entre os jovens. Em 2024, homens de 20 a 24 anos tinham 4,1 vezes mais risco de morrer antes dos 25 anos do que mulheres da mesma idade. A tendência se repete em outros grupos etários: entre 15 e 19 anos, essa relação é de 3,4; entre 25 e 29, de 3,5.
Essas mortes estão associadas, principalmente, a causas externas ou não naturais, como homicídios, suicídios, acidentes de trânsito e outras formas de violência urbana.
A disparidade não existia em níveis tão elevados nos anos 1940, o que indica que o padrão atual é resultado do rápido crescimento urbano e das transformações sociais que marcaram as últimas décadas.
Embora a expectativa de vida masculina continue a subir, especialistas apontam que poderia ser significativamente maior caso o País reduzisse o impacto das mortes violentas entre jovens.
Idosos vivem mais, apesar do impacto da pandemia
A longevidade entre pessoas idosas também avançou. Hoje, quem chega aos 60 anos pode esperar viver mais 22,6 anos. Ou, 20,8 anos no caso dos homens e 24,2 anos entre as mulheres. Em 1940, essa estimativa adicional era de apenas 13,2 anos. Mesmo afetado pela pandemia, especialmente entre 2020 e 2021, o indicador voltou a crescer desde 2022.
Aos 80 anos, os ganhos também são expressivos: mulheres têm expectativa de viver mais 9,5 anos, enquanto homens têm projeção adicional de 8,3 anos, mais que o dobro do observado nove décadas atrás. As diferenças entre os gêneros refletem fatores biológicos, comportamentais e sociais, além do maior impacto das mortes violentas sobre os homens ao longo da vida.





