O empobrecimento da população brasileira, o 7º país mais populoso do mundo, já deixou de ser uma mera previsão sombria. E, a cada dia, o declínio financeiro torna-se uma realidade alarmante que afeta milhões de brasileiros. As estatísticas revelam um aumento significativo no índice de pobreza, com uma parcela crescente da população vivendo abaixo dessa linha, inclusive. E a situação só tende a piorar. Primeiro, por se tratar de um fenômeno que remete não apenas à economia estagnada. Mas, também por conta das profundas desigualdades sociais que persistem no País. E, em terceiro lugar, o mau uso dos recursos públicos.
A informação é do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil despencou da posição 48 para o alarmante 87º lugar no ranking global de PIB per capita em paridade de poder de compra (PPC). Isso se dá entre os anos 1980 e 2024.
Mais empobrecimento à vista

O estudo mostra que, em termos absolutos, o PIB per capita brasileiro até apresenta uma leve elevação. Ou seja, ele salta de US$ 13,7 mil em 1980 para US$ 19,6 mil em 2024. Contudo, a performance relativa, quando comparada a outros países, ilustra uma nação que não apenas cresceu menos que seus pares. Ela também viu o custo de vida subir de forma acelerada.
O resultado? Uma economia que se torna cada vez menos competitiva e uma posição no cenário internacional que se deteriora.
As previsões do FMI não trazem boas notícias. Ao invés de uma recuperação, o que se avizinha é uma deterioração contínua. As projeções indicam que, se o Brasil continuar a se apegar a práticas econômicas ultrapassadas, poderá despencar ainda mais no ranking.
A previsão é que o Brasil chegue ao 89º lugar até 2030. A combinação de crescimento econômico pífio, investimentos escassos, produtividade estagnada e inflação persistente empurra nosso país para uma zona de estagnação, distanciando-o das economias emergentes mais dinâmicas.
Endividamento

Esse cenário não surpreende aqueles que têm acompanhado a economia brasileira. Desde 2013, o Brasil praticamente não avançou em termos reais. Prova disso está no percentual de famílias com dívidas, que voltou a crescer pelo quinto mês consecutivo, alcançando 78,4% em junho de 2025. Os dados são da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Esse aumento, que ocorreu após meses de queda, acendeu um sinal de alerta para o orçamento das famílias. Um dos fatores que pode ter contribuído para a deterioração do cenário econômico familiar nesse período é o aumento das taxas de juros e da inflação, que reduziram o poder de compra dos brasileiros. A pesquisa também revelou que o principal responsável pelo endividamento das famílias continua sendo o cartão de crédito, que representa 83,8% do total de devedores. Além disso, homens e famílias de baixa renda foram os mais afetados pela inadimplência e dificuldades financeiras.
Para o CEO da fintech iCred, Túlio Matos, a inadimplência de uma grande parte da população impacta a economia como um todo. Afinal, ela reverbera em efeito cascata para a desconfiança uns dos outros. Ou seja, a desconfiança gerada pela inadimplência pode desencadear uma série de consequências negativas, dificultando, por exemplo, a concessão de crédito e a realização de novos investimentos.
Comércio e serviços prejudicados
As instituições financeiras, ao perceberem um aumento nos índices de calotes, tendem a adotar critérios mais rigorosos na avaliação de risco, o que resulta em uma restrição no acesso ao crédito para um público que muitas vezes já está em situação vulnerável. “O endividamento afeta principalmente o setor de comércio e serviços, que percebe uma redução nas vendas e contratações, levando a cortes”, alerta.
Para ele, a situação pode se agravar, pois existem outros fatores que contribuem para esse quadro. Além das previsões econômicas que indicam a continuidade da alta da inflação e das taxas de juros, a falta de educação financeira da população piora ainda mais o problema.
Mau exemplo

O empobrecimento do Brasil é resultado de uma série de decisões políticas e econômicas mal encaminhadas. Um dos principais entraves é o modelo de gastos públicos excessivos e mal direcionados, que não promovem crescimento, mas geram inflação e aumento da carga tributária. Essa realidade compromete o poder de compra da população e dificulta a expansão das empresas.
O Brasil, apesar de ter uma alta arrecadação tributária, é o país que menos retorna esses valores em melhoria da qualidade de vida da população, segundo a 14ª edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBES) do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O estudo comparou 30 países com maior carga tributária, evidenciando que os brasileiros recebem um retorno inferior até mesmo em relação a nações da América do Sul, como Argentina e Uruguai.
O Brasil ocupa a 30ª posição, atrás de países como Argentina e Uruguai, com o presidente do IBPT, João Eloi Olenike, destacando a alarmante discrepância entre a arrecadação e os benefícios sociais oferecidos à população. “É impressionante e preocupante como nações menores que o Brasil têm uma relevância maior no retorno dos impostos à sociedade do que nós, que contamos com uma arrecadação superior. Essas observações evidenciam a situação em que os brasileiros estão inseridos.”

Arrecadação x Gastos
“É importante destacar que, desde a primeira edição do estudo, o Brasil permaneceu na 30ª posição. Isso evidencia que a arrecadação tributária no País continua sendo mal utilizada. Mesmo tendo uma carga tributária elevada, similar à de países como Reino Unido, França e Alemanha, o Índice de Desenvolvimento Habitacional (IDH) nacional mostra um desenvolvimento humano bastante insatisfatório”, ressalta o presidente do IBPT.
A previsão para os próximos anos, de acordo com Olenike, é a continuidade do cenário atual. Isso porque, em seu parecer, enquanto o País não souber diferenciar o essencial do supérfluo, cortando os gastos desnecessários, combatendo a corrupção e direcionando os recursos para áreas essenciais, será difícil aprimorar a posição. “Apenas com menos desvios e mais investimento em setores como educação, saúde, habitação, saneamento, pesquisa e segurança, conseguiremos corrigir essa trajetória”, conclui o especialista.
Na data de 24 de julho de 2025, os três entes governamentais gastaram, juntos, 2 trilhões, 928 bilhões, 527 milhões, 659 mil, 804 reais e 39 centavos. A informação é da plataforma Ga$to Brasil.

Credit and Collection Experience (CCX)
O empobrecimento de uma população é um fenômeno complexo que se relaciona diretamente com a oferta de crédito disponível no mercado. Em muitos casos, comunidades economicamente vulneráveis enfrentam dificuldades para acessar empréstimos e financiamentos, o que limita suas oportunidades de investimento e consumo. A escassez de crédito pode levar ao aprofundamento da pobreza, uma vez que indivíduos e famílias não conseguem financiar atividades que poderiam proporcionar uma melhora em suas condições de vida, como a educação, a saúde e o desenvolvimento de pequenos negócios.
O CCX, que ocorrerá no dia 29 de julho em São Paulo, reunirá os principais especialistas do mercado de crédito para debates que prometem trazer insights relevantes sobre a situação atual e as tendências que moldarão o setor nos próximos anos. Com a participação de renomados profissionais da área, o seminário se configura como um espaço propício para a troca de experiências e a discussão de práticas inovadoras que podem contribuir para a redução das taxas e a melhoria das condições de acesso ao crédito.






