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Dados precisam ser tratados e não apenas coletados

Dados precisam ser tratados e não apenas coletados

Painel do CONAREC 2025 mostra a importância do uso correto de informações para a tomada de decisão e ação na experiência do cliente.
Painel do CONAREC 2025 mostra a importância do uso correto de informações para a tomada de decisão e ação na experiência do cliente.

Na era da informação, o maior desafio das empresas não é mais apenas coletar dados, mas transformá-los em decisões inteligentes e ágeis. Informação por si só não basta: é preciso organizá-la, interpretá-la e, sobretudo, democratizá-la para que esteja acessível a quem realmente pode gerar impacto.

Foi com essa perspectiva que o painel Dado na veia, decisão na cabeça: o novo código da gestão estratégica reuniu líderes no CONAREC 2025, sob a mediação de Daniel Brumatti, CEO da Newbacon.

A dimensão do desafio ficou evidente logo no início, quando André Scala Pandolfi, vice-presidente Comercial da Atento, compartilhou a rotina de uma operação que realiza 90 milhões de atendimentos mensais. “Traduzir tudo isso em informação de negócio é um exercício diário. Só em BI, temos 100 pessoas dedicadas a estruturar dados de forma estratégica”, afirma. Para ele, preparar a organização para lidar com esse volume é um processo constante, que envolve desde a previsibilidade de chamadas até o uso de IA para transformar interações em insights acionáveis.

No setor de saúde, a questão ganha ainda mais complexidade. Rafael Castelo Branco, diretor-executivo da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, destacou a responsabilidade ética no uso de dados de pacientes. “Segurança é fundamental, mas não pode ser impeditiva. Trabalhamos para que os insights cheguem até quem está na linha de frente, sempre dentro de padrões rígidos de sigilo e ética”, disse.

Ele também levantou a necessidade de padronizar e compartilhar informações de forma controlada entre diferentes instituições, de modo a beneficiar o paciente sem abrir mão da confidencialidade.

Transformando dados em ação

Do lado digital, a prioridade é transformar dados em ação. Fábio Marcolino, VP de Dados do Grupo OLX, enfatizou que “não basta ter dashboards. É preciso que os times saibam interpretar e usar”. Para isso, a empresa vem utilizando Inteligência Artificial para distribuir estudos e gerar insights automaticamente em diferentes áreas. “O importante não é o dado em si, mas a capacidade de acessar o insight certo, no momento certo.”

No setor de seguros, o aspecto preditivo se torna essencial. Lucas Safont, diretor de Estratégia e Inteligência de Mercado da Allianz Seguros, destacou que não há como falar de seguro sem falar de dados. “Precisamos de bases históricas para a precificação e, a partir delas, conseguimos entender comportamentos e oferecer a solução certa no momento certo da jornada;” Ele relembrou que, ao analisar informações internas de cancelamento, foi possível encontrar padrões e ajustar decisões de negócio de forma muito mais precisa.

Dados e humano

Apesar da força da tecnologia, todos os executivos concordaram que o fator humano continua indispensável. “Criar um ótimo programa em escala é um desafio. O funcionário precisa interpretar a informação e transformá-la em ação”, disse Marcolino, ao citar a academia de dados e IA da OLX como exemplo de capacitação. 

Pandolfi reforçou o ponto: “Usamos muito a IA para traduzir voz em texto e gerar insights em tempo real. Mas é o atendente quem decide como agir naquele momento com o cliente”. Já Rafael lembrou que, na saúde, sempre é necessário um profissional humano para validar o diagnóstico que a IA sugere. Ou seja, não se trata de acumular mais dados, mas de trabalhar com dados melhores, acessíveis e integrados à cultura organizacional. 

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