Quase 96% das pequenas e médias empresas brasileiras têm limite estimado de crédito de até R$ 570 mil. O dado revela um mercado de crédito ao mesmo tempo amplo e restrito: há muitas empresas demandando recursos, mas o acesso individual é limitado e fortemente concentrado em operações de curto prazo.
O perfil das empresas analisadas pela Serasa Experian desfaz o equívoco comum de que PMEs são majoritariamente negócios jovens e informais. Segundo o levantamento, quase 79% das empresas da base operam há mais de cinco anos. Ou seja, são negócios com histórico, não startups em estágio inicial. Ao mesmo tempo, 81,5% funcionam com até nove funcionários, o que indica estruturas operacionais enxutas e pouca margem para absorver choques financeiros.
Do ponto de vista do faturamento, cerca de 72% das PMEs analisadas registram receita estimada de até R$ 1,35 milhão ao ano. Esse patamar limita tanto a capacidade de endividamento quanto a de investimento. O setor de comércio e reparação de veículos concentra 39,7% das empresas da base, o que reforça o caráter comercial e de serviços desse mercado.
Crédito como suporte operacional
Entre as PMEs analisadas, 41% apresentam perfil associado à demanda por capital de giro, modalidade de crédito voltada à manutenção do ciclo operacional, não à expansão ou ao investimento. Outros 28% se enquadram no perfil de tomador de crédito PJ de forma mais ampla. Juntos, esses dados indicam que o crédito, para a maioria dessas empresas, funciona menos como alavanca de crescimento e mais como instrumento de sustentação da rotina.
Esse diagnóstico ganha peso quando colocado em perspectiva com o cenário mais amplo da inadimplência empresarial no Brasil. O País registrou, em abril de 2026, cerca de 9 milhões de CNPJs negativados, um nível recorde. Ainda, mais de 90% deles estão concentrados entre micro e pequenas empresas.
Em um ambiente de juros elevados e crédito restrito, a combinação de limites baixos e alta dependência de capital de giro cria um ciclo de vulnerabilidade: quando o caixa aperta, as opções de refinanciamento são escassas, e o custo do crédito disponível tende a ser proporcional ao risco. Ou seja, mais caro justamente para quem menos pode pagar.
Entre o risco e a disciplina
O levantamento expõe a heterogeneidade financeira do mercado de PMEs com clareza. Do ponto de vista do Score PJ, indicador da Serasa Experian que estima a probabilidade de inadimplência de um negócio, 48,3% das empresas analisadas estão nas faixas mais baixas, com pontuação de até 300 pontos. Por outro lado, 21,4% aparecem nas faixas entre 701 e 1.000 pontos, indicando um contingente relevante de negócios com histórico de crédito robusto.
Ainda, mais da metade das PMEs da base possui algum tipo de restritivo ativo. No entanto, entre as empresas com histórico conhecido de pontualidade, 72,5% estão na faixa mais alta de cumprimento de obrigações financeiras. O dado sugere que, dentro de uma base ampla e heterogênea, há um núcleo expressivo de empresas com comportamento financeiro disciplinado e que, portanto, responde de forma distinta a modelos de análise de risco mais sofisticados.
“Em um ambiente ainda marcado por juros elevados e maior complexidade na concessão de crédito, o cenário reforça a importância de modelos analíticos capazes de diferenciar perfis de risco dentro de uma base ampla e diversa de empresas”, afirma Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian. “As PMEs seguem sendo um dos principais motores da economia brasileira, mas o estudo mostra que esse mercado é muito diverso e exige leituras mais sofisticadas sobre comportamento financeiro e acesso ao crédito.”
Análise de crédito mais precisa
Para a Serasa Experian, tratar todas as PMEs como um bloco homogêneo equivale a subestimar riscos em alguns casos e negar crédito injustificadamente em outros.
O cenário descrito pelo estudo, com limites de crédito baixos, alta demanda por capital de giro e perfis de risco dispersos em um universo de quase 2 milhões de empresas, aponta para um mercado que segue operando abaixo do seu potencial de acesso ao crédito produtivo.
Em um País em que as PMEs respondem por parcela significativa do emprego e da atividade econômica, a capacidade de ler com precisão esse mercado se torna, em si, uma condição para o crescimento. Por isso, especialistas e lideranças das principais empresas do setor de crédito e recuperação estarão reunidos no CCX Seminário. O evento busca discutir e propor soluções para os principais desafios do mercado de crédito no Brasil. A participação é 100% online e gratuita, inscreva-se!





