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A IA generativa está “matando” o ensino superior?

A IA generativa está “matando” o ensino superior?

Pesquisa recente nos EUA, revela que o uso crescente da IA generativa não diminui a valorização da faculdade, mas traz impactos para as habilidades críticas dos estudantes.
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A segunda edição da pesquisa Student Voice 2025-26, conduzida pelo Inside Higher Ed com mais de mil estudantes de 166 universidades nos EUA, mostra que 85% dos alunos relataram o uso da IA generativa em suas atividades acadêmicas no último ano.

Segundo a pesquisa, a IA generativa tem sido amplamente utilizada para brainstorming de ideias, esclarecimento de dúvidas, preparação para provas, revisão de trabalhos e geração de resumos. Consolidando-se, assim, como uma ferramenta de apoio ao aprendizado. Apenas uma minoria usa a IA para substituir completamente suas tarefas ou redações.

Curiosamente, os dados indicam que o uso intensivo da IA para escrita pode impactar negativamente o pensamento crítico, com 12% dos usuários frequentes relatando esse efeito, contra 6% dos que usam a tecnologia apenas para estudo.

Redução ou ampliação do esforço?

Especialistas analisam que, embora a IA generativa potencialize a eficiência e personalização do aprendizado, sua influência sobre o pensamento crítico é complexa. Estudos apontam que a confiança excessiva nas respostas da IA pode reduzir o esforço reflexivo e independente dos estudantes, diminuindo a capacidade de questionamento profundo.

Por outro lado, usuários que confiam mais em suas habilidades pessoais tendem a aplicar maior esforço crítico ao usar a IA, destacando a importância do equilíbrio no uso da tecnologia. Nesse caso, a IA transforma o pensamento crítico, deslocando-o da produção de conteúdo para integração, verificação e administração de informações. Tudo isso, abre espaço para novas abordagens pedagógicas e novos desafios na formação acadêmica.

5 principais tópicos do Student Voice 2025-26

  1. Uso generalizado de IA pelos estudantes
  • Cerca de 85% dos alunos usaram IA generativa para trabalhos acadêmicos no último ano. As formas mais comuns de uso incluem brainstorming (55%), tirar dúvidas como se fosse um tutor (50%) e estudar para provas ou quizzes (46%). Usos mais controversos, como editar trabalhos ou gerar resumos, são menos frequentes. Apenas 25% usaram IA para completar tarefas e 19% para escrever ensaios completos.

2. Pressões que impulsionam o uso indevido de IA

  • Entre os alunos que recorrem à IA de forma inadequada, a “pressão por boas notas” (37%) aparece como o principal motivo, seguido por “falta de tempo” (27%) e “desconexão com políticas de integridade acadêmica” (26%). Curiosamente, somente 6% culpam a “falta de clareza das políticas institucionais”.

3. Estudantes querem mais ação, e menos coação

  • 97% acredita que as instituições devem responder às questões de integridade acadêmica na era da IA. Mas, poucos apoiam medidas como uso de software de detecção (21%) ou restrições tecnológicas em sala (18%). Em vez disso, preferem educação sobre uso ético da IA (53%) e políticas claras e padronizadas com transparência e flexibilidade (cerca de 50%).

4. Visão dividida sobre o uso de IA pelos professores

  • 29% dos alunos veem positivamente o uso consciente e transparente de IA pelos docentes. Outros 14% são muito positivos, enquanto 39% expressam preocupação – sobretudo sobre qualidade e excesso de dependência. O restante se mantém neutro (15%)

5. Impacto misto da IA na aprendizagem e no valor da faculdade

  • 55% relatam efeitos mistos da IA em suas habilidades de pensamento crítico – ajuda em alguns momentos, mas também pode reduzir a profundidade do raciocínio.
  • 27% acham que o impacto tem sido positivo, e apenas 7% veem efeitos negativos. Homens têm mais probabilidade de relatar impacto positivo do que mulheres ou pessoas não-binárias.
  • Sobre o valor da faculdade, 35% dos alunos dizem que nada mudou, 23% acham que se valorizou, 18% começaram a questionar o valor, e o restante não tem certeza

O valor da Universidade

Com todo o avanço da IA no nosso dia a dia, há consenso na comunidade acadêmica de que as instituições e órgãos governamentais responsáveis deverão se unir e promover com maior ênfase o uso ético, responsável e equilibrado da IA no ensino. Enquanto usufruem das facilidades da automação, os alunos também devem ser incentivados a manterem habilidades críticas e criativas.

E essa nova realidade com IA no ensino já está avançada em muitos países. A China já adotou IA no currículo nacional desde o ensino fundamental. A Coreia do Sul tem a IA como disciplina obrigatória no ensino médio técnico. Na Finlândia e em Cingapura, a IA é ofertada como curso gratuito para toda a população e nas escolas. E no Reino Unido, a IA já está inserida na formação de docentes.

Em resumo, a IA generativa é uma aliada poderosa na construção de conhecimento e pensamento crítico. Como todo material de ensino, essa tecnologia exige acompanhamento. E, com uma oferta cada vez maior de IAs, uma revisão constante de qualidade técnica, aliada à revisão dos currículos e métodos pedagógicos para preparar docentes e profissionais para essa nova realidade se torna fundamental. Sem isso, não serão capazes de ensinar e navegar num mundo cada vez mais assistido por IA.

Contudo, o mais importante é estarem sempre atentos em preservar o principal propósito educacional: formar mentes críticas e autônomas.

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