/
/
Como o vínculo em saúde vai além da lógica de recompra na Dasa

Como o vínculo em saúde vai além da lógica de recompra na Dasa

Roberto Cury, VP de Atendimento e Experiência, detalha como a companhia uniu tecnologia, eficiência operacional e acolhimento para redesenhar a jornada do paciente e reduzir o tempo de atendimento nas unidades
Foto: Shutterstock
Com 12 milhões de usuários no Nav Dasa e mais de 30 modelos de inteligência artificial, a Dasa aposta na digitalização para simplificar a jornada do paciente. A estratégia já reduziu o tempo médio de atendimento nas unidades de dez para oito minutos. Para Roberto Cury, VP de Atendimento e Experiência da companhia, o desafio não é digitalizar tudo, mas combinar tecnologia, eficiência e acolhimento humano.

O foco na experiência do paciente tem levado a Dasa a redesenhar processos e acelerar a digitalização de etapas da jornada. Um dos resultados desse movimento foi a redução do tempo médio de atendimento nas unidades, de dez para oito minutos, com iniciativas como a automatização da autorização de procedimentos e do check-in. Em alguns casos, o paciente já consegue chegar ao laboratório e iniciar o atendimento diretamente pelo totem, sem passar pela recepção.

Hoje, a experiência do paciente tem influenciado decisões que vão além dos canais de relacionamento e alcançam processos operacionais da companhia. “Na Dasa, experiência não entra no fim da jornada para corrigir o que já foi desenhado. Ela participa da forma como pensamos serviços, canais e modelos de atendimento”, destaca Roberto Cury, VP de Atendimento e Experiência.

A estratégia parte da escuta dos pacientes e da identificação de dificuldades ao longo do atendimento, que podem resultar em mudanças tanto nas unidades físicas quanto nos ambientes digitais.

Um dos exemplos é o avanço do Nav Dasa, plataforma que encerrou 2025 com 12 milhões de usuários. Em marcas como Alta Diagnósticos e Delboni, 60% dos agendamentos já eram realizados pelo aplicativo. Por meio dele, o paciente pode agendar exames em unidades ou em domicílio, consultar preparos, acompanhar seu histórico e realizar consultas online.

A digitalização também alcança etapas que antecedem a realização dos exames. Cury explica que o avanço na autorização prévia de procedimentos junto às operadoras permitiu simplificar o check-in em determinadas situações. Além da redução do tempo de atendimento, a iniciativa contribuiu para diminuir falhas, divergências e reclamações.

“É assim que enxergamos experiência: entender o que o paciente precisa e retirar da jornada tudo aquilo que não deveria ser uma dificuldade”, diz.

Experiência além da satisfação

A estratégia também se reflete na maneira como a Dasa avalia o relacionamento com os pacientes. Em saúde, a companhia considera que a recorrência não deve ser analisada exclusivamente pela lógica comercial, já que a repetição de exames e procedimentos está relacionada à necessidade clínica e à continuidade do cuidado.

“Na saúde, vínculo não pode ser medido apenas pela lógica de recompra. O que queremos saber é se a pessoa teve uma boa experiência, se conseguiu resolver o que precisava e se confia em continuar sua jornada de cuidado conosco”, pontua.

Em 2025, a empresa registrou NPS consolidado de 76,3, mantendo-se na faixa de excelência. No atendimento domiciliar, o indicador chegou a 84,4. Além da recomendação, a análise considera indicadores como tempo de atendimento, adesão aos canais digitais, reclamações e dificuldades encontradas em cada etapa da jornada.

A relevância do tema também aparece na avaliação financeira da companhia. Em 2025, Experiência do Paciente foi classificada como um tema material sob a perspectiva financeira da Dasa. A classificação reforça a relação entre a qualidade da jornada, a geração de valor e a sustentabilidade do negócio.

Essa relação, porém, não significa atribuir diretamente os resultados financeiros às iniciativas de CX. No segundo trimestre de 2026, a Dasa realizou 119,7 milhões de exames, enquanto a receita bruta de Diagnósticos Nacional alcançou aproximadamente R$ 2,2 bilhões, crescimento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025, considerando o escopo atual da operação. Cury explica que o desempenho foi favorecido pelo aumento da demanda e pela evolução de frentes como B2B e premium.

“Não seria correto atribuir esse crescimento diretamente a CX. O que podemos dizer é que experiência e eficiência fazem parte da mesma equação. Quanto mais simples for agendar, realizar um exame, receber uma orientação ou acessar um resultado, melhor será a jornada do paciente e mais eficiente será a operação”, explica.

Um dos exemplos dessa estratégia é o atendimento domiciliar, especialmente para pessoas com dificuldade de locomoção, pouco tempo disponível ou preferência por realizar determinados procedimentos em casa.

IA e atendimento humano na mesma jornada

A digitalização dos serviços também passa pelo uso de Inteligência Artificial. A Dasa já desenvolveu mais de 30 modelos de IA aplicados a diagnósticos e fluxos operacionais. Na experiência do paciente, a tecnologia vem sendo incorporada a processos como agendamento, check-in e preparação para exames.

“Nossa visão não é digitalizar tudo, e sim entender onde a tecnologia efetivamente simplifica a jornada. O próprio desenho dos nossos canais reflete isso: investimos na digitalização do agendamento, check-in e preparação para exames, ao mesmo tempo em que mantemos estruturas de atendimento para apoiar o paciente quando ele precisa de ajuda”, explica.

Nos canais de relacionamento, a companhia também avança na integração de dados e Inteligência Artificial. Em 2025, iniciou uma parceria com a Semantix para incorporar ferramentas de IA às análises da área de Cadastro, responsável por reunir informações importantes sobre o histórico dos pacientes e apoiar uma comunicação mais adequada a diferentes perfis.

Outra frente envolve a IBM, com quem a Dasa firmou parceria para avançar na digitalização do atendimento e na integração de agentes de inteligência artificial ao call center.

“Tecnologia e contato humano não competem entre si. A automação faz mais sentido quando resolve rapidamente aquilo que é simples. Quando a situação exige contexto, escuta ou acolhimento, a interação humana continua sendo fundamental”, destaca.

Hospitalidade também faz parte do CX

A experiência também se estende aos serviços oferecidos dentro das unidades. Um exemplo recente é a chegada do Atelier dos Pães ao Delboni Tatuapé. A proposta é incorporar à jornada uma curadoria de alimentos e bebidas associada à marca de gastronomia e panificação, oferecendo mais conforto aos pacientes que passam pelo laboratório.

A iniciativa tem uma aplicação específica para quem realiza exames em jejum e pode consumir alimentos e bebidas no próprio ambiente após o procedimento.

No Alta Diagnósticos, a hospitalidade segue outro formato. Após exames que exigem jejum, o paciente recebe o desjejum como parte da jornada de atendimento. São modelos diferentes, mas que consideram o conforto e as expectativas de quem utiliza os serviços.

Além das parcerias voltadas à hospitalidade, a Dasa trabalha com empresas como Microsoft, Google e IBM em projetos de digitalização e inteligência artificial.

A integração desses parceiros também faz parte da estratégia de experiência. A proposta é que o paciente perceba uma única jornada, independentemente de quantas empresas participem da entrega do serviço.

“O aprendizado que fica é que experiência não se constrói apenas nos grandes projetos. Ela também está na maneira como ocupamos o tempo do cliente, na qualidade dos serviços que colocamos ao redor do exame e na coerência entre cada ponto de contato. O paciente não deveria perceber as fronteiras entre a Dasa e seus parceiros. Para ele, existe uma única jornada”, explica.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

“O CX também ajuda a construir inovação", diz diretor-geral da Sky Brasil
Para Sergio Ribeiro, a experiência do consumidor orienta decisões de produto e negócio; companhia aposta em Inteligência Artificial para resolver demandas e reduzir atritos no atendimento
O passageiro está pronto para o embarque digital. Os governos, nem tanto
Pesquisa Global de Passageiros 2026 da IATA mostra biometria em alta, IA no planejamento de quase metade dos viajantes e exigências migratórias afastando 43% deles de algum destino
No cenário pós-eleitoral, menos especulação e mais observação: entender como renda, crédito e expectativas mudam as decisões de compra é o que separa estratégias sustentáveis de apostas em um cliente imaginário.
O Brasil pós-eleição exige empresas que entendam o consumidor antes de tentar vender para ele
No cenário pós-eleitoral, menos especulação e mais observação: entender como renda, crédito e expectativas mudam as decisões de compra é o que separa estratégias sustentáveis de apostas em um cliente imaginário.
O que a vitória de Senna em 1991 ensina sobre automação no CX
Às vésperas do GP de São Paulo e do novo Decreto do SAC, a vitória de Senna com um câmbio quebrado ajuda a entender por que a automação no atendimento ainda precisa de alguém no comando

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Seu banco está na lista? Veja o ranking de reclamações do BC Idosos estão ficando para trás no digital? Veja o que revela a Anatel Lula reeleito: o que muda no bolso do brasileiro até 2030? Keds volta ao Brasil após 22 anos e aposta na nostalgia para crescer