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Consumo consciente é suficiente? Qual a responsabilidade das empresas

Consumo consciente é suficiente? Qual a responsabilidade das empresas

Olhar para as questões provocadas pelo excesso de consumo com responsabilidade, esse é o nosso papel enquanto empresas
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Ao entrar em casa e encontrar um alagamento por conta de uma torneira aberta, o que você faz primeiro? Fecha a torneira ou começa a secar o chão. Acredito que a imensa maioria fecha a torneira. Mas, usando a analogia para analisar o problema de consumo exagerado que precisamos urgentemente tratar, estamos fazendo exatamente o contrário, permanecemos enxugando o chão.

Poderíamos nos aprofundar nas questões ligadas à nossa pegada ecológica, abordar os dados regionais provando que os Estados Unidos hoje consomem recursos naturais referente a cinco planetas Terra, no Brasil 1,8. Mas na Índia, com uma população de mais de 1 bilhão de habitantes, o número é 0,5. E o que estamos fazendo em relação a isso? Nossa pegada ecológica já ultrapassa, e muito, a capacidade de geração de recursos do planeta. E o fato é que esse consumo é extremamente desigual.

Muito antes de sermos predicamentados como consumidores, somos cidadãos. Anteriormente a CEOs, somos cidadãos e, como tal, apenas ter consciência não é suficiente. Afinal, a percepção de que algo faz mal não obrigatoriamente nos impulsiona a mudar de atitude. Em lugar de “consumo consciente”, a ONU sugere outras duas palavras para acompanhar: Consumo Sustentável e Responsável. Sustentável porque deve ser bom para o planeta, para as pessoas e para a economia. Responsável porque precisamos nos comprometer com as consequências do nosso consumo.

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O exemplo da indústria da moda

Esse é, distante de dúvidas, o segmento mais bem sucedido em nos convencer de comprar o que não precisamos. E quanto mais compramos, menos usamos, afinal é impossível vestir com frequência a variedade contida no closet. Mas, por trás de todo o glamour associado à moda, existe uma realidade cruel formada por exploração da mão de obra em países mais pobres e degradação ambiental, o que, obviamente, afasta do conceito de moda sustentável e consciente.

Não sugiro parar as produções, mas gostaria de propor uma reflexão enquanto empresas dependentes de economia saudável e recursos naturais disponíveis, investir em peças que valorizem a mão de obra local e bem remunerada, preconizo que a qualidade seja mais prestigiada, proporcionando um tempo de uso maior. Do ponto de vista do marketing, a empresa agrega valor ao oferecer transparência quanto aos meios de produção e a força de trabalho envolvida. Estamos falando de responsabilidade social e ética.

Prova dessa exigência por parte do cidadão/consumidor, surgiu o Fashion Revolution, um movimento que preza por uma indústria da moda limpa, segura, justa, transparente e responsável, fazendo isto por meio de pesquisa e informação, educação, colaboração e mobilização. O movimento foi criado após um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, que matou mais de 1000 pessoas que trabalhavam em condições precárias para etiquetas famosas.

Entre várias ações surgindo na indústria da moda, o foco tem sido conscientizar sobre os impactos socioambientais do setor, celebrar as pessoas por trás das roupas, incentivar a transparência e fomentar a sustentabilidade.

Consumo consciente

Me diga o que compras e te direi quem és

O que consumimos reflete a nossa personalidade. Mas, qual o momento de ruptura em que a quantidade de coisas suplantou a nossa real necessidade? O julgamento é rápido e podemos declarar um culpado: a internet.

Que a internet é sobre exagero, todos nós já sabemos. Exagero de estímulos, compartilhamentos, comentários, dancinhas, tutoriais, tendências. É a estética do exagero onde até a criatividade fica comprometida, pois há exigência constante de invenção do conteúdo. O já feito não chama mais atenção.

Mas por que essa predileção pelo grandioso? Por que consumimos tanto conteúdo que, na imensa maioria das vezes, segue distante da nossa realidade de demanda? A resposta é simples: Com tantos estímulos, o desejo de possuir anda de mão dadas com a aspiração do que queremos ser. E o marketing sabe fazer bom uso disso.

Por que não trazer a abordagem de uma personalidade, sim, sofisticada, mas no conceito de que sofisticação é ter uma aparência construída através de design sustentável, criativo e único e que tenha como preocupação principal o respeito pelo ciclo de renovação da natureza e do próprio homem? É a própria sofisticação da consciência.

 

Produtos com “consciência”

Quais as expectativas do consumidor que se preocupa com os exageros do consumo? O grande compromisso social e ambiental das empresas talvez esteja verdadeiramente ligado a criar essas expectativas e, acredite, as oportunidades existem em qualquer segmento.

Vamos usar agora como exemplo o mercado de serviços financeiros. No aspecto ambiental, os supercomputadores utilizados na mineração de criptos já preocupa, assim como a energia para consumo de redes de blockchain. No aspecto social, oferecer crédito justo e acessível é um desafio, fintechs de crédito e consórcio surgem com o objetivo de suprir essa demanda mas, e as pessoas envolvidas na cadeia? Será mesmo que, para oferecer um serviço financeiramente sustentável ao usuário final, as pessoas envolvidas no processo de atendimento precisam desaparecer? Fica claro que, no âmbito social, precisamos mudar a direção e o foco.

Por tudo isso aqui exposto fica a reflexão: devemos criar novos produtos? Como fazê-lo a partir da perspectiva de sustentabilidade e responsabilidade. Enquanto criamos milhões de canudos coloridos em substituição dos descartáveis, permanecemos enxugando a casa alagada, mas longe de fechar a torneira. Criar ainda mais produtos como resposta a esse problema talvez não seja a solução. Nesse sentido estamos apenas produzindo mais coisas das quais não precisamos.

Qual o nosso papel?

Para as empresas fica a mensagem: O consumidor, ou melhor, o cidadão não espera que a marca diga simplesmente que é consciente ou eco, mas, sim, que ela entregue exatamente a jornada deste produto. Olhar para esse tema não apenas como um novo nicho de mercado a ser explorado, mas com a seriedade que o tema exige. Precisamos despertar uma mudança de atitude em relação aos nossos hábitos de consumo e ao consumo que estimulamos.

Olhar para as questões provocadas pelo excesso de consumo com responsabilidade, esse é o nosso papel enquanto empresas, pois estamos diretamente ligados a uma questão social que claramente aponta para problemas graves no futuro e que irão impactar diretamente a dependência das corporações em um processo de vendas que, por imposição, precisam de escalabilidade.

*Por Lorelay Lopes, head do UP Consórcios e especialista em sociologia de consumo.

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