/
/
“Mercado de crédito e cobrança precisa de mais inteligência e diálogo”, diz BTG Pactual

“Mercado de crédito e cobrança precisa de mais inteligência e diálogo”, diz BTG Pactual

Natália Fernandes, head de Cobrança do BTG Pactual – Enforce Group explica como dado, tecnologia e equipe atuam juntos para recuperar crédito antes que o atraso vire inadimplência
Natália Fernandes, head de Cobrança do BTG Pactual – Enforce Group.
(Crédito: BTG Pactual)
Com milhões de brasileiros inadimplentes, o BTG Pactual aposta na combinação de IA e julgamento humano para transformar a cobrança em estratégia preventiva. Por meio da Enforce, sua plataforma de recuperação de crédito, o banco processa dados jurídicos em escala, aplica análise preditiva e segmenta casos por perfil e probabilidade de recuperação. Substituindo a abordagem reativa por uma operação orientada a resultados e acordos sustentáveis, Natalia Fernanades, executiva da companhia - que estará no seminário Credit and Collection Experience (CCX) 2026 - avalia o novo momento da cobrança no Brasil.

O volume de consumidores inadimplentes no Brasil segue batendo recordes. Após 17 meses consecutivos de alta, maio registrou o maior número da série histórica feita pela Serasa: 83,5 milhões de negativados. Com isso, o valor total das dívidas chegou a R$ 574 bilhões. Os dados retratam o tamanho do desafio para empresas que atuam no mercado de crédito e cobrança no Brasil.

É nesse contexto que a IA vem se tornando uma ferramenta de atuação preditiva e estratégica para o setor. Com a tecnologia, as marcas podem analisar sinais como microvariações no comportamento de pagamento, interações de atendimento e mudanças sutis no padrão de consumo.

O diferencial, nesse caso, não está apenas no quanto se sabe sobre o cliente, mas em como interpretar esses dados antes que o atraso no pagamento aconteça.

A cobrança mudou

Um movimento curioso na adoção de IA no setor de crédito e cobrança revela que cobrar saiu do reativo e entrou na estratégia do negócio. Empresas que integram automação e inteligência ao ciclo de cobrança conseguem não apenas antecipar ações, mas proteger o caixa. Em um cenário de margens apertadas e inadimplência persistente, isso é fundamental.

Mas como isso acontece na prática? Na Enforce, plataforma de recuperação de crédito e ativos estressados do BTG Pactual, a tecnologia é o centro da estratégia de cobrança. Com desenvolvimento proprietário, big data e algoritmos próprios, ela transforma dado jurídico não estruturado em informação acionável.

“Processamos documentos em escala, extraímos partes, bens e garantias, e aplicamos jurimetria. Sobre essa base entra a análise preditiva. Cada caso recebe score, é agrupado em clusters por valor, atraso, perfil tributário e probabilidade de recuperação, e gera uma recomendação de próxima ação. Isso substitui a ‘fila única’ por uma operação segmentada e com modelos de precificação escaláveis, que direcionam o esforço para onde há maior retorno”, detalha Natália Fernandes, head de Cobrança do BTG Pactual Enforce Group e presença confirmada no Credit and Collection Experience (CCX) 2026.

Toda essa estratégia traz resultados mais concretos em eficiência e assertividade, diz Natália. “Menos interações por caso, foco no caso certo e correlação direta entre ação estruturada e valor recuperado”, detalha.

Nesse ponto, Natália destaca como a IA tem auxiliado nessa estrutura mais analítica e estratégica para crédito e cobrança. “A IA generativa liberou os especialistas de horas de análise documental para a negociação e é o que viabiliza operar em larga escala. No nosso modelo, a IA não substitui o julgamento humano: ela o qualifica”, frisa.

Na prática, a tecnologia fica responsável pela escala e priorização e as pessoas pela negociação.

Recuperação de crédito vs construção de relacionamentos

Buscando equilibrar eficiência operacional com a experiência do cliente, Natália diz que o importante é não tratar a cobrança como “um fim em si mesma”.

“Para nós, dado e experiência são a mesma alavanca: a análise evita o que mais corrói a relação com o devedor: a abordagem genérica, no canal errado, com uma proposta que ignora a realidade de quem está do outro lado. Segmentar bem é, ao mesmo tempo, eficiência operacional e boa experiência”, avalia a executiva.

Na prática, Natália explica que a inteligência de dados calibra canal, tom e, sobretudo, proposta, com prazos e parcelamentos compatíveis com a capacidade real de pagamento. “Um acordo que o devedor não cumpre não é recuperação, é retrabalho“, afirma. Por isso, a régua orientada por dados trabalha para construir acordos sustentáveis, com acompanhamento pós-acordo.

“Recuperação saudável é a que se paga até o fim. Boa parte da nossa atuação é em crédito já inadimplido, muitas vezes corporativo e judicializado. Aqui, relacionamento significa previsibilidade, transparência e uma saída viável: o devedor tratado com respeito”, define Natália.

Para ela, não há contradição entre recuperar o crédito e preservar a dignidade da negociação: há a obrigação de fazer as duas coisas juntas. “A tecnologia dá escala e a equipe garante que escala não vire frieza”, acrescenta.

Orientação e cuidado

Diante de uma inadimplência elevada, há lacunas que ainda precisam ser superadas no mercado brasileiro para que tecnologia e humanização entreguem seu potencial máximo na prevenção da inadimplência.

Para Natália, esse desafio é evidente e há pontos sensíveis que precisam ser superados com urgência. O primeiro é a qualidade na estruturação dos dados. “Sem base bem estruturada, o modelo mais sofisticado vira opinião com aparência de ciência. Engenharia de dados e integração – inclusive com tribunais e órgãos públicos – são condição para qualquer ganho real.”

Outro ponto é tratar a IA como capacidade, não como produto de prateleira. “Comprar ferramenta não muda comportamento. O que entrega resultado é governança, capacitação das equipes e um processo repetível e mensurável. Esse é hoje um dos maiores desafios de maturidade do setor”, esclarece Natália.

Há ainda a prevenção como ferramenta de sustentação para o setor. E aqui a humanização é decisiva. “A tecnologia permite antecipar a deterioração e agir antes do atraso virar default, com uma abordagem que ajuda em vez de punir. Mas isso exige educação financeira, comunicação clara e enxergar o cliente como alguém a recuperar para o sistema de crédito, não a descartar”, diz a executiva do BTG Pactual.

A visão de Natália Fernandes diante de um cenário tão complexo joga luz naquilo que o mercado de crédito e cobrança precisa consolidar neste momento: orientação e cuidado.

Nesse sentido, Natália entende que a resposta não é mais pressão: “é mais inteligência e mais diálogo”. “Tecnologia e humanização só entregam seu máximo quando andam juntas: uma dá escala e antecipação; a outra garante que a escala não atropele a pessoa.”

Quer saber mais sobre estratégias de sucesso no setor de crédito e cobrança, e a visão de quem vive os desafios de dentro de uma operação? Participe do seminário Credit and Collection Experience (CCX) 2026. O evento é online e gratuito.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Experiência do cliente depende de cultura, tecnologia e vida real, diz CMO da Camil
Consumidor mais digital e menos linear desafia empresas a criarem experiências integradas e mais relevantes ao longo da jornada de compra.
Amazon lança no Brasil, Amazon Basics, sua marca global própria
Com produtos exclusivos e curadoria própria, a Amazon Basics expande o portfólio da Amazon no Brasil e promete preço competitivo
CNA+ e a estratégia de CX por trás do hub que integra idiomas e tecnologia
Eduardo Murin, COO, da CNA+, conta como a companhia ampliou portfólio e valor de marca ao construir um hub de educação complementar
Brasileiros já buscam controle e transparência na relação com o crédito, avalia diretor do Inter
Mudança no comportamento do consumidor e avanço da digitalização levam bancos a ampliar uso de dados e IA

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Quem assiste futebol só pelo futebol? Parceria entre McDonald’s e Coca-cola pode estar em crise Você sabia que pode pagar mais por ser mulher? Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados