Os resultados financeiros do segundo trimestre de 2025 divulgados pelo Duolingo, evidenciaram uma guinada. Isso após a empresa ao priorizar o uso de Inteligência Artificial (IA) em todos os aspectos do negócio. A decisão, anunciada oficialmente em abril pelo CEO e cofundador Luis von Ahn, marcou um ponto de virada para a companhia, que agora se declara AI-first. Ou seja, coloca a IA no centro de suas operações, produtos e planos futuros.
“Ao nos tornarmos AI-first, precisaremos repensar muito do nosso trabalho. Fazer pequenos ajustes em sistemas projetados para humanos não vai nos levar até lá. Em muitos casos, precisaremos começar do zero”, disse Luis von Ahn. “Não vamos reconstruir tudo da noite para o dia, e algumas coisas – como fazer com que a IA entenda nosso código – levarão tempo. No entanto, não podemos esperar até que a tecnologia esteja 100% perfeita. Preferimos agir com urgência e aceitar pequenos impactos ocasionais na qualidade do que avançar devagar e perder o momento.”
No período encerrado em 30 de junho, a empresa registrou receita de US$ 252,3 milhões, alta de 41% em relação ao mesmo trimestre de 2024. O lucro líquido foi de US$ 44,8 milhões, quase o dobro do apurado um ano antes (US$ 24,4 milhões), e a margem EBITDA ajustada atingiu 31,2%, quatro pontos percentuais acima do ano anterior. O fluxo de caixa livre somou US$ 86,3 milhões, o que representa uma margem de 34,2%.
O avanço veio acompanhado de um salto no engajamento: os usuários ativos diários (DAUs) cresceram 40% na comparação anual, chegando a 34,1 milhões, enquanto os usuários ativos mensais (MAUs) atingiram 128,3 milhões, alta de 37%. O número de assinantes pagos chegou a 10,9 milhões, aumento de 41% sobre 2024.
IA como motor de expansão
Na carta aberta publicada em abril, Luis von Ahn comparou a decisão de apostar na IA à aposta feita em 2012 no mobile-first, quando o Duolingo priorizou aplicativos para smartphones em detrimento de plataformas web. Segundo ele, a IA não é apenas um ganho de produtividade, mas a chave para cumprir a missão de “ensinar tão bem quanto os melhores tutores humanos” e escalar conteúdos de forma inédita.
Um exemplo citado pelo executivo foi a substituição de um processo manual e lento de criação de conteúdo por um sistema automatizado com IA. Reduzindo, assim, o tempo necessário para produzir novos materiais educacionais de décadas para meses. Além disso, recursos antes inviáveis, como chamadas de vídeo com tutores virtuais, passaram a ser desenvolvidos.
A estratégia implica mudanças internas profundas. Entre as diretrizes adotadas, estão a redução gradual do uso de contratados para tarefas que a IA possa executar, a incorporação da proficiência em IA nos critérios de contratação, a inclusão de uso de IA em avaliações de desempenho e a exigência de automação para aprovar novos headcounts.
“Não se trata de substituir Duos (colaboradores) por IA. Trata-se de eliminar gargalos para que possamos fazer mais com os excelentes Duos que já temos. Queremos que você se concentre em trabalho criativo e problemas reais, não em tarefas repetitivas. Vamos oferecer mais treinamento, mentoria e ferramentas para o uso de IA na sua função”, reforça.
Produtos e engajamento
O segundo trimestre também foi marcado por lançamentos e inovações que reforçam o papel da IA na experiência do usuário. Um dos destaques foi o curso de Xadrez, que se tornou a disciplina com crescimento mais rápido já registrada na plataforma, alcançando mais de 1 milhão de DAUs no iOS e em inglês. O plano é expandir para Android e outros idiomas até o fim do ano, incorporando partidas entre alunos.
Outro recurso foi o Energy, um sistema de ritmo para usuários gratuitos que substitui o modelo de “corações” (Hearts). Ao invés de punir erros, o Energy recompensa acertos consecutivos com unidades extras de energia, aumentando a motivação e a conversão para assinaturas. Testes iniciais no iOS indicaram impacto positivo simultâneo em DAUs, tempo médio de estudo e taxa de conversão, algo raro na história do app.
No segmento premium, o plano Duolingo Max, lançado há menos de um ano, vem ganhando tração, impulsionado pelo recurso de Video Call com tutores virtuais, que pesquisas internas indicam melhorar a proficiência oral dos alunos.
Indicadores financeiros em alta
A força dos resultados levou a empresa a revisar para cima suas projeções para 2025. A expectativa agora é de crescimento anual de 32% nas reservas totais e de 36% na receita, com margem EBITDA ajustada de 28,75% no ano, acima da previsão anterior.
A margem bruta também superou expectativas, alcançando 72,4% no trimestre, impulsionada por custos de IA abaixo do previsto e pelo bom desempenho no negócio de anúncios. Embora tenha havido queda de 100 pontos-base frente a 2024, a redução foi menor que a estimada devido aos investimentos na expansão do Duolingo Max.
Entre as métricas por usuário, o ARPU (receita média por assinante pago) avançou 6% em um ano, reflexo da migração para planos mais caros. Tanto a base de assinantes quanto a de usuários ativos cresceram de forma consistente, sinalizando que a combinação de novas funcionalidades, gamificação e IA vem sustentando a retenção.
Para o terceiro trimestre, a empresa projeta crescimento de 34% na receita e de 28% nas reservas, com margem EBITDA ajustada de 27,5%.
“Mudanças podem ser assustadoras, mas estou confiante de que isso será um grande passo para o Duolingo. Isso nos ajudará a cumprir melhor nossa missão – e, para os Duos, significa estar sempre à frente na adoção dessa tecnologia para fazer o trabalho acontecer”, finaliza o CEO em nota.
*Foto: Camilo Concha / Shutterstock.com
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