Diante da plateia cheia, Daniel Zanco, sócio-fundador da Universo Varejo, mediador do painel “Nada de copo meio vazio. As lições da crise”, comenta justamente que a situação econômica é difícil. Assim, não por acaso, as empresas presentes no painel são justamente aquelas que estão caminhando contra a crise. Ou seja, é com elas que é preciso aprender.
“Há um componente de cultura organizacional faz com que um concorrente forte e novo, ou a crise, gerem nos empresários a vontade de fazer algo diferente”, afirma. São justamente esses cenários que fazem com que o empresário saia da zona de conforto.
Carlos Pascoal, diretor-executivo de Vendas e Marketing da Fast Shop, é o primeiro a comentar o tema. Como afirma o mediador, a empresa em que ele atua é voltada para consumidores com maior poder aquisitivo. “A crise parece um bom momento para remodelar o negocio, mas nem sempre isso é uma boa ideia”, diz. “Não se deve abrir novos mercados sem seguir a essência da empresa”.
Assim, o executivo confirma que há uma linha mais premium na empresa. “Víamos o consumidor comprar um refrigerador com intervalos de muitos anos”, afirma. Com uma nova linha, a intenção é ampliar esse contato. Para a Fast Shop, mudar o mercado de atuação não é a saída: é melhor investir em mais produtos, sem perder a linha de atuação.
Artur Raposo, diretor de Operações do Roldão, por sua vez, tem uma empresa que faz parte do Atacarejo. E ele está “surfando o boom da crise”. Mas, afinal, como o Roldão vive a crise? “Em qualquer crise, alguns choram e outros vendem lenços”, afirma. Ele defende então que a empresa preferiu vender lenços. “É o momento de ampliar o ambiente de clientes da empresa”, diz. Além disso, o Roldão entende que quem tem mais dinheiro, quer economizar. Com isso, a empresa consegue abaixar valores e fazer especiais com preço de atacado.
A Ri Happy, por sua vez, faz parte de um segmento que não é tão afetado pelo momento econômico, como comenta Carlos Fernandes diretor de Operações da Ri Happy. “Na proposta de valor, começamos a fazer um trabalho mais forte. Medimos como estão os shoppings então crescendo os shoppings e observando que os melhores desempenhos são daqueles que possuem uma característica premium. “A proposta de valor, então, é ampliar a experiência”, explica.
A saída, é claro, é levar as crianças para dentro das lojas, por meio de experiências. “A criança vai lá para se divertir”, aponta. Outra atitude da empresa foi abrir o mercado para as crianças menores, os bebês. “O modelo operacional também mudou”, diz Fernandes. “Antes, bastava atender bem. Hoje é preciso ter eficiência na venda”. A empresa investiu nisso, trabalhando em treinamento, transformando cada vendedor em uma unidade de loja. “Criamos planos de ação para o desenvolvimento de cada um deles”, conclui.





